Há 20 anos partia o último trem de São Paulo rumo a Presidente Prudente

A exatamente 20 anos, partia o último trem de passageiros entre São Paulo e Presidente Prudente, passando por Sorocaba, Botucatu e Bauru.

Confira o vídeo no canal do Via Trolebus no YouTube:

Para falar desta ligação ferroviária, temos que primeiro lembrar da Estrada de Ferro Sorocabana fundada em 1872.

A chamada linha tronco, entre São Paulo que ia até a cidade de Presidente Epitácio foi concluída em 1922 nas margens do rio Paraná. Antes, porém, a EFS construiu vários ramais.

Em 1903, o Governo Federal assumiu a ferrovia, vendida para o Governo paulista em 1905. Este a arrendou em 1907 para o grupo de Percival Farquhar, com suas linhas incorporadas pela EFS.

Em 1919, o Governo paulista voltou a ser o dono, por causa da situação precária do grupo detentor. Assim foi até 1971, quando a EFS foi uma das ferrovias que formaram a estatal FEPASA. Sobre a Fepasa, a gente deve fazer um vídeo só para ela porque esta historia merece.

Durante todo este período, diversos tipos de trens trafegaram pela linha principal da Sorocabana, desde trens simples, como trens mais luxuosos, inclusive com vagões restaurantes.

Dos anos 1920 aos 1950 era possível viajar de trem a Presidente Epitácio e ali tomar um vapor para Foz do Iguaçu.

As primeiras locomotivas que puxaram os trens de passageiros foram as locomotivas a vapor, que duraram até o início dos anos 1960 na linha-tronco. As diesel começaram a operar no final dos anos 1940 e as elétricas entre 1944 a 1999. Até Assis havia eletrificação, que chegou a seu ponto máximo nessa cidade no ano de 1966. Depois de Assis, esses trens passavam a ser tracionados por locomotivas.

Enquanto isso, a frequência dos trens foi diminuindo, e a concorrência com o transporte rodoviário foi ficando cada vez mais acirrada.

Na década de 70, a Fepasa chegou a ter 39 trens de passageiros diários cobrindo todos os eixos geográficos de São Paulo e cidades de Estados vizinhos.

Em 1998 sobrou apenas o trem São Paulo-Presidente Prudente com uma viagem que durava 15 horas. A passagem custa R$ 29,50, um pouco menos que a da viagem de ônibus: R$ 37,64 para sete horas na estrada.

Em primeiro de janeiro de 1999, a malha ferroviária paulista passa a ser operada pela Ferroban (Ferrovias Bandeirantes S/A), vencedora do leilão de desestatização da Malha Paulista da RFFSA (ex-Fepasa) realizado em 10 de dezembro de 1998.

Todos os trens de passageiros ainda na ativa são “suspensos” pela nova concessionária em 18 de janeiro de 1999, sob a alegação de que o serviço era precário e oferecia risco aos usuários.

Mas como o edital de concessão da Malha Paulista obrigava a manutenção de ‘serviços de passageiros’ – não especificando quais – pelo prazo de mais um ano, algumas linhas são retomadas em primeiro de agosto de 1999:

– Sorocaba- Apiaí
– Itirapina-São José do Rio Preto
– Campinas-Panorama

Estes serviços foram cancelados em 2001. A falta de investimentos no transporte ferroviário matou entre diversos ramais brasileiros, o trem de passageiros paulista. O país ficou refém apenas de um meio de transporte.

Hoje, em 2019 se fala na retomada de serviços de média e longa distância. A primeira linha a ser retomada é entre São paulo e americana, passando por campinas, com trens mais velozes.


Autor: Renato Lobo

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Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

9 Comentários deste post

  1. A primeira frase da matéria diz que o trem ligava São Paulo a Presidente Prudente passando por algumas cidades, entre elas Bauru. Errado. O trem de São Paulo para Presidente Prudente não passava por Baurú.

    Fábio Dias / Responder
  2. Mais uma imbecilidade vergonhosa da “Democracia” Civil, pós 84, no Brasil.

    Adilio Faustini / Responder
  3. Os países europeus, com seus trilhos criados antes mesmo de 1950, mantiveram ate hoje, e só reformaram, o Brasil andou pra trás, e desativou várias linhas, país sub desenvolvido e triste, os governos pensam em si próprios, e governam apenas pra garantir aposentadoria ou enriquecer, uma vergonha.

    Rodrigo Santos / Responder
  4. Acabaram com os trens, em vez de modernizar e expandir. O Brasil é um lixo!

    Josh / Responder
  5. Os trens de longa distância paulistas eram nosso patrimônio, e foram destruídos por ganancia da Ferroban e incompetência do governo.
    Imagina só o valor de tudo que foi destruído naquela época? Carros de passageiros, locomotivas, rede aérea de energia, sinalização, estações, funcionários.
    Cadê o ministério público heim? Pouco importa né?

    Rafael de Souza / Responder
  6. O PSDB e FHC foram os maiores responsáveis por isso. A democracia não tem nada a ver com isso, quando políticos oportunistas como o execrável FHC e seu partido blindado, o PSDB, estão no poder! A César o que é de César! Veja o caso de SP: cadê os trens intercidades prometido por Alckmin e agora por Doria? Nunca sairão do papel!

    Maurilio / Responder
  7. parabens pela reportagem !!!! realmente é uma pena não ter mais estes trens….. esperamos a sua retomada ! apesar de nao ser eleitor do doria, me parece que esta se esforçando para mudar este panorama

    vinicius / Responder
  8. Agora a bola da vez é a aviação. É muito mais interessante ter uma malha aeroviária nos moldes Ryan Air, com trechos de 20 euros (aprox 85 reais, ou um pouco menos que o valor da passagem de trem dessa época corrigido pela inflação). Melhora o Aeroporto dessas cidades médias e inclui um ou dois vôos diários para algum hub importante (SP ou Campinas). Muito melhor que uma infraestrutura ferroviária nos moldes japoneses.

    Carlos / Responder
  9. Agora a bola da vez é aviação. Coloca bons aeroportos nessas cidades menores e abre o mercado para operadoras como Ryan Air, que fazem trechos como este a partir de 20 euros na Europa (ou 85 reais, o preço do ônibus atualmente). Requer bem menos investimento que o modal ferroviário, basta ter regularidade nos vôos para determinados hubs (SP ou Campinas).

    abs

    Felipe / Responder

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