A consultoria técnica contratada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para realizar os estudos estratégicos sobre a Malha Sul Ampliada foi autorizada em setembro a iniciar os trabalhos sobre o futuro do sistema ferroviário da Região Sul. A informação é do Governo do Rio Grande do Sul. Segundo reportagem do Canal Rural, a iniciativa busca contrabalançar o projeto do governo federal que prevê a divisão da concessão do trecho ferroviário.
O grupo é formado por três empresas especializadas. O contrato estabelece prazo de até dez meses para a conclusão das análises, mas o consórcio pretende apresentar ainda este ano um primeiro diagnóstico sobre a infraestrutura do modal e possíveis cenários sobre as demandas dos setores produtivos. O Canal Rural informa que a expectativa é que os primeiros resultados sejam apresentados em dezembro.
🚎 Fique por dentro das notícias mais recentes sobre mobilidade:
✅ Canal do Via Trolebus no WhatsApp
✅ Canal do Via Trolebus no Telegram
Desenvolvida em parceria com o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), a iniciativa subsidia a atuação técnica e institucional dos estados integrantes (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) na construção de propostas para o fortalecimento do sistema ferroviário da região.
O início dos estudos foi apresentado em ato no Palácio Piratini, com a participação do governador Eduardo Leite. “Esses estudos vão reunir informações e análises sobre a infraestrutura, a operação e as perspectivas da Malha Sul, considerando as características e necessidades dos quatro estados envolvidos, para uma avaliação de diferentes cenários e alternativas para o sistema ferroviário, com base em dados e critérios técnicos”, afirmou Leite.
O secretário de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, disse que “poderemos construir soluções baseadas em evidências técnicas, que considerem peculiaridades de cada Estado relacionada a importantes indicadores como eficiência logística e competitividade dos nossos setores produtivos”.
Para o diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto, subsidiar a análise de modelos para uma nova concessão da malha é determinante para o desenvolvimento de toda a Região Sul. “O novo modelo precisa contemplar uma integração com os nossos portos e o restante do país, algo alinhado com nossas potencialidades”, acentuou.
O que o estudo vai analisar
Os estudos abrangerão análises estratégicas, técnicas, operacionais, institucionais, econômico-financeiras e regulatórias relacionadas à malha ferroviária dos quatro estados. A proposta é desenvolver diagnósticos e apontar alternativas que contribuam para a modernização, a integração e o aumento da competitividade.
De acordo com o contrato, a consultoria será responsável por elaborar um diagnóstico integrado da Malha Sul Ampliada, incluindo a avaliação das condições da infraestrutura ferroviária, dos modelos operacionais e regulatórios vigentes e da integração entre ferrovias e os principais complexos portuários da região. Também serão analisados gargalos físicos, institucionais e regulatórios que impactam o desempenho do sistema.
Entre os produtos previstos estão relatórios sobre demanda e tipologias de carga, benchmarking internacional, avaliação do cenário ferroviário apresentado pela União e a formulação de propostas para o redesenho da Malha Sul Ampliada. Os estudos deverão considerar diferentes modelos institucionais e operacionais, incluindo alternativas que promovam maior eficiência e ampliem as possibilidades de uso da infraestrutura.
Escoamento do agronegócio e concessão atual
Segundo reportagem do Canal Rural, a proposta do estudo é garantir um escoamento mais eficiente e econômico dos produtos do agronegócio, com foco na integração da malha ferroviária. De acordo com o Canal Rural, entre os pontos abordados estão o traçado de cerca de 4.000 km da malha ferroviária sul e a divisão da nova concessão em três corredores, com 880 km ligando a região noroeste ao porto de Rio Grande.
O Canal Rural também informa que autoridades e entidades do estado, como a AFARSul, defendem que um transporte ferroviário operante reduziria significativamente os custos de produção e de frete, facilitando o escoamento da produção agrícola. O principal produto do estado é a soja, que tem como destino principal a exportação pelo porto de Rio Grande.
Ainda segundo o Canal Rural, a atual concessão, administrada pela Rumo, vence em fevereiro, mas pode ser prorrogada por até dois anos. Desde a privatização, em 1997, a malha ferroviária no Rio Grande do Sul opera com apenas 75% de sua capacidade, de acordo com a reportagem. A proposta do governo gaúcho, conforme o Canal Rural, é que a nova concessão integre cadeias de exportação e importação, considerando a evolução do setor agropecuário nos próximos 30 anos.



