Projeto Ferroanel Norte e Sul: Entenda o futuro da carga em SP

Renato Lobo

O projeto do Ferroanel Metropolitano de São Paulo é uma das obras de infraestrutura mais aguardadas e debatidas no Brasil, com um histórico que remete à década de 1970. Seu objetivo principal é segregar o transporte de carga do transporte de passageiros na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), eliminando o gargalo logístico que obriga trens de carga a compartilharem os trilhos com a CPTM em horários restritos e baixas velocidades.

Recentemente, o Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes, decidiu que as obras do Ferroanel Norte (com cerca de 53 km de extensão) serão incluídas no edital de relicitação da Malha Oeste, previsto para ocorrer no primeiro semestre de 2026. Segundo informações publicadas pela Agência iNFRA e portais como o Capital News, essa medida visa tornar o leilão da ferrovia — que liga o Mato Grosso do Sul ao interior paulista — mais atraente para investidores privados, garantindo uma conexão eficiente até o Porto de Santos.

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O traçado do trecho Norte é projetado para ligar as regiões de Perus, na zona norte da capital, a Itaquaquecetuba, no Alto Tietê. De acordo com estudos da empresa SETEC Hidrobrasileira, o projeto prevê o compartilhamento da faixa de domínio com o Rodoanel Norte para reduzir custos e impactos ambientais. A engenharia é complexa: estão previstos 13 túneis (totalizando 16,6 km) e cerca de 40 viadutos para vencer a topografia da Serra da Cantareira.

Já o Ferroanel Sul, que ligaria Rio Grande da Serra a Evangelista de Souza, tem seu futuro atrelado à renovação antecipada da concessão da MRS Logística. Conforme dados do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal, o termo aditivo assinado em 2022 prevê que parte dos investimentos da concessionária seja destinada a obras de interesse público e segregação de linhas. O trecho Sul é considerado vital para conectar as ferrovias que vêm do interior e de Minas Gerais diretamente ao Porto de Santos, sem passar pelo centro de São Paulo.

O impacto socioeconômico do projeto é massivo. Estudos ambientais (EIA/RIMA) do Ferroanel Norte estimam que a obra possa retirar cerca de 7.300 caminhões por dia das rodovias paulistas e permitir que a CPTM reduza o intervalo entre trens de passageiros de 9 para até 3 minutos em algumas linhas. Além disso, a capacidade de transporte ferroviário de cargas na região poderia saltar de 9 milhões para cerca de 67 milhões de toneladas por ano.

Via Trolebus