A Avenida Vital Brasil, no Butantã, deve ganhar uma segunda estação de metrô, mas sem conexão com a parada da Linha 4-Amarela que leva o nome do bairro. Trata-se da futura Estação Vital Brasil, que fica distante em cerca de 700 metros do ponto de embarque que atualmente está em operação.
A estação da Linha 22
O projeto de implantação da Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo prevê uma série de soluções de engenharia e diretrizes socioambientais para a futura estação Vital Brasil (VITB). Conforme dados do edital do projeto básico da Linha 22-Marrom, a parada ficará localizada na confluência de três importantes artérias viárias da Zona Oeste da capital paulista: as avenidas Vital Brasil, Corifeu de Azevedo Marques e Caxingui — sendo as duas primeiras consideradas eixos estruturais de transporte coletivo por ônibus.
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A estação desempenhará um papel estratégico de conectividade, situando-se junto ao acesso do Instituto Butantan e funcionando como mais um equipamento de transporte público voltado ao principal campus da Universidade de São Paulo (USP), a Cidade Universitária.
Restrições ambientais e parâmetros urbanísticos
O desenho e a localização da estação foram fortemente condicionados por fatores geográficos. Uma parcela do terreno destinado ao corpo principal está inserida na Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego Pirajuçara. Por conta dessa restrição ambiental, o Plano Diretor futuro não poderá converter o uso do solo para Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU), mesmo após a consolidação da linha. Com isso, a estação e possíveis empreendimentos associados deverão obrigatoriamente respeitar os coeficientes de aproveitamento compatíveis com o zoneamento vigente.
Em termos de parâmetros urbanísticos e potencial construtivo, as áreas da estação estão divididas em duas classificações:
- Corpo Principal e Acesso A: Estão inseridos em uma Zona de Centralidade (ZC), cujo potencial construtivo de referência é de 2, podendo alcançar até 2,90 com a aplicação dos incentivos legais previstos.
- Acesso B: Localiza-se em uma Zona Corredor 2 (ZCOR-2), que possui potencial construtivo básico de 1 vez a área do terreno, atingindo o teto de 1,20 com incentivos. O projeto para este setor priorizou a instalação de praças e amplas áreas verdes no entorno.
Arranjo dos acessos e desapropriações
O complexo metroviário contará com dois pontos de entrada e saída:
- Acesso A (Norte): Ficará ao norte da avenida Vital Brasil, integrando o corpo principal da estação. Ele fará limite a leste com a Universidade São Judas Tadeu (polo gerador de viagens), a oeste com a APP do córrego Pirajuçara (área sujeita a inundações) e a norte com o terreno reservado à expansão do Instituto Butantan. O terreno do corpo principal prevê a desapropriação parcial de um lote de aproximadamente 10 mil m² — que possuía o status de “cancelado” na base SQL do Geosampa na data de fechamento do detalhamento e conta com previsão de intervenções ao norte por parte do Instituto Butantan. A área total desapropriada para esta frente será de 5.167,40 m², sendo 1.559,23 m² ocupados pela APP, resultando em 3.608,17 m² efetivamente destinados ao projeto construído.
- Acesso B (Sul): Posicionado ao sul da avenida Vital Brasil, ocupará uma área de 3.413,00 m² distribuída por 4 lotes situados na confluência das avenidas Vital Brasil (frente norte), Corifeu de Azevedo Marques (oeste) e Caxingui (leste).
Métodos construtivos, profundidade e infraestrutura subterrânea
A estação Vital Brasil atingirá uma profundidade total de 34 metros, medidos a partir da superfície dos acessos (nível 724,42 m) até o topo do boleto dos trilhos (cota 690 m). Diante desse desnível e da limitação de terrenos disponíveis, a engenharia do projeto optou pela construção por meio de um poço lateral com 35 metros de diâmetro. Este poço será escavado a partir de uma vala rasa de 14,08 metros de profundidade, enquanto as plataformas centrais serão abertas pelo método NATM (túnel escavado). Um túnel de ligação, também em NATM, fará a união entre o poço e as plataformas.
A vala rasa integrará os dois acessos ao mezanino de bloqueios, abrigando as salas técnicas na cota 719,30 m. No mesmo nível do hall de bloqueios ficarão dispostas as salas operacionais e os sanitários de uso público.
O Acesso B também será escavado em vala com 14,08 metros de profundidade. Para mitigar o impacto na superfície de uma região viária tão importante e evitar interferências com redes subterrâneas existentes — incluindo tubulações de gás —, a ligação subterrânea entre o Acesso B e o mezanino de bloqueios do corpo principal (cota 710,34 m) será executada em NATM. O projeto prevê ainda que a estação Vital Brasil receberá o banco de dutos de energia vindo da subestação Alvarenga, que será implantada para alimentar a Linha Marrom.
Preservação do patrimônio e arranjo das plataformas
A distribuição interna das estruturas subterrâneas foi diretamente afetada pela necessidade de não interferir no conjunto arquitetônico do Instituto Butantan, que é tombado pelo CONDEPHAAT desde 1981. Para garantir a integridade do patrimônio histórico, a distância entre a extremidade oeste das plataformas e a estrutura de Ventilação e Saída de Emergência (VSE 7), já localizada dentro da Cidade Universitária, foi fixada no limite máximo permitido de 760 metros de extensão. Como a presença da APP também limitava o posicionamento do poço da estação a leste, as plataformas acabaram deslocadas para o lado oeste. Dessa forma, a estação foi configurada com o poço situado na extremidade leste das plataformas, um arranjo considerado compatível com as projeções de demanda do sistema.
Integração e microacessibilidade
A simulação de demanda (integrante do Plano de Investimentos de setembro de 2022 da Companhia do Metropolitano de São Paulo) calcula que a estação Vital Brasil terá um fluxo de 13.729 passageiros por dia.
Para organizar o tráfego no entorno, foram desenhadas as seguintes soluções de microacessibilidade, integração e transporte:
- Conexão Universitária: O projeto propõe uma intervenção de circulação para pedestres fora da área desapropriada, estendendo uma área de fruição pública qualificada desde a APP até o campus da USP. A rua existente a leste do terreno será convertida em uma via prioritária para pedestres, com tráfego restrito a veículos de manutenção do Metrô. A medida está alinhada às diretrizes do Plano Diretor do Campus Butantã, que prevê o acesso direto à estação a partir da praça Professor Reinaldo Porchat, pendente de negociação com a Academia de Polícia Doutor Coriolano Nogueira Cobra (Acadepol).
- Transporte por Ônibus: Haverá a implantação de duas novas paradas de ônibus integradas aos acessos. Junto ao Acesso B, o projeto prevê a construção de uma baia recuada para o embarque e desembarque seguro de passageiros dos coletivos.
- Serviço de Parada Rápida (Kiss and Ride): Serão disponibilizadas 7 vagas rotativas para veículos, divididas entre 3 vagas dispostas em uma baia recuada na avenida Vital Brasil (junto ao Acesso A) e 4 vagas demarcadas com sinalização horizontal e vertical junto ao meio-fio na avenida Caxingui. O edital reforça que não haverá previsão de vagas para estacionamento de longa permanência.
- Modais Cicloviários: O projeto prevê a instalação de um bicicletário público contendo 100 vagas junto ao Acesso A, além da implantação de uma nova ciclofaixa na avenida Caxingui como parte dos estudos de mobilidade local.




