Pesquisa Origem Destino 2017 do Metrô começa em agosto

O Metrô vai iniciar neste mês de agosto a mais completa pesquisa de mobilidade urbana do país. Trata-se da sexta edição da Pesquisa Origem e Destino, que vai entrevistar 150 mil pessoas e apurar todas as formas de deslocamentos realizadas na Grande São Paulo e em suas áreas de acesso.

Realizada há 50 anos, a OD, como é conhecida, é responsável por analisar o comportamento da metrópole, mapeando as atividades socioeconômicas e os deslocamentos dos moradores da Região Metropolitana de São Paulo, possibilitando o planejamento urbano e dos novos caminhos.

Os resultados da pesquisa são também utilizados em modelagens de estudos dos setores de segurança, saúde, educação, logística e acadêmicos. Com a metodologia sistematizada em São Paulo, semelhante às consagradas em Londres e Paris, hoje, grandes cidades brasileiras, capitais e regiões metropolitanas aplicam as pesquisas origem e destino nos seus planos de mobilidade e logística.

Ao saber com precisão para onde as pessoas estão se deslocando, além de descobrir seus motivos e como elas fazem os trajetos, políticas públicas podem ser aplicadas para o estímulo ao uso de modais de locomoção.

A última pesquisa OD, realizada em 2007, apontou que a utilização do transporte coletivo ultrapassou o transporte individual, chegando a 55% do total de viagens motorizadas feitas na Grande São Paulo, revertendo uma ascensão histórica deste último. No ano da primeira pesquisa, o modo coletivo ainda representava 68% do total e foi caindo até alcançar 48% no final dos anos 1990. O modo coletivo compreende os transportes públicos através de trem, ônibus, metrô, fretado e escolar, enquanto o individual se refere a táxi, automóvel e motocicleta.

A OD é feita a cada 10 anos pelo Metrô desde 1967 e, a partir dela, foi elaborado o primeiro plano para a construção da rede básica de metrô de São Paulo. Em 2002, passou a receber uma espécie de atualização a cada cinco anos, considerada como uma pesquisa de avaliação de tendências.

pesquisa origem e destino

Como será feita a OD 2017?

Para a realização da base de dados, cerca de 1.200 pesquisadores irão às ruas coletar as informações em 32 mil domicílios diferentes, divididos por 517 zonas em 39 municípios, até dezembro deste ano.

As residências serão definidas através de sorteio e seus moradores notificados da escolha por meio de uma carta com as informações sobre a pesquisa, uma senha e os telefones para contato e agendamento da visita do pesquisador.

Por sua vez, o pesquisador usará crachá, além de colete e boné na cor azul que facilitam a identificação. Ao chegar ao domicílio, o pesquisador deverá informar uma senha que deve coincidir com a senha da carta enviada à residência. Este método aumenta a confiabilidade, garantindo que se trata de um pesquisador enviado pelo Metrô.

colete od

bone od

A coleta das informações será feita com todos os integrantes de um domicílio para saber quantos, quais e como são feitos seus deslocamentos ao longo de um dia. O questionário é feito com a utilização de tablets, que verificam automaticamente inconsistências nas respostas e auxiliam no georreferenciamento dos locais informados.

A OD 2017 também será realizada na chamada “Linha de Contorno”, que é composta por 22 rodovias de acesso à Região Metropolitana de São Paulo, onde serão feitas as entrevistas com ocupantes de caminhões, ônibus, automóveis e motocicletas, além da contagem de veículos.

Os aeroportos de Cumbica (Guarulhos) e Congonhas (São Paulo), junto aos terminais rodoviários do Tietê, Barra Funda e Jabaquara, também foram inseridos nessa “Linha de Contorno” e fizeram parte de uma etapa preliminar da pesquisa, com a aplicação do questionário a 10 mil pessoas, entre passageiros e trabalhadores desses locais, durante o mês de junho.

 

Principais resultados apurados pelas últimas pesquisas OD e de avaliação de tendências

  • Em 2012, foram realizadas diariamente 43,7 milhões de viagens na RMSP, volume 15% maior que o levantado em 2007, para um aumento de 2% na população no período.
  • Do total de viagens diárias, 68% foram feitas por modos motorizados e 32% por modos não-motorizados. No período 2007-2012, houve maior aumento das viagens motorizadas que cresceram 18%, do que das viagens não-motorizadas que cresceram 8%.
  • O índice de mobilidade passou de 1,95 para 2,18 viagens diárias por habitante, enquanto que o índice de mobilidade motorizada passou de 1,29 para 1,49 viagens diárias no período 2007-2012.
  • A frota de automóveis particulares cresceu 18% no período 2007-2012, resultando em uma taxa de motorização de 212 veículos por mil habitantes. As viagens de automóvel tiveram aumento expressivo nas faixas intermediárias de renda mensal familiar (entre R$ 1.244,00 e R$ 4.976,00).
  • Entre os modos coletivos, houve aumento da participação dos modos sobre trilhos de 12% para 15% (metrô – de 9% para 11% – e trem – de 3% para 4%) e queda na participação do modo ônibus como modo principal, de 36% para 32%. As viagens por trem aumentaram de 815 mil para 1.141 mil no período considerado, significando crescimento de 40%. As viagens de metrô cresceram 38% (de 2.223 mil para 3.219 mil). Entre os modos individuais, a participação do automóvel permaneceu estável (41% em 2007 para 42% em 2012).
  • As viagens de metrô com uma transferência modal aumentaram sua participação de 55% em 2007 para 58% em 2012. As viagens exclusivas de trem diminuíram a participação de 20% para 14% e as viagens com duas transferências tiveram acréscimo na participação de 29% para 37%, no mesmo período.
  • Em relação à flutuação horária das viagens, o pico do meio-dia superou os picos da manhã e tarde, devido às viagens a pé e bicicleta.

Ocorreram mudanças também no transporte não-motorizado: queda de participação no total de viagens entre 2007 e 2012 (de 34% para 32%), especialmente nas viagens por motivo educação (queda de 7.291 mil viagens para 6.928 mil viagens), que passaram a ser realizadas mais por transporte escolar (de 1.308 mil para 1.973 mil) e automóvel (de 2.251 mil para 2.615 mil). Consequentemente, o índice de mobilidade por modo não-motorizado entre crianças e adolescentes (de 4 a 17 anos) também caiu.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Metrô


Autor: Caio Lobo

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Paulistano e Corinthiano, formado em Marketing porém dedicou sua experiência profissional, pós-graduação e MBA na área de Finanças. Temas relacionados à mobilidade urbana o fascinam, principalmente quando se fala de metrô.

1 Comentários deste post

  1. ó com essa pesquisa que determina os traçados das linhas ?

    wagner / Responder

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