Motiva

Metrô em Cotia terá túnel como travessia da Raposo

O projeto básico da Linha 22-Marrom da Companhia do Metropolitano de São Paulo traz as especificações técnicas, urbanísticas e de demanda para a futura Estação São George (MSOP). Projetada para ser implantada no município de Cotia, na margem do km 24 da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), a estação tem uma previsão de fluxo de 6.494 passageiros por dia, conforme a simulação do cenário 40910 do Plano de Investimentos de setembro de 2022.

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Para atender à topografia local e abranger diferentes porções do entorno, a estação contará com três acessos distintos:

  • Acesso A (Corpo Principal): Localizado ao norte da rodovia Raposo Tavares, ficará em um terreno de 10.213,55 m² delimitado pela avenida marginal, ruas Mazel, Belo Horizonte e a viela B. A implantação exigirá a desapropriação de uma quadra inteira, preservando apenas a base da Polícia Militar na esquina da rua Mazel.
  • Acesso B (Lado Sul): Situado entre as ruas dos Manacás e das Acácias, ocupará uma área de 1.590,48 m². Devido ao grande desnível entre as duas ruas, o acesso terá duas entradas em patamares diferentes: o acesso B1 (na rua das Acácias, cota 809,96 m) e o acesso B2 (na rua dos Manacás, nível 816,35 m). O deslocamento vertical interno será feito por escada fixa e 4 elevadores com capacidade para 14 pessoas cada, funcionando em área não paga como interligação pública entre as ruas.
  • Acesso C (Lado Norte): Com 1.038,19 m², será voltado para o atendimento direto da avenida Denne e do bairro Parque São George.
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Profundidade de 50 metros e circulação por super-elevadores

A Estação São George chama a atenção pelas suas dimensões verticais. O desnível entre o Acesso A (cota 824,26 m) e o topo do boleto (TB), onde passam os trens (cota 774,00 m), é de 50,26 metros.

Para vencer o desnível de 44,96 metros entre o Acesso A e o mezanino de bloqueios (situado na cota 779,30 m), o projeto básico definiu o uso de 5 elevadores de alta capacidade, com espaço para 33 pessoas cada, além de escadas fixas. Esses elevadores circularão em área pública (não paga) e farão paradas intermediárias para coletar os usuários vindos do Acesso C (na cota 809,38 m) e do Acesso B (no nível 794,34 m).

Métodos construtivos e travessia da rodovia

A engenharia da estação prevê a construção inicial de uma vala rasa, a partir da qual será escavado um poço central com 40 metros de profundidade na extremidade leste das plataformas. A partir deste poço, a escavação das plataformas prosseguirá pelo método NATM (túnel minerador).

A engenharia interna posicionou o hall de bloqueios no nível do mezanino de distribuição. Essa escolha permite que o túnel de conexão entre o corpo principal (norte) e o Acesso B (sul) fique totalmente em área não paga. Dessa forma, a estrutura funcionará como uma passagem pública e segura para pedestres atravessarem a Rodovia Raposo Tavares.

O estudo de impacto de tráfego realizado indicou impactos moderados e restritos às vias locais próximas, garantindo a operação estável e sem mudanças geométricas na pista principal da SP-270.

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A infraestrutura de integração contará com:

  • Pontos de ônibus propostos na via marginal da rodovia, junto a ambos os acessos.
  • Implantação de 4 vagas de kiss and ride (parada rápida para embarque e desembarque).
  • Um bicicletário com 100 vagas. Não haverá estacionamento de longa permanência para automóveis.
  • Como não há ciclovias atuais no entorno, o estudo de microacessibilidade sugere a criação de duas rotas cicloviárias: na rua Mazel e na avenida Denne.

Zoneamento e Subestação de Energia

A Estação São George também abrigará a ligação com a subestação Mesopotâmia, uma das três planejadas para suprir a linha. Ela ocupará 7 lotes em uma área de 4.359,7 m² na quadra entre a rua Belo Horizonte e a avenida Marginal.

Em termos urbanísticos, os acessos A e C estão na Macrozona de Urbanização Consolidada (MUC), dentro de uma Zona de Alta Densidade (ZAD) com sobreposição de Zona de Uso Misto (ZUM) devido a um Corredor Comercial (CC). Já o Acesso B, sob o mesmo macrozoneamento, enquadra-se como Zona de Indústria, Comércio e Serviços (ZICS). Devido à sobreposição da ZUM em ambos os lados, o potencial construtivo é elevado, permitindo um Coeficiente de Aproveitamento (CA) de até 6 vezes a área do terreno.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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