As obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) entraram em sua fase mais estratégica de implantação, segundo informações divulgadas oficialmente em comunicado da Infra S.A.. O andamento e os indicadores do projeto foram detalhados em uma reunião de alinhamento realizada nesta quarta-feira (7), na sede da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília, reunindo representantes da Infra S.A., do Ministério dos Transportes, da ANTT e da Vale — empresa responsável pela execução dos trabalhos sob a fiscalização da Infra S.A., por meio do modelo de investimento cruzado.
De acordo com o balanço apresentado, o empreendimento registra atualmente 292 quilômetros de frentes de trabalho simultâneas. O volume de serviços atinge a marca de 71 milhões de metros cúbicos de terraplanagem executados, 32 pontes concluídas ou em fase de construção, além de uma força de trabalho estimada em cerca de 5 mil profissionais mobilizados.
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A reunião marcou o início oficial do período seco na região, uma janela climática apontada pelas instituições como decisiva para o ritmo das obras. A meta estabelecida pelo cronograma é concluir toda a plataforma ferroviária até o quilômetro 290 até o mês de outubro, preparando o terreno para a aceleração da chamada superestrutura.
O diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, avaliou que o projeto superou barreiras técnicas, regulatórias e fundiárias, consolidando-se como uma referência de governança e cooperação técnica. Segundo o diretor, a implantação definitiva da superestrutura — fase em que a ferrovia passa a receber os trilhos de forma acelerada — representa uma virada operacional no cronograma.
Os dados técnicos da superestrutura foram expostos no encontro pelo diretor de Implantação de Projetos de Novas Ferrovias da Vale, Cristiano Cortez. O canteiro de obras já conta com o recebimento de 200 quilômetros de trilhos, 118 quilômetros equivalentes em dormentes preparados e o armazenamento de 34 mil toneladas de lastro ferroviário. As equipes utilizam uma tecnologia inédita de lançamento mecanizado de trilhos, com capacidade de executar até 1,3 quilômetro de via por dia. Paralelamente, o projeto registra alto índice de conformidade em inspeções técnicas e já soma 365 quilômetros liberados no campo fundiário.
O diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, pontuou que a evolução física da FICO confirma a maturidade institucional das entidades envolvidas e reforça a expectativa de entrega do empreendimento dentro do prazo planejado, garantindo segurança jurídica e previsibilidade regulatória.
Integração logística e diálogo com comunidades tradicionais
Com previsão de entrega final estabelecida para 2028, a FICO é classificada como uma peça estratégica para interligar a produção agrícola e mineral do Centro-Oeste ao sistema ferroviário nacional, conectando-se diretamente com a Ferrovia Norte-Sul para ampliar o escoamento.
Para viabilizar o avanço nos cerca de 80 quilômetros finais da linha, a Infra S.A. informou que conduz tratativas contínuas e em diálogo direto com lideranças do povo Xavante, no Mato Grosso. O processo é feito em articulação com o Ministério dos Transportes e o Ministério dos Povos Indígenas. Desde setembro do ano passado, foram realizadas três rodadas formais de debates em Brasília-DF com as comunidades impactadas pelo traçado: a primeira com a Terra Indígena Pimentel Barbosa; a segunda, nos dias 24 e 25 de junho, com a Terra Indígena Marechal Rondon; e a terceira, em 8 de julho, com a Terra Indígena Parabubure.
Essas reuniões visam a formatação do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI). A expectativa descrita no comunicado é avançar nas negociações ainda este ano para garantir a liberação dos pacotes remanescentes e permitir o início das obras nessa última frente em 2027. O superintendente de Empreendimentos da Infra S.A., Tharlles Fernandes, concluiu ressaltando que o foco atual está em assegurar a eficiência operacional para que a ferrovia cumpra seu papel de competitividade regional e geração de empregos.





