A transição da matriz de transportes no Brasil, que substituiu o protagonismo dos trilhos pela expansão das estradas, foi resultado de uma profunda transformação econômica e social ocorrida ao longo do século 20. Conforme reportagem publicada pela BBC, fatores como o crescimento acelerado das cidades, o avanço da industrialização e as escolhas de políticas públicas — desde o Estado Novo até o plano desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek — pavimentaram o caminho para a consolidação do modelo rodoviarista no país.
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A reestruturação da mobilidade brasileira começou a se desenhar a partir dos anos 1940. A BBC aponta que as bases desse movimento surgiram sob o governo de Getúlio Vargas, período marcado pela fundação de estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce. Essa guinada na economia acelerou o êxodo rural e o crescimento dos centros urbanos, diminuindo o fluxo de passageiros nas linhas ferroviárias de trechos curtos.
Conforme a BBC, o modelo ganhou ritmo na década de 1950 durante a gestão de Juscelino Kubitschek, que colocou o setor automotivo no centro do seu Plano de Metas. A reportagem da BBC observa que pavimentar estradas exigia menos capital do que implantar trilhos, somado ao baixo custo do combustível na época e ao suporte técnico e financeiro dos Estados Unidos no cenário da Guerra Fria. A criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) em 1956 impulsionou a fabricação nacional de veículos, triplicando a extensão de estradas federais asfaltadas em cinco anos.
Por outro lado, o sistema ferroviário ingressou na década de 1950 em estado de degradação devido à ausência de aportes na reta final de velhas concessões privadas. De acordo com a BBC, a fundação da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) em 1957 pretendia padronizar a malha, sem a diretriz inicial de encerrar operações. No entanto, ao longo das décadas de 1960 e 1970, a reestruturação administrativa levou ao encerramento de diversos trechos e ramais considerados financeiramente inviáveis.
A BBC destaca que, diferentemente de nações que optaram por estatizar e preservar o transporte ferroviário de passageiros — como ocorrido nos Estados Unidos com a Amtrak e na Europa com a Deutsche Bahn, Renfe e SNCF —, o serviço de passageiros sobre trilhos no Brasil foi quase totalmente extinto, sobrevivendo basicamente nos sistemas metropolitanos.
Com a liquidação da RFFSA nos anos 1990 e a repassagem das malhas à iniciativa privada pelo Plano Nacional de Desestatização, o transporte sobre trilhos no país passou a focar quase exclusivamente no escoamento de commodities para exportação. Segundo análises reunidas pela BBC, o cenário atual deixa clara a dependência do transporte rodoviário e expõe as limitações impostas por uma infraestrutura ferroviária herdada do passado, que ainda preserva bitolas métricas antigas e subaproveita o potencial logístico do país.







