Motiva

Artesp delibera sobre contratos da Next Mobilidade

Divulgação: BRT ABC

O Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP) publicou, por unanimidade de votos, duas deliberações envolvendo a concessionária ABC Sistema de Transporte SPE S.A. – NEXT Mobilidade. As medidas constam na edição do Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (20), após a realização da 241ª Reunião Extraordinária do órgão.

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As decisões tratam do adiamento de investimentos no corredor BRT-ABC e do cálculo definitivo de compensações financeiras em decorrência dos impactos da pandemia da Covid-19.

Adiamento no BRT-ABC e valores apurados

A Deliberação nº 515, motivada por um processo da Superintendência de Transporte Coletivo (SUCOL), oficializou o reconhecimento da postergação dos investimentos na rubrica “Sistemas e Elétrica”, previstos no cronograma do Contrato de Concessão EMTU nº 20/97.

O atraso gerou um desequilíbrio econômico-financeiro em favor do Poder Concedente. Em valores nominais provisórios, o montante foi calculado em R$ 36.589.635,04 com base em preços de dezembro de 2020 (considerando a taxa interna de retorno contratual de 8,31% ao ano). Atualizado para valores de dezembro de 2025, correspondente ao 6º ano contratual, o saldo a favor do Estado perfaz R$ 74.514.134,47.

Além do adiamento em elétrica, a Deliberação nº 516 (também sob a responsabilidade da SUCOL e do processo SEI! nº 134.00030863/2025-15) oficializou o reconhecimento do atraso na aquisição dos veículos planejados para a operação do corredor BRT-ABC (item especificado como Imobilizado / Frota / BRT / Frota 17).

Essa postergação na compra dos ônibus também resultou em um desequilíbrio econômico-financeiro que favorece o Poder Concedente. Em valores provisórios calculados com base em preços de dezembro de 2020 e na taxa interna de retorno contratual de 8,31% ao ano, o saldo foi fixado em R$ 39.050.699,63. Atualizado para o patamar de dezembro de 2025 (6º ano contratual), o montante provisório desse desequilíbrio atinge R$ 79.526.048,29.

A votação também ocorreu por unanimidade de votos do Conselho Diretor, que determinou a sequência das ações necessárias para aplicar essa recomposição financeira no contrato.

Impactos da pandemia e compensações tarifárias

Já a Deliberação nº 517, originada pela Superintendência de Regulação Econômica e Financeira (SUREF), trouxe a apuração definitiva do desequilíbrio gerado pela queda de passageiros pagantes na pandemia. O prejuízo total calculado em favor da concessionária ficou em R$ 121.369.527,25 (a preços de dezembro de 2020 e taxa interna de retorno de 8,73029% ao ano).

Para solucionar os saldos pendentes entre o Estado e a empresa, o plano aprovado estabelece:

Manutenção do reajuste: Fica mantido o acréscimo de 12,617411% na tarifa de remuneração até o dia 31 de outubro de 2026. Essa majoração, aplicada desde 1º de março de 2025, gerou uma recomposição de R$ 62.324.762,30 em favor do Poder Concedente.

Encontro de contas: O saldo restante do prejuízo da pandemia que ainda não foi quitado pelo aumento da tarifa passará por uma compensação com créditos gerados por aditamentos anteriores, incluindo a postergação de investimentos do BRT reconhecida em março de 2026.

Quitação final: Caso ainda reste algum saldo em favor do Poder Concedente após as compensações, a diferença será descontada do ressarcimento previsto para ser pago à NEXT Mobilidade no mês de novembro de 2026, encerrando as pendências financeiras de ambas as partes sobre esses eventos.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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