Motiva

De trem a VLT: a saga da Linha 14

Imagem gerada por IA

Uma nova linha que nasceu com o status de VLT, chegou a ser cogitada como monotrilho, e depois foi anunciada como trem convencional, ligando Santo André a Guarulhos, cruzando a Zona Leste de São Paulo. Essa é a nova Linha 14-Ônix, ramal anunciado na década passada e que ainda não tem um prazo concreto para sair do papel.

O ramal faz parte do lote ABC-Guarulhos para concessão, que também engloba a Linha 10-Turquesa da CPTM, anunciado nos últimos anos, mas que também não tem prazo para ser leiloado, segundo o site da Secretaria de Parcerias e Investimentos. O edital final pode sair em 2027.

A linha ainda foi alvo de uma espécie de “rebaixamento”, sendo vendida novamente como um VLT. Na visão da pasta, o ramal pode transportar 250 mil passageiros por dia, o que justificaria um modal de média capacidade. Já a CPTM e a Secretaria dos Transportes Metropolitanos falaram em mais de 500 mil, o que justificaria um trem comum. Curiosamente, a SPI mudou o modal, mas manteve a posição das estações na mesma configuração do trem previsto pela CPTM.

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Após a audiência pública realizada em 2025, as minutas do edital revelaram alguns detalhes da nova linha:

A versão anterior do documento previa o pátio de manutenção, o estacionamento e o Centro de Controle Operacional (CCO) na região do Jardim Helena. A nova versão, porém, passou a definir Santo André como o principal polo operacional do sistema, reunindo ali as estruturas de comando e manutenção da futura Linha 14-Ônix.

Fonte: Secretaria de Parcerias e Investimentos

Segundo o texto, o Complexo ABC vai concentrar as funções centrais do sistema, abrigando o CCO e o pátio principal, além de marcar o ponto de partida do primeiro trecho a ser implantado.

Trechos prioritários

O edital estabelece três etapas principais para a construção do VLT:

– Trecho 1: da Estação ABC (inclusive) até a Estação Jardim Itápolis (inclusive);
– Trecho 2: da Estação Jardim Itápolis (exclusive) até a Estação A.E. Carvalho (inclusive);
– Trecho 3: da Estação A.E. Carvalho (exclusive) até a Estação Hospital Jardim Helena (inclusive).

Os demais segmentos — entre Hospital Jardim Helena e Guarulhos, e entre ABC e Jardim Irene — entram na categoria de investimento contingente, ou seja, podem ou não ser efetivamente construídos.

Complexo de Manutenção ABC

O pátio principal, situado em Santo André, deve contar com estrutura completa para manutenção leve e pesada dos trens e dos sistemas fixos, além de espaços voltados à limpeza, ao armazenamento e à administração.

Entre os itens previstos no projeto estão:

– Torno de rodeiros subterrâneo (TRS);
– Cabine de pintura;
– CCO;
– Via de assopramento;
– Lavador;
– Balança rodoviária;
– Depósito de materiais a céu aberto;
– Capacidade para 52 VLTs.

Pátio São Miguel

Além da estrutura principal, o edital também contempla um pátio secundário em São Miguel, voltado ao estacionamento, à limpeza e à manutenção corretiva dos veículos, com capacidade para 8 VLTs.

As definições presentes nas minutas do edital, no entanto, ainda podem sofrer mudanças na implantação, caso o futuro concessionário opte por alterar o modal de transporte previsto para a nova linha.

Nota do editor: A Linha 14-Ônix carrega hoje mais perguntas do que certezas. Trem ou VLT? 250 mil ou 500 mil passageiros por dia? Leilão em 2027 ou mais uma vez adiado? Enquanto essas divergências seguem, o projeto continua como uma promessa recorrente para quem vive entre Santo André e Guarulhos — sempre no radar, mas nunca com data marcada para sair do papel.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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