A fabricante russa Transmashholding (TMH) propôs uma parceria de pesquisa e desenvolvimento com a Índia voltada a trens de alta velocidade, durante a exposição INNOPROM.India, realizada em Nova Délhi entre 9 e 11 de setembro. A informação é do site Rolling Stock World, que relata que o CEO da TMH, Kirill Lipa, apresentou os detalhes da proposta primeiro em um discurso no programa de negócios do fórum, e depois pessoalmente ao presidente russo, Vladimir Putin, e ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Em seu discurso, Lipa destacou a necessidade urgente de construir uma parceria científica e tecnológica entre os dois países. “Vocês têm muitos atrativos, têm muitos projetos a serem tocados, e vão precisar de centros de P&D enormes especificamente para essa tarefa”, afirmou, conforme reproduzido pela reportagem. “Acredito que a Rússia pode ser uma parceira grande e boa nessa área específica, por conta da nossa forte capacidade em ciência fundamental.” O executivo também defendeu que os dois países desenvolvam conjuntamente a produção de materiais e componentes.
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Ao apresentar o projeto aos dois líderes, o CEO afirmou que a TMH está pronta para desenvolver os trens em conjunto com parceiros indianos e estabelecer produção no país. Ele apontou que os trens elétricos de alta velocidade poderiam se tornar, no futuro, uma exportação tecnológica importante para a Índia, estimando o potencial de investimento do projeto em mais de US$ 400 bilhões — cálculo, segundo o site, feito pela própria TMH.
A proposta surge num momento em que o país trabalha para desenvolver capacidades nacionais de produção de trens de alta velocidade, após a aprovação recente de planos para uma rede de sete linhas somando cerca de 4.000 km no total. A Índia está atualmente se preparando para construir um protótipo com velocidade de projeto de 280 km/h, além de ter estabelecido a meta de desenvolver trens capazes de atingir 350 km/h.
O conceito Ivolga FG
A TMH reforçou a proposta com uma maquete do trem Ivolga FG (Future Generation) e um vídeo explicativo. O conceito leva o nome da plataforma multiunidade Ivolga, que a empresa já constrói para o mercado russo desde 2014 — hoje em sua quinta modificação, com a série somando mais de 120 composições e ainda em expansão. O programa Ivolga também funciona como banco de testes para a tecnologia de condução autônoma da fabricante, voltada a serviços de passageiros em infraestrutura aberta.
Segundo a apresentação de Lipa, o Ivolga FG é projetado para velocidade máxima de 360 km/h, autonomia de 100 km apenas com bateria a 200 km/h, e operação automática nos níveis mais altos, GoA3/GoA4, com detecção de obstáculos a até 2.000 metros de distância. O vídeo mostrava o trem com carroceria em alumínio, vida útil de 30 anos, formação de oito carros e múltiplas opções de classe. A empresa afirma que até 80% dos componentes estruturais poderiam ser fabricados em território indiano.
Concorrência acirrada pelo mercado indiano
O Rolling Stock World lembra que a disputa pelo mercado indiano é intensa. O Japão, por exemplo, já venceu o contrato da primeira linha de alta velocidade do país, entre Mumbai e Ahmedabad, oferecendo seu novo trem E10 — que sequer entrou em operação no próprio Japão. Caso a proposta da TMH avance, a construção do Ivolga FG também representaria uma estreia para a fabricante russa nesse segmento específico de material rodante, já que a empresa nunca produziu esse tipo de composição antes.
“Vemos um potencial enorme no mercado de ferrovias de alta velocidade. Hoje a Índia é um dos maiores países em população, e naturalmente você não consegue desenvolver sua economia sem o setor ferroviário — e especificamente uma grande demanda está vindo do setor de ferrovias de alta velocidade”, disse Lipa, de acordo com o site.
Parceria já existente com a Índia
A TMH, maior fabricante de material rodante da Rússia e uma das maiores do mundo, já presta apoio tecnológico estratégico a um contrato com a Indian Railways para a construção de 120 trens-leito elétricos, com velocidade de projeto de 160 km/h, somando 1.920 carros ao todo, além da manutenção dessas composições por 35 anos. A Kinet Railway Solutions, joint venture russo-indiana responsável pelo projeto, já construiu um moderno complexo de produção em Latur e se prepara para lançar seu primeiro protótipo de 16 carros. O papel da TMH nesse programa abrange engenharia, montagem da produção, design e treinamento dos engenheiros que vão manter a operação em funcionamento — segundo o Rolling Stock World, a base sobre a qual a nova proposta de trens de alta velocidade se apoia.







