O edital do projeto básico da Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo, atualmente em fase de contratação, detalha as diretrizes de engenharia, os impactos viários e as especificações urbanísticas da futura Estação Reserva Raposo (BOAV). A unidade será instalada no município de São Paulo, na margem norte da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), no entroncamento com a Avenida Mariazinha Fusari, posicionando-se de forma adjacente à parte baixa do novo complexo residencial Reserva Raposo, que está em fase de implantação.
🚎 Fique por dentro das notícias mais recentes sobre mobilidade:
✅ Canal do Via Trolebus no WhatsApp
✅ Canal do Via Trolebus no Telegram
O lote destinado ao corpo principal da estação fica à margem da rodovia e possui uma área total de 16.303,00 m². Desse montante, 4.771,95 m² são ocupados por uma Área de Preservação Permanente (APP) vinculada ao Córrego Itaim-Jaguaré, tratando-se de um setor sujeito a inundações. Essa restrição ambiental foi determinante para o desenho do projeto.
Atualmente, a APP no local é ocupada por edificações e será parcialmente utilizada para comportar a vala da estação, devido às limitações impostas pelo traçado ferroviário e pelas obras de alargamento da rodovia previstas no projeto Nova Raposo. Como resultado da solução de engenharia, a superfície da APP será restaurada e liberada de construções, transformando-se em uma ampla praça integrada ao espaço. Após a doação de calçadas exigida por lei para garantir passeios públicos com largura mínima de 5 metros, a área resultante do terreno principal será de 13.918,78 m² (mantendo os 4.771,95 m² de APP).
Acessos e passarelas de integração
A estação foi projetada com três acessos principais para garantir a conectividade local e superar a barreira urbana da rodovia:
- Acessos A e B: Localizados no corpo principal, ao norte da rodovia. O Acesso A, na ponta oeste, servirá como articulador de fluxos.
- Acesso C (Secundário): Situado ao sul da rodovia, em um terreno de 1.898,00 m² (composto por 6 lotes, sendo um parcialmente desapropriado). Fica entre as ruas Major Walter Carlson e Poema dos Olhos, adjacente a um curso d’água sem denominação que se encontra canalizado. A área final do terreno após adequações legais será de 1.416,68 m².
- Acesso D (Terminal de Ônibus): Fará a conexão direta com o terminal de ônibus municipal que será implantado como parte da infraestrutura do loteamento Reserva Raposo.
A integração entre as estruturas será feita por duas passarelas que ligarão os bairros localizados ao norte e ao sul da Rodovia Raposo Tavares. Uma das passarelas se conectará ao mezanino superior do terminal de ônibus (Acesso D), espaço que funcionará também como área comercial. Para viabilizar a circulação e o funcionamento independente do acesso, o terminal passará por uma adaptação na porção leste, recebendo um hall de chegada, escada fixa e elevador. No interior do mezanino, a área de quatro unidades comerciais será reduzida para abrir o eixo de circulação transversal. Adicionalmente, haverá uma passagem de pedestres sobre o Córrego Itaim, interligando a estação diretamente à Rua Onze do Reserva Raposo.
Demanda e infraestrutura de apoio
A simulação de demanda do cenário, extraída do Plano de Investimentos de setembro de 2022 da Companhia do Metropolitano de São Paulo, estipula que a estação receberá 26.500 passageiros diários.
Para dar suporte ao fluxo, a infraestrutura da Estação Reserva Raposo contará com:
- 7 vagas de kiss and ride (embarque e desembarque rápido);
- Bicicletário com 100 vagas;
- Estacionamento para automóveis com 212 vagas (que aproveitará o espaço escavado da vala entre o nível de distribuição e o nível do terreno);
- Extensão da ciclofaixa da Avenida Mariazinha Fusari e implantação de travessia ciclística na Rua Major Walter Carlson.
Método construtivo e movimentação de tatuzões
A estação será construída pelo método de Vala a Céu Aberto (VCA), seguindo o projeto-padrão do Metrô. A estrutura terá uma profundidade de 24,30 metros entre os acessos A e B (situados na cota 759,30 m) e o nível do topo do boleto do trilho (cota 735,00 m). Operacionalmente, o poço da estação Reserva Raposo será o ponto de saída da tuneladora (tatuzão) vinda da Estação Parque Alexandra (ALEX) e o ponto de emboque (partida) da tuneladora com destino à Estação Rio Pequeno (ESME).
Estudos de tráfego e o impacto da Nova Raposo
Por estar na área de influência da rodovia SP-270, foram feitas simulações de tráfego que constataram elevados níveis de saturação e congestionamentos frequentes na região atual, especialmente no sentido São Paulo durante o período da manhã, o que reduz a velocidade e prejudica o acesso ao bairro Jardim Arpoador.
Os estudos de cenário indicam que as ampliações de capacidade previstas no Projeto Funcional da Nova Raposo (como novas pistas marginais e faixas adicionais) vão reordenar os acessos e melhorar a fluidez. O fluxo de veículos gerado pela Linha 22-Marrom deverá ser absorvido pelas novas vias marginais, sem comprometer a operação da rodovia no horizonte analisado.
Zoneamento, potencial construtivo e Linha 24-Quartzo
O corpo principal da estação está inserido na Macrozona de Proteção e Recuperação Ambiental (divisa entre São Paulo, Osasco, Cotia e Taboão da Serra), enquadrando-se em Zona de Centralidade Ambiental (ZCa) e no Perímetro de Qualificação Ambiental PA-10.
Devido à chegada do metrô, o Plano Diretor Futuro prevê a demarcação da área como Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana Ambiental (ZEUa). Essa mudança permitirá o incremento construtivo e a atração de empreendimentos associados tanto no lote principal quanto no secundário. O potencial construtivo do corpo principal poderá atingir um Coeficiente de Aproveitamento (CA) de mais de 7,16 vezes a área do terreno, enquanto o terreno do Acesso C poderá alcançar um CA de 6,78.
Por fim, o documento técnico menciona que a versão preliminar do Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU 2040) indica o traçado da futura Linha 24-Quartzo do trem metropolitano passando entre as estações Reserva Raposo (BOAV) e Jardim Sarah (STER). Como ambas serão construídas em VCA, a engenharia aponta que a adaptação para uma futura integração será facilitada, recomendando o acompanhamento do status da Linha 24-Quartzo nas próximas etapas do projeto para garantir a compatibilização entre as duas linhas.





