A Prefeitura de Goiânia entregou nesta sexta-feira (11/9) o que chama de “metronização” do BRT Norte-Sul, em um percurso de 17 quilômetros entre os terminais Recanto do Bosque e Isidória. A entrega foi feita pelo prefeito Sandro Mabel. Com a conclusão do trecho, Goiânia passa a contar com os dois eixos de BRT da capital, totalizando 31 quilômetros de operação com prioridade semafórica inteligente.
Segundo a prefeitura, no eixo Leste-Oeste, que recebeu a primeira etapa do sistema, a velocidade média aumentou mais de 31%, passando de aproximadamente 16 km/h para mais de 21 km/h. A média de interrupções nos cruzamentos caiu de mais de 30 para cerca de sete paradas, enquanto o tempo total de percurso foi reduzido entre 15 e 20 minutos.
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“É uma importante entrega, esse eixo Norte-Sul. São 17 quilômetros que vão atender uma população grande com uma tecnologia super avançada, que é essa metronização, e consolida os dois BRTs sendo metronizados”, afirmou Mabel. O prefeito destacou que a tecnologia proporciona mais agilidade ao transporte coletivo, principalmente nos horários de maior movimento. “O benefício é total: mais ônibus circulando, o custo é igual, a população mais bem atendida, carros novos, com ar-condicionado e chegando mais rápido”, disse.
Mabel também ressaltou o caráter inovador da iniciativa e a possibilidade de ampliar a tecnologia para outros corredores da capital. “Nós vamos sair de dentro do BRT. Vamos pegar os corredores de ônibus normais e fazer eles funcionarem metronizados também”, contou.
Prioridade semafórica
A prioridade semafórica inteligente permite reduzir as interrupções ao longo do percurso e aumentar a velocidade dos ônibus. No Leste-Oeste, 90% dos cruzamentos semafóricos são contemplados pela tecnologia. A proposta é oferecer ao passageiro uma experiência de deslocamento mais rápida, aproximando o tempo de viagem ao desempenho de sistemas metroviários. O projeto também se diferencia pela implantação modular e gradual, com menor necessidade de intervenções estruturais.
BRT mais rápido que metrô?
Em outra declaração polêmica, ao Jornal Bom Dia Goiás, o chefe do Executivo chegou a afirmar que o BRT é mais rápido que o metrô:
“Esse ônibus anda na mesma velocidade que o metrô. Porque no metrô, você tem o tempo de descer as escadarias, pegar o metrô lá embaixo, parar, subir as escadarias, andar nos túneis embaixo. Então, nós já calculamos com esse ônibus hoje, ele anda em velocidade um pouquinho superior ao metrô. Colocar o metrô em Goiânia vai atrasar a viagem.”
No entanto, o próprio comunicado da prefeitura desmente o prefeito. O eixo Leste-Oeste passou a ter velocidade média de 21 km/h, conforme demonstrado acima. Na comparação com o maior metrô do país, o de São Paulo, a velocidade do BRT goiano está atrás até da linha mais lenta do sistema paulistano:
Linha 15-Prata (Monotrilho): cerca de 35 km/h (a mais rápida do sistema).
Linha 3-Vermelha: cerca de 34 a 35 km/h.
Linha 5-Lilás: cerca de 38 km/h (dados operacionais gerais).
Linha 4-Amarela: cerca de 34 km/h.
Linha 2-Verde: cerca de 32 a 33 km/h.
Linha 1-Azul: cerca de 30 km/h (a mais lenta do sistema).
A falácia do “BRT de alta capacidade”
Nem o comunicado nem o prefeito citaram o termo amplamente usado por setores que defendem, acima do bom senso, a expressão “BRT de alta capacidade” — dando a equivocada ideia de que corredores de ônibus podem ter alta capacidade, quando não é bem assim. Conceitualmente, um BRT pode transportar até 15 mil passageiros por hora e por sentido. Alguns, com estrutura mais robusta, conseguem transportar até 48 mil passageiros por hora/sentido, como é o caso do TransMilênio, em Bogotá.
Já o carregamento de uma linha metroviária pode chegar a 60 mil passageiros por hora e sentido. Os BRTs são uma estrutura importante para o transporte por ônibus, que por sua vez conta com grande capilaridade nas cidades. No entanto, é um equívoco comparar sistemas de transporte com capacidades diferentes.
Bogotá, cidade sempre citada como a vitrine mundial do BRT, deve entregar sua primeira linha de metrô, já que o transporte por ônibus não dá mais conta da demanda.
Importante dizer que as ações da Prefeitura de Goiânia em oferecer prioridade semafórica e implantar estações de embarque, com certeza, elevam a qualidade do ônibus na cidade e merecem aplausos. Mas esses fatores não equiparam o meio de transporte a um metrô.









