Nesta segunda-feira, o prefeito Ricardo Nunes anunciou que São Paulo implementará o Veículo Leve Elétrico (VLE) na região central, no projeto conhecido até então como “Bonde São Paulo”. Em coletiva de imprensa, o prefeito justificou a escolha pelo sistema sobre pneus em vez do VLT tradicional devido ao relevo do centro, argumentando que o uso de trilhos metálicos em rampas acentuadas poderia comprometer a segurança. Falou também de uma eventual redução no custo.
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O sistema toma como referência o Bonde Digital Urbano (BUD), atualmente em testes na Região Metropolitana de Curitiba. Embora se assemelhe estéticamente a um ônibus articulado, o modal é frequentemente chamado de “trem sem trilhos” em vídeos que viralizam nas redes sociais, unindo a flexibilidade dos pneus à tecnologia de guiagem avançada. Em resposta às críticas do setor ferroviário, vale destacar que o BUD é equipado com truques ferroviários em sua estrutura.
Trilhos magnéticos e tecnologia autônoma
O VLE utiliza “trilhos magnéticos” instalados sob o pavimento, que funcionam como guias virtuais. Essa tecnologia permite que o veículo opere de forma autônoma e com alta precisão, eliminando a necessidade de trilhos de aço. Entretanto, a viabilização dessa operação autônoma ainda depende de regulamentação por parte do governo federal.
Possível economia em relação ao VLT
A principal vantagem competitiva em relação ao VLT convencional é o custo, segundo dados do Governo do Paraná. A instalação do BUD é 70% mais barata, pois dispensa escavações profundas e infraestrutura pesada. O sistema é equipado com rastreamento automático e proteção eletrônica ativa, garantindo segurança a passageiros e pedestres durante o trajeto.
Poucas fabricantes
A tecnologia é dominada por fabricantes chinesas. O modelo BUD é produzido pela CRRC Nanjing Puzhen, enquanto o mercado também conta com o ART (Autonomous-rail Rapid Transit), fabricado pela CRRC Zhuzhou — uma empresa distinta, apesar da origem comum. Esse segundo conta com trilhos ópticos.
Capacidade e desempenho
Os veículos são 100% elétricos e bidirecionais, podendo atingir até 70 km/h. Enquanto modelos maiores podem transportar até 600 passageiros, o veículo que será testado no Paraná possui três eixos, 30 metros de comprimento e capacidade para 280 pessoas, contando com cabine climatizada e acessibilidade integral.
🔎 Nota do editor: É importante ressaltar que essa tecnologia ainda é uma novidade no cenário global. Em contrapartida, o uso do VLT tradicional tem demonstrado grande êxito em projetos de requalificação urbana ao redor do mundo. Mesmo em locais próximos à capital paulista, como o Rio de Janeiro e a Baixada Santista, a aposta no sistema convencional sobre trilhos foi fundamental para revitalizar espaços degradados e modernizar a mobilidade local.



