Motiva

Futura estação em Osasco terá terminais sobrepostos

O edital do projeto básico da futura Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo detalha as diretrizes construtivas, operacionais e urbanísticas da futura Estação Santa Maria (SMAR). Projetada para ser um dos eixos de integração fundamentais da rede, a estação estará localizada no município de Osasco e apresentará soluções de engenharia complexas para superar uma topografia acidentada e uma profundidade significativa.

Abaixo estão divididos de forma detalhada todos os aspectos técnicos do projeto da estação:

Localização e Inserção Urbana

O corpo principal da estação será implantado no bairro de Santa Maria, em Osasco, ocupando uma quadra inteira desapropriada de 8.244,49 m². A área é delimitada pelas seguintes vias:

  • Norte: Estrada da Divisa;
  • Sul e Oeste: Rua Gaetano Del Gaizo;
  • Leste: Avenida Ayrton Senna.

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A Avenida Ayrton Senna foi escolhida por se consolidar como o principal corredor comercial e de serviços da região. A centralidade da estação em relação ao bairro, que se expande em todas as direções, visa otimizar o raio de caminhada dos usuários locais.

Metrô de São Paulo

Devido ao papel estratégico de alimentação da demanda, o complexo abrigará dois terminais de ônibus: um municipal e um metropolitano.

Para viabilizar as estruturas sem expandir a necessidade de novas desapropriações em áreas consolidadas, o projeto utilizará o relevo acidentado do terreno para sobrepor os terminais em dois pavimentos distintos:

  • Pavimento Inferior: Terminal Metropolitano, conectado ao nível do Acesso A1.
  • Pavimento Superior: Terminal Municipal, conectado ao nível do Acesso A2.

Os terminais contarão com infraestrutura completa de integração modal, incluindo coberturas, calçadas ampliadas e baias de parada regulamentares.

A abrangência da estação será ampliada por meio de dois corpos de acesso principais, posicionados em diferentes níveis de cota:

  • Acesso A1 (Corpo Principal): Entrada pela Rua Gaetano Del Gaizo, situada na cota 795,84 m. Atende ao fluxo da rua e ao terminal metropolitano.
  • Acesso A2 (Corpo Principal): Entrada na esquina da Estrada da Divisa com a Avenida Ayrton Senna, posicionado na cota 801,12 m. Atende ao terminal municipal.
  • Acesso B (Secundário): Localizado em uma área desapropriada específica de 1.177,76 m², na confluência da Avenida Ayrton Senna com a Estrada da Divisa. Ficará disposto diagonalmente ao corpo principal, implantado na cota 801,71 m.

Demanda Prevista e Facilidades

O fluxo projetado para a Estação Santa Maria é de 31.189 passageiros diários, baseado nas simulações do cenário 40910 do Plano de Investimentos do Metrô (setembro de 2022). O complexo contará com:

  • Bicicletário com 100 vagas;
  • 9 vagas de parada rápida para embarque e desembarque (kiss and ride);
  • Proposta de implantação de uma ciclofaixa na Avenida Ayrton Senna;
  • Não haverá estacionamento para veículos particulares.

Métodos Construtivos e Profundidade

A Estação Santa Maria se caracteriza por sua grande profundidade. A distância vertical entre o Acesso A2 e o topo do boleto do trilho (situado na cota 747,50 m) é de 53,62 metros. A diferença de nível entre a avenida e o hall de bloqueios (roletas) é de 21,12 metros.

Para vencer essas dimensões, a engenharia civil adotará métodos mistos de escavação:

A porção superior da estação, que abrigará as salas técnicas e operacionais, será executada por VCA. Por conta do relevo inclinado, a escavação inicial em superfície será feita de forma escalonada, atingindo até 20 metros de profundidade na avenida principal, com contenção realizada por tirantes provisórios.

A partir do nível das salas técnicas, a escavação profunda prosseguirá por meio de um poço lateral com 35 metros de diâmetro interno, revestido provisoriamente com concreto projetado e tela metálica.

Após a conclusão da laje de fundo do poço e do revestimento definitivo, serão escavados o Túnel de Ligação (TL) e as cavernas das plataformas de embarque. Essas estruturas subterrâneas serão executadas pelo método NATM (New Austrian Tunnelling Method) em solo residual. O projeto prevê a parcialização da seção de escavação e tratamentos de estabilização do solo, além do monitoramento e possível rebaixamento do lençol freático para evitar recalques na superfície. Após a conclusão das contenções definitivas da VCA, os tirantes provisórios serão desativados para permitir a construção final do terminal de ônibus na superfície.

A distância entre a estação e a Ventilação e Saída de Emergência 17 (VSE17) representa menos de um terço do espaço total até a estação seguinte (VICV). Devido a essa proximidade, os projetos executivos de ambas as estruturas serão detalhados de maneira integrada para mitigar o desconforto aerodinâmico ou acústico perceptível pelos passageiros.

Circulação Vertical por Elevadores

Devido à combinação entre a alta demanda e a acentuada profundidade, o fluxo de passageiros entre os mezaninos não utilizará escadas rolantes como meio principal. O deslocamento vertical na área paga — vencendo um desnível de 27,20 metros entre o mezanino de bloqueios e o de distribuição — será realizado por elevadores de alta capacidade combinados a escadas fixas.

O sistema será composto por:

8 elevadores com capacidade para 33 pessoas cada;

Caixas de poço com dimensões de 3,08 x 2,48 metros.

O terreno da estação intercepta uma Zona Especial de Interesse Social (ZEIS). Como a legislação local não define índices específicos para essa zona, aplicam-se as regras da macrozona incidente: a MDTP (Zona de Uso Misto de Desenvolvimento e Territórios Periféricos).

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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