O projeto de implantação da Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo prevê uma complexa engenharia e integração urbanística para a sua segunda parada. Conforme dados técnicos detalhados no edital do projeto básico, a futura estação Cardeal Arcoverde será construída de forma totalmente integrada com a estação de mesmo nome da Linha 20-Rosa (atualmente em fase de projeto). Anteriormente, a parada tinha o nome de Teodoro Sampaio. O documento não cita a integração com a Linha 16-Violeta. A ideia de levar o ramal que vem da Cidade Tiradentes é da Secretaria de Parcerias e Investimentos.
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A decisão de criar uma solução unificada para o conjunto das duas estações foi motivada pela escassez de terrenos disponíveis para desapropriação na região e pela proximidade dos traçados. Segundo o edital, o modelo integrado minimiza os riscos de falta de áreas no futuro, otimiza o espaço, reduz o volume de escavações e mitiga os riscos de engenharia durante a execução das obras.
Cronograma de obras e operação transitória
Apesar da concepção conjunta das estruturas, a implantação ocorrerá em duas etapas distintas. A estação da Linha 20-Rosa será construída e entrará em funcionamento primeiro. O edital prevê um período de transição após a inauguração da Linha 20, no qual a estação Cardeal Arcoverde operará inicialmente com apenas um acesso a leste da rua Cardeal Arcoverde. Para mitigar os impactos e assegurar a mobilidade dos usuários nesse intervalo, serão executadas intervenções de microacessibilidade para melhorar as condições de travessia na região até que o segundo acesso seja aberto.
Na primeira fase (obras da Linha 20-Rosa), o poço principal receberá escavação total e as estruturas definitivas serão concretadas, deixando as esperas de engenharia prontas para o engate da Linha 22-Marrom. A montagem dos equipamentos e os acabamentos da porção correspondente à Linha Marrom ficarão para o momento de execução de sua respectiva obra.
Arranjo dos acessos e desapropriações
O complexo metroviário será estruturado em duas grandes frentes de acesso:
- Acesso A (Corpo Principal): Ficará no quarteirão da rua Cardeal Arcoverde, compreendido entre as esquinas das ruas Mateus Grou e Doutor Virgílio de Carvalho Pinto. Acomodará os programas operacionais e técnicos da Linha 20-Rosa na cota de superfície de 749,35 metros, nível projetado para garantir a segurança contra a cota de inundação identificada na região (747,40 metros).
- Acesso B (Segundo Acesso): Será implantado na esquina norte da rua Cardeal Arcoverde com a rua Belmiro Braga, garantindo o atendimento às áreas situadas a oeste e norte da via.
Toda a desapropriação da área será executada de forma completa logo na primeira etapa, durante as obras da Linha 20-Rosa, para viabilizar o canteiro mínimo de obras e garantir a integração. Ao todo, a liberação de áreas envolverá:
- No Acesso A: 28 lotes (sendo um deles com desapropriação parcial), somando 4.565,13 m² compostos por galpões e lojas em pequenas edificações.
- No Acesso B: 7 lotes desapropriados, abrangendo uma área de 1.798,00 m².
Movimentação de passageiros e circulação interna
A simulação de demanda realizada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (com base no cenário 40910 do Plano de Investimentos de setembro de 2022) estima um fluxo diário de 77.982 passageiros na estação Cardeal Arcoverde. Desse total, a grande maioria — 69.690 usuários por dia — será proveniente da integração entre as linhas 20-Rosa e 22-Marrom.
Internamente, a distribuição de passageiros funcionará da seguinte forma:
Fluxo na Linha 20-Rosa: O hall de bloqueios ficará no nível do acesso e os subsolos serão acessados em área paga. O deslocamento vertical será misto, composto por escadas fixas, escadas rolantes e um par de elevadores com capacidade para 14 pessoas cada. Inicialmente, estes elevadores farão o trajeto entre o nível de acesso e o mezanino de distribuição da Linha 20. Com a chegada da Linha 22-Marrom, eles serão expandidos para atender também o mezanino da Linha 22 e a plataforma no sentido Sumaré.
Fluxo na Linha 22-Marrom (Acesso B): O hall de bloqueios também se posicionará no térreo com circulação vertical em área paga. Neste setor, o deslocamento será feito de forma direta por um conjunto de 6 elevadores (capacidade para 14 pessoas cada) e escadas de emergência, dispensando o uso de escadas rolantes. Eles realizarão paradas diretas nos mezaninos de distribuição das plataformas das linhas 20-Rosa e 22-Marrom.
Especificações de engenharia e profundidade
As plataformas de ambas as linhas serão escavadas utilizando o método NATM (método austríaco de abertura de túneis). O poço compartilhado do Acesso A será composto por duas seções secantes laterais de 25 metros cada, partindo de uma vala rasa de 11,28 metros de profundidade.
O desnível vertical entre a superfície e o mezanino de distribuição e conexão das linhas é de 30,08 metros. Do mezanino até as plataformas da Linha 22-Marrom são mais 26,88 metros. Dessa forma, a escavação total da estação atingirá uma profundidade de 57,94 metros até o topo do boleto (TB) dos trilhos da Linha 22. Para o Acesso B, será aberto um novo poço isolado com 20 metros de diâmetro, por onde serão escavados em NATM o túnel de ligação com o mezanino de conexão, o túnel de ligação profundo (696,71 m) e o túnel de plataformas da Linha 22.
Urbanismo, acessibilidade e parâmetros legais
A área de implantação está inserida em uma Zona de Centralidade (ZC), cujo zoneamento atual incentiva modificações urbanas e empreendimentos de uso misto, associando comércio, serviços e habitação. O edital informa que não foi prevista a alteração de zoneamento para ZEU (Zona de Eixo de Estruturação da Transformação Urbana) em Plano Diretor futuro, uma vez que o entorno já se divide entre setores ZEU e quadras mantidas como ZM (Zona Mista) pela lei vigente. O projeto utilizará benefícios legais como a implantação de fachadas ativas e a futura destinação de parte da área construída para Habitação de Interesse Social (HIS). Os Coeficientes de Aproveitamento (CA) Máximos permitidos são de 2,82 para o Acesso A e de 2,75 para o Acesso B.
Em termos de inserção urbana e microacessibilidade, o projeto prevê a requalificação das calçadas do entorno e o alargamento específico do lado ímpar da rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, visando facilitar o fluxo de pedestres em direção à rua Teodoro Sampaio, principal polo comercial da região. Também haverá readequação nos pontos de ônibus locais.
Para o transporte individual e cicloviário, a estação contará com um bicicletário de 100 vagas e uma nova ciclofaixa na rua Mateus Grou. Não haverá estacionamento de longa permanência para automóveis, sendo implantadas apenas 14 vagas de kiss and ride (parada rápida de veículos) distribuídas da seguinte forma: 6 vagas demarcadas com sinalização na rua Mateus Grou, 4 vagas estruturadas em recuo de calçada na rua Belmiro Braga e 4 vagas sinalizadas na rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto.




