BRT Monotrilho

Análise: Se estado trocar monotrilho por BRT, terá que construir um “super corredor de ônibus”

Resumo

  • Estudo do governo aponta capacidade do monotrilho de 340 mil usuários;
  • Corredor São Mateus – Jabaquara, que também corta o ABC, transporta 290 mil usuários;
  • BRT da Colômbia possuí eixos com carregamentos superiores a 500 mil passageiros por dia;

Aquela que seria uma nova linha que faria parte da rede metroferroviária corre o risco de se tornar um corredor de ônibus. O projeto da Linha 18-Bronze foi concebido inicialmente para operar preferencialmente como monotrilho. Uma parceria público-privada – PPP foi assinada com um consórcio que construiria e operaria o sistema.

O estado, no entanto, não conseguiu fazer sua parte, quando não fez a desapropriação de terrenos onde ficariam as estações. Para engrossar o caldo, o Decreto de Utilidade Pública (DUP) que viabiliza a desapropriação para o início da obras, expirou.

Então, o que começou como rumor e posteriormente passou a ser parte dos discursos de representantes do governo, e a eventual troca do monotrilho por BRT – Bus Rapid Transit se tornou uma possibilidade real.

Monotrilho VS Corredor de ônibus

De acordo com um publicação do jornal “Diário do Grande ABC“, um estudo contratado pelo governo de São Paulo, o EIA-Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental), no ano de 2012 e anexado ao edital de licitação, aponta que na época a linha com o projeto de monotrilho era em 340 mil passageiros ao dia ao dia.

Em termos comparativos, o corredor operado pela Metra, que também corta a região do ABC, transporta atualmente em torno de 290 mil usuários.

A via, no entanto, não conta com pontos de ultrapassagem e não possui pré-embarque nas paradas, fatores que ajudariam a aumentar seu carregamento.

Se usarmos como exemplo, o BRT da cidade de Bogotá, na Colômbia, o conhecido Transmilenio, dois de seus eixos transportam cada um, mais de 500 mil passageiros por dia. Um deles tem cerca de 10 km de extensão.

Mas, mesmo na capital Bogotá, já foi anunciado que seu sistema de metrô começará a ser construído em março do próximo ano, segundo o prefeito Enrique Peñalosa. O sistema de corredor, que é referência no mundo, está saturado. Deve ser construído uma linha metroviária em cima do corredor. As vias para carros serão suprimidas, e darão lugar a calçadas e ciclovias.

Voltando ao ABC. Metrô mesmo, existe um projeto chamado de linha 20-Rosa que ligaria a Lapa até São Bernardo do Campo. O trajeto, no entanto, é diferente do eixo que será coberto pela linha 18, ou pelo BRT.

Além disso, segundo os últimos planos do Metrô, o trecho prioritário é entre Lapa e Moema. O projeto é embrionário, e são necessário estudos mais profundos. Um documento aponta que já em 2020, o Governo do Estado poderá realocar recursos para as análises na Linha 20. Segundo as projeções contidas na apresentação, o ramal rosa deverá ser aberto ao público em meados de 2028.

Importante lembrar que uma linha metroviária pode transportar mais que o dobro que a capacidade dos monotrilhos e corredores de ônibus.

Enquanto isso discuti-se um transporte de média capacidade para atender cidades do ABC…

 

 

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

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  • Se o governo trocar o transporte sobre trilhos por um sistema de ônibus para atender o ABC não haverá mais nenhuma dúvida sobre quem realmente manda no transporte em SP: as montadoras de ônibus.

  • A verdade é a seguinte: Antes mesmo do “gestor” ser eleito, essa merda de BRT já estava acertada por ele junto com seus “cumpadres”, pode incluir montadoras de ônibus nessa.

    O que resta agora, é a população junto com a classe política que realmente se importa com elas, impedir de todas formas possíveis que o BRT saia do papel.

  • Ser inteligente é usar com maestria os recursos, sendo assim o facilitador para as pessoas se locomoverem de forma segura e eficaz assim como fazem os europeus, sem sombra de dúvida é o transporte sobre trilhos. Econômico, respeita o meio ambiente, fácil manutenção e eficiente.

  • Cara, fatia a primeira fase em duas ou três. De Tamanduateí até Rudge Ramos ou Fundação. Começa a operar e vai captando recurso pra levar a obra até Alvarengas. Os caras parece que falam amém pra qualquer lobby…

    • Penso exatamente como você, li outra entrevista do tal do Baldy, e o babaca fala que dinheiro pra tocar a obra toda,a coisa mais lógica a se fazer é dividir o projeto em diversas etapas, mas claro que isso não interessa ao “gestor”.

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