Foto: Renato Lobo
SPTrans

Opinião: prefeitura precisa melhorar a bilhetagem antes de extinguir cobradores

A notícia que ronda o noticiário dos transportes nos últimos tempos sobre os ônibus de São Paulo, é uma circular emitida pela SPTrans que aponta que os novos veículos poderão ser adquiridos já sem os espaços para cobradores.

Na prática a retirada dos profissionais não deve impactar para a maioria dos passageiros, onde 95% deles já pagam a passagem por meio do bilhete único, conforme dados da própria prefeitura. O impacto não será tão sentido no momento em que o usuário paga a tarifa, seja pelo cartão ou para o próprio motorista, como ocorre atualmente no sistema local.

No entanto, neste último ponto é que existe uma questão importante: ainda que 5% dos usuários tenham que realizar o pagamento para o motorista, significa que nestes casos os ônibus ou ficarão retidos até que o prestador de serviço cobre a passagem, ou nas partidas das paradas, os profissionais deverão dividir a atenção da condução do veículo com a cobrança.

Sobre ficar retido no ponto, pode-se somar o fato em que a cidade conta com diversos gargalos no trânsito. O sistema de ônibus é refém de uma frota enorme de automóveis, que ocupa um grande espaço, e que transporta um número menor de pessoas.

A cidade não conta com uma rede de vias exclusivas integradas em sua totalidade. As faixas de ônibus situadas à direita da via contam com diversos fatores que acabam por atrasar a operação dos coletivos, como a entrada de veículos em estabelecimentos, assim como conversões e veículos parados em local proibido.

Para eliminar a cobrança na passagem, a prefeitura deve aprimorar seu sistema de bilhetagem, de modo em que o usuário possa carregar o bilhete em uma ampla rede de comércio e postos. Ou então que a recarga seja feita de fato pela internet, e não como ocorre hoje que a recarga é online, mas é necessário confirmar o valor do bilhete em um validador.

Se a função de cobrança recair sobre o motorista, a velocidade comercial dos coletivos deverá sofrer impactos, aumentando o tempo de deslocamento dos passageiros.

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

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  • Em muitos locais em que não há cobradores, sendo o motorista que faz a vez desses, é comum acompanhar oa motoristasmotorista fazendo a cobrança com o carro em movimento. O ideal é que ele não faça isso, comparando-se aos mesmos riscos de se falar ao celular ao dirigir.

  • Esse é o ponto. Melhorar as formas de pagamento de passagem para que o motorista não tenha que exercer múltipla função. Possibilitar 100% de acesso às formas eletrônicas tanto para passageiros constantes quanto para esporádicos. Esse é um problema muito forte em Goiânia: os esporádicos, e os constantes desmemoriados que nunca recarregam o cartão fácil.

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