Por Paulo Farias
A ligação ferroviária entre o Planalto Paulista e o Litoral Sul é uma realidade diária para o transporte de cargas. No entanto, para o transporte de passageiros, a “muralha” da Serra do Mar ainda representa um abismo técnico. No artigo científico do meu MBA em Metrôs e Sistemas Ferroviários, analisei as alternativas para que o Trem Intercidades (TIC) Eixo Sul saia do papel.
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O diagnóstico é claro: para o passageiro, não basta apenas ter apenas trilhos; é preciso uma infraestrutura que suporte um serviço moderno, rápido e frequente. Cruzando dados de custo-benefício e viabilidade operacional, meu estudo conclui que o traçado via Parelheiros/Marsilac é o caminho mais realista e sustentável para viabilizar este projeto no curto e médio prazo.
O Gargalo da Cremalheira vs. A Fluidez da Aderência
Muitos acreditam que utilizar a descida por Paranapiacaba seria o caminho mais simples. Contudo, a operação via Cremalheira exige o fracionamento dos trens de carga e manobras complexas de pátio, criando um “nó” logístico insuperável para o padrão TIC.
Em contraste, o traçado via Parelheiros/Marsilac, operando por aderência plena (rampas de 2,75%), oferece uma gestão de tráfego menos complexa. Enquanto em Paranapiacaba o trem de passageiros ficaria preso atrás de manobras lentas de carga, em Marsilac a convivência entre os sistemas pode ser atenuada com sinalização moderna e vias de ultrapassagem. Vale destacar que o traçado de Marsilac conta com via duplicada, ao contrário da via singela na cremalheira de Paranapiacaba.
Análise Comparativa: Custos e Desempenho
Abaixo, apresento a síntese das alternativas analisadas, destacando a relação entre o investimento necessário (CAPEX) e a performance esperada:
| Alternativa | Diferencial Técnico | Tempo Estimado | Investimento (CAPEX) |
| 1 – Cremalheira | Rota histórica. Rampa de 10% | ~70 min. | Médio (Foco em material rodante especial) |
| 2 – Marsilac | Aderência plena. Rampa de 2,75% | ~90 min. | Equilibrado (Foco em reconstrução de via) |
| 3- Imigrantes | Faixa de domínio rodoviária | Variável | Alto (Interferências urbanas, túneis e viadutos) |
| 4 – Túnel de Base | Alta performance. Túnel de 30km | ~60 min. | Altíssimo (Padrão internacional de túneis) |
O Desafio da Reconstrução e a Recompensa Operacional
Embora o traçado via Marsilac demande a reconstrução do leito ferroviário a partir de Varginha e a modernização do trecho de descida, este investimento se justifica pela atratividade para parcerias público-privadas (PPP). Diferente do isolamento de Paranapiacaba, a rota de Marsilac permite estender o benefício metropolitano ao extremo sul da capital e garante uma operação “limpa”. Além disso, a conexão com as Linhas 8 e 9 da CPTM/ViaMobilidade permitiria uma integração futura com o TIC Eixo Oeste.
Tecnologia Bimodal de Material Rodante: Acelerando a entrega
Para viabilizar este cenário, a adoção de Trens Híbridos (Bimodais), como a Série Class 730 da espanhola Renfe, surge como a solução definitiva. Eles permitem utilizar a eletrificação existente e operar com tração diesel de alta eficiência nos trechos novos sem rede aérea, reduzindo drasticamente o investimento inicial em subestações e catenárias.
Veredito: O Caminho para o Litoral Sul
A rota via Parelheiros/Marsilac-Mongaguá-Santos é a que melhor equilibra o risco técnico com a atração de capital privado. É um projeto de reconstrução com custos previsíveis e que oferece a segurança operacional necessária para devolver ao passageiro a dignidade de viajar entre o planalto e o mar sobre trilhos.
Sobre o autor: Paulo Ramires Santos Farias é Ferroviário com 16 anos de experiência em sistemas de trens metropolitanos e Especialista em Sistemas Ferroviários (MBA em Metrôs e Sistemas Ferroviários).
Artigo completo (22 págs) com metodologia e referências: https://bit.ly/ticlitoral





