A construção da futura Linha 19-Celeste do Metrô de São Paulo deu um passo importante na última semana: a estatal habilitou oficialmente o consórcio “AGIS–OHLA–CETENCO”.
O consórcio foi o segundo colocado na concorrência pública após o Consórcio Nove de Julho, formado pela chinesa Yellow River, Highland e Mendes Júnior, ser desabilitado.
O lote que pode ter o contrato de obras assinado em breve corresponde ao trecho entre o Jardim Julieta e Guarulhos, incluindo o uso de uma tuneladora. Restam ainda dois lotes a serem habilitados.
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O projeto da Linha 19-Celeste desenha um novo eixo estrutural para o transporte público sobre trilhos, projetado para interligar o Bosque Maia, na região central de Guarulhos, à Estação Anhangabaú, no coração da capital paulista. O ramal contará com uma extensão total de 17,6 quilômetros e 15 estações subterrâneas. A estimativa é que a nova linha atenda diariamente um fluxo superior a 630 mil usuários, proporcionando uma economia de até 60 minutos no tempo de viagem entre o município da Grande São Paulo e o centro paulistano.
Distribuição e Localização das Estações
O traçado da Linha 19-Celeste cortará bairros de alta densidade demográfica e importantes zonas comerciais, facilitando o acesso a polos de grande circulação, como a região atacadista do Pari, o Mercado Municipal e o Theatro Municipal, além de criar novos nós de integração com a malha metroferroviária existente. Os pontos de parada previstos no projeto compreendem:
- Bosque Maia: Av. Tiradentes, 1451 (Guarulhos)
- Guarulhos Centro: Rua Dom Pedro II, 148/154
- Vila Augusta: Av. Guarulhos, 604
- Dutra: Rua Segundo Tenente Aviador John Richardson Cordeiro e Silva, 220 (junto ao Internacional Shopping)
- Itapegica: Rua Cavadas, proximidades dos números 247 e 1624
- Jardim Julieta: Av. do Poeta, 929
- Vila Sabrina: Av. João Simão de Castro, 250
- Cerejeiras: Av. das Cerejeiras, 1950
- Santo Eduardo: Praça Santo Eduardo, 57
- Vila Maria: Avenida Guilherme Cotching, 563
- Catumbi: Rua Marcos Arruda, 909
- Silva Teles: Rua Santa Rita, 70
- Cerealista: Rua Mendes Caldeira, 223
- São Bento: Rua do Seminário, 87
- Anhangabaú: Rua Santo Amaro, números 43 ao 67
Impactos Positivos e Ganhos Socioambientais
A implantação do ramal trará uma série de melhorias para a infraestrutura regional, incluindo:
- Otimização dos deslocamentos diários entre a capital e a cidade vizinha.
- Conexão direta com as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô, além de futuras articulações com a rede da CPTM.
- Fomento ao desenvolvimento urbano, facilitando o acesso a postos de trabalho, redes de ensino e serviços públicos.
- Alívio na demanda das linhas de ônibus intermunicipais da EMTU.
- Aquecimento do mercado de trabalho com a projeção de abertura de mais de 28 mil empregos, entre vagas diretas e indiretas.
- Redução da pegada de carbono, estimando uma diminuição anual de 131 mil toneladas na emissão de gases poluentes e uma economia de 59,7 milhões de litros de combustíveis fósseis devido à migração dos passageiros para o modal elétrico.
Complexidade da Engenharia e Métodos Construtivos
A execução física do projeto impõe desafios de grande escala para a engenharia civil e metroviária. Todo o trajeto de 17,6 km será subterrâneo, demandando a construção das 15 paradas, de um pátio para manutenção e estacionamento de trens, além de 18 poços de ventilação e saídas de emergência (VSEs).
Para abrir os túneis, serão empregadas três tuneladoras de grande seção, introduzindo de forma inédita no mercado brasileiro a tecnologia Dual Mode (capaz de operar nos modos EPB e Slurry, alternando conforme o tipo de solo encontrado). O plano de obras combina ainda o método austríaco de escavação (NATM) para trechos específicos e valas a céu aberto (VCA). No balanço de materiais, estima-se o manejo de 5,7 milhões de m³ de terra escavada, além da aplicação de 1,37 milhão de m³ de concreto, 187 mil toneladas de armações de aço e 610 mil m³ de calda de cimento para consolidação do solo.




