Motiva

Especialistas defendem VLT integrado a ônibus

O papel dos Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) na integração dos sistemas de transporte, na recuperação de áreas urbanas e no desenvolvimento das cidades foi tema de debate nesta quarta-feira (2/9), no segundo dia da 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, promovida pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP).

O painel “VLT no Brasil: Impactos e Perspectivas com a Experiência e Expansão” reuniu representantes de projetos em diferentes estágios pelo país. Com moderação do presidente da AEAMESP, Ayrton Camargo e Silva, participaram do encontro Felipe R. Freitas, que tratou da realidade da Baixada Santista; Vitor N. Cruz, do VLT Carioca; e Gilson J. Vieira, representante do projeto Ver de Trem, da Bahia.

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Apesar de falarem a partir de contextos regionais distintos, os palestrantes convergiram em um ponto: o VLT precisa ser planejado como parte de uma rede integrada de mobilidade, e não como um sistema isolado. Segundo os participantes, o modal vai além do transporte de passageiros — pode impulsionar a recuperação de espaços urbanos, aproximar regiões e gerar impactos econômicos e sociais.

Felipe Freitas chamou atenção para o potencial de cidades brasileiras já cortadas por linhas ferroviárias. Para ele, recuperar essas estruturas pode viabilizar sistemas regionais de VLT, desde que os projetos estejam conectados a outros modais e tenham escala suficiente para atrair investimentos.

“Um VLT que não esteja integrado com os ônibus não fará sentido. O passageiro não quer saber se o sistema pertence ao município, ao Estado ou à União. Ele quer embarcar e chegar ao seu destino com segurança, qualidade e conforto”, afirmou.

Freitas apontou ainda que um dos principais desafios do setor é reconstruir a articulação entre as diferentes esferas de governo. Como a Constituição de 1988 dividiu as responsabilidades sobre transporte entre União, estados e municípios, o diálogo institucional se tornou peça-chave para viabilizar projetos integrados. “Precisamos conversar e construir uma perspectiva de futuro. É necessário entender a realidade dos municípios, estudar novos projetos e desenvolver soluções que também façam sentido para a iniciativa privada”, disse.

Já Vitor Cruz destacou que os benefícios do transporte sobre trilhos vão além da operação do sistema em si. Para ele, o VLT deve ser encarado como ferramenta de desenvolvimento urbano e social, não como um fim em si mesmo. “A ferrovia tem a capacidade de criar identificação com a população e deixar um legado permanente. O transporte interfere nos aspectos econômicos, sociais e em praticamente todas as dimensões da vida das pessoas”, afirmou.

CTB

A experiência baiana foi apresentada por Gilson Vieira, do projeto Ver de Trem, que destacou a mobilização social em torno da iniciativa. Ele explicou que o projeto reaproveitou veículos, trilhos, postes e subestações originalmente comprados para o VLT de Cuiabá — sistema que nunca chegou a operar —, o que ajudou a reduzir custos e acelerar a implantação na Bahia.

Segundo Gilson, a proposta prevê conectar o VLT ao metrô de Salvador e ampliar o atendimento a outras regiões da capital baiana, incluindo articulações para levar o sistema até a região do Comércio, além de estudos para a implantação de trens regionais no estado.

Para o presidente da AEAMESP, ampliar o transporte sobre trilhos no país também depende da mobilização da sociedade na definição de prioridades orçamentárias dos governos. “O nosso sonho é ver a população mobilizada para que os orçamentos públicos sejam destinados não apenas à construção de soluções viárias, mas também à implantação de sistemas de excelência, como os metrôs, os trens e, particularmente, os VLTs”, declarou.

Camargo e Silva também colocou a AEAMESP à disposição para aproximar os projetos de trens regionais discutidos na Bahia da experiência do Trem Intercidades, que ligará São Paulo a Campinas, defendendo que a troca de informações entre regiões pode acelerar estudos e disseminar boas práticas. “A AEAMESP se considera uma trincheira na defesa do VLT. Tudo o que pudermos fazer para divulgar a boa técnica, as boas experiências e uma tecnologia com potencial para transformar as nossas cidades, nós faremos”, concluiu.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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