Motiva

Estação de metrô vai ficar entre SP e Osasco

O edital do projeto básico da Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo traz as especificações técnicas, urbanísticas e arquitetônicas da futura Estação Cohab Raposo (VCIV). A parada atenderá simultaneamente a dois municípios, já que a estação será construída exatamente na divisa entre as cidades de Osasco e São Paulo. A Linha 22, em seu trajeto completo, vai ligar o município de Cotia até São Paulo.

Metrô de São Paulo

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Distribuição dos acessos e inserção urbana

Para atender o fluxo das duas cidades e superar o acentuado desnível topográfico da região, a estação contará com três acessos:

  • Acessos A e B: Ficarão no corpo principal da estação, localizado na parte alta de uma colina dentro do território de Osasco. O terreno principal abrange uma área de 10.063,62 m² distribuída por duas quadras majoritariamente residenciais, delimitadas pelas ruas Sacerdote Izaque, José Vicente Cabral Neto e Profeta Elias. O setor possui viabilidade de desapropriação, sem prédios de grande altura ou patrimônios tombados.
  • Acesso C (Secundário): Será implantado na baixada, dentro do município de São Paulo, integrado à COHAB Raposo Tavares — um importante conjunto habitacional popular. Essa estrutura ocupará uma área de 1.187,59 m² onde atualmente funciona o estacionamento da Escola Estadual Odair Martiniano da Silva Mandela, sem a necessidade de desapropriações residenciais. Ao contrário dos acessos A e B, o Acesso C não abrigará nenhum programa ou instalação adicional além da própria estrutura de entrada e saída.

A conexão entre a baixada (São Paulo) e a parte alta (Osasco) funcionará como um dispositivo de mobilidade urbana em área não paga (gratuita). Por conta dessa configuração, a linha de bloqueios (catracas) foi posicionada no nível de distribuição, permitindo a livre circulação de pedestres pelo túnel que liga o Acesso C ao poço da estação. Como parte das intervenções urbanas, a Rua Sacerdote Izaque será totalmente requalificada e convertida em uma via exclusiva para pedestres, integrando as áreas construídas aos espaços abertos.

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Restrições ambientais e preservação

A engenharia projetou o túnel de ligação entre o Acesso C e o poço central utilizando o método executivo NATM (New Austrian Tunnelling Method), garantindo que a escavação subterrânea não interfira na mata preservada da superfície. A área verde adjacente é classificada como Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM) pelo Plano Diretor do Município de São Paulo, sendo o local reservado para a futura implantação do Parque Juliana de Carvalho Torres.

Demanda e infraestrutura de transporte

Conforme as projeções de tráfego, baseadas no Plano de Investimentos de setembro de 2022 da Companhia do Metropolitano de São Paulo, a Estação Cohab Raposo terá uma movimentação estimada em 27.294 passageiros diários.

A infraestrutura de suporte no entorno contará com:

  • 8 vagas de kiss and ride (embarque e desembarque rápido);
  • Bicicletário com capacidade para 100 vagas;
  • Manutenção dos pontos de ônibus já existentes, que receberão novos abrigos e ajustes nas calçadas;
  • Implantação de uma nova baia de ônibus com 40 metros de extensão na Rua José Vicente Cabral Neto.

Devido às limitações e à geometria viária da região, o projeto não prevê a criação de estacionamento para carros nem propostas de malhas cicloviárias no entorno imediato. Para otimizar o fluxo de veículos, a Rua José Vicente Cabral Neto passará a operar em sentido único de direção (leste-oeste), funcionando como uma via marginal de apoio para a Avenida Victor Civita.

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Método construtivo e poço central

O corpo da estação combiná dois métodos de engenharia civil. A estrutura principal será aberta por meio de uma vala a céu aberto com profundidade variável de cerca de 20 metros. A partir dessa escavação, embocará um poço central circular com 40 metros de diâmetro, posicionado na extremidade oeste das plataformas. O topo do boleto do trilho (TB) ficará assentado na cota 777,50 metros, e as plataformas laterais de embarque serão escavadas e construídas pelo método subterrâneo NATM.

Em razão da profundidade da linha e do volume de demanda projetado, a circulação vertical dos passageiros será operada inicialmente por um sistema composto por escadas fixas e 8 elevadores de alta capacidade, com espaço para até 33 pessoas por cabine.

Os elevadores funcionarão na área pública (antes das catracas), interligando o Nível Intermediário 5 (cota 812,28 metros) ao hall de bloqueios localizado no mezanino de distribuição (cota 782,80 metros), vencendo uma distância vertical de 29,48 metros. O projeto arquitetônico deixa prevista a possibilidade de instalação futura de escadas rolantes complementares, caso o fluxo de usuários exija a ampliação do sistema de transporte vertical.

Zoneamento e potencial construtivo

Em relação às diretrizes urbanísticas de Osasco, cidade que apresenta sobreposições legais de zonas e macrozonas em sua legislação, o projeto da linha estabelece que o empreendimento resultante poderá usufruir de um Coeficiente de Aproveitamento (CA) máximo de 5,6 vezes a área de cada terreno desapropriado.

Sobre a Linha 22

A futura linha metroviária será integralmente subterrânea, cobrindo uma extensão total de aproximadamente 31,32 quilômetros. O plano preliminar estabelece a construção de 19 estações ao longo de todo o percurso. No momento, o projeto encontra-se na fase de licitação para a contratação de seu projeto básico. De acordo com as diretrizes do edital, a frota de serviço será de 48 trens, com o salão interno de passageiros projetado em modelo asiático. Para a execução das escavações, está prevista a utilização simultânea de 3 grandes tuneladoras (tatuzões), abrindo a alternativa de que o cronograma de obras seja fatiado e inaugurado por etapas.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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