A fabricante francesa Alstom entrou com uma nova ação judicial contra a licitação do governo da Bahia destinada à compra de dez novos trens para o Metrô de Salvador, segundo apuração do jornal Valor Econômico. A disputa comercial envolve a revogação do primeiro certame e a publicação de um segundo edital que flexibilizou prazos e exigências técnicas em favor da concorrente chinesa CRRC.
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Na primeira licitação, aberta no final de 2025, a CRRC Changchun apresentou a proposta mais econômica, no valor de R$ 490 milhões, superando a oferta de R$ 614 milhões da Alstom (o teto previsto era de R$ 637 milhões). No entanto, o consórcio chinês não conseguiu apresentar o certificado de credenciamento Finame do BNDES no prazo de 20 dias previsto no regulamento, critério que exige comprovação de índice de conteúdo local.
Após uma série de recursos administrativos e contestações jurídicas:
Desclassificação e liminar: A CRRC chegou a ser desclassificada em junho de 2026, tentou reverter a decisão na esfera administrativa, mas a Alstom obteve uma liminar na Justiça baiana em julho travando a assinatura do contrato.
Revogação e novo edital: Diante do impasse, a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) revogou o certame e lançou uma nova concorrência em 18 de agosto de 2026.
Mudança nas regras: No novo texto, o credenciamento junto ao BNDES deixou de ser exigido na fase de habilitação, passando a ser cobrado apenas até quatro meses após a assinatura do contrato.
Para a Alstom, a reformulação das regras configura um direcionamento do processo competitivo para viabilizar a vitória do grupo chinês. A empresa pede agora uma liminar para suspender a nova disputa, cuja entrega de propostas está agendada para o dia 16 de setembro de 2026. Em nota, a fabricante afirmou que preza pelo cumprimento rigoroso das regras originais de forma isonômica.
Procuradas pelo Valor Econômico, a CTB, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano da Bahia e a CRRC não se manifestaram sobre o litígio até a publicação da reportagem.









