Monotrilho

Opinião: O “brinquedo” que carrega gente grande

A construção de um sistema de Monotrilho é sim mais rápida que o de metrô convencional, ainda mais se for subterrâneo, mas sabemos que isso pouco importa para nossos políticos. Se não fosse o descaso e a corrupção, esse pequeno review teria sido escrito há anos.

Hoje, 06 de janeiro de 2020, o monotrilho entra em operação em seu trecho digamos assim “prioritário“, já estamos carecas de saber dos problemas e das incompetências dos governantes para levar o monotrilho até Cidade Tiradentes, porém, o trecho até São Mateus será definitivo para por o modal a prova.

Será o monotrilho capaz de aguentar o peso de uma parte populosa da zona leste de São Paulo? Só o tempo dirá.
A operação integral do trecho teve sua repercussão “manchada”, já que nos últimos dias de 2019 o sistema passou por diversos problemas, desde roubo de cabos até parafusos que se desgastaram prematuramente.

Mas como se comportou nesse primeiro dia? Bem até, poderia ter sido melhor. Os intervalos estavam entre 3 e 4 minutos para ambos os sentidos, medidos na estação Jardim Planalto.

Movimento baixíssimo sentido São Mateus, sabemos que a linha será extremamente pendular infelizmente. Problemas pequenos aqui e ali, que mostram um pouco de descaso, uma escada rolante parada numa estação, uma porta de plataforma que não funciona na outra, uma composição em que os anúncios precisam ser feitos manualmente.

De São Mateus a composição parte com poucos passageiros, creio que devido a baixa divulgação da operação em horário integral. Poucos embarques até a Estação Sapopemba, ponto mais alto da linha, vale a visita pelo visual de uma grande parte da Zona leste e norte, num dia ensolarado é possível ver claramente a Serra da Cantareira ao norte e a cidade de Santo André ao sul.

Em Jardim Planalto é onde ocorre o maior número de embarque, já não há lugares para ir sentado e os passageiros se espalham pela composição, usufruindo da vantagem dos vagões terem passagens livres entre eles.

Vila União com seu movimento habitual, já que é a estação mais próxima de grandes bairros da região.
De Vila Tolstoi até São Lucas o monotrilho segue em velocidade reduzida, vestígios dos problemas dos últimos dias? Talvez. A composição retoma sua velocidade padrão e segue até Vila Prudente sem maiores problemas.
Tempo de percurso? 24 minutos.

Um tempo extremamente satisfatório, quem conhece a região sabe que há alguns anos, usando transporte público, esse tempo não seria menor que uma hora, com a criação de linhas de ônibus como a 5110-10 e suas variantes e faixas exclusivas, esse tempo poderia chegar a 50 minutos, mas menos de meia hora? Só usando o noturno* mesmo.
Andando pela composição antes do desembarque em Vila Prudente e fazendo uma conta por cima, cerca de 390 pessoas desembarcaram, um número bem abaixo dos 1000 para o qual o monotrilho foi projetado, mas é questão de tempo até termos problemas para embarcar a partir de certos trechos. A região é populosa, os deslocamentos dos usuários são extremamente pendulares e falta ao monotrilho integrações, alguma outra linha tem essas mesmas características? Se você pensou em Linha 3 – Vermelha, bingo!

Para o seu primeiro dia de funcionamento integral no trecho Vila Prudente – São Mateus, a operação foi aceitável, tem pontos a melhorar, mas será um avanço para a população lindeira.

E o futuro? Como sempre um incógnita cheia de projetos que não sabemos se serão ou não concluídos. Numa ponta teremos a adição de mais uma estação, Jardim Colonial (já em construção), incluída para resolver o problema deixado pelo mal projeto da estação São Mateus e seu track switch que só permite a operação da via central. Já na outra ponta, não temos nenhuma obra, mas a promessa da estação Ipiranga, essencial para redistribuir o fluxo de passageiros, interligar com a Linha 10 da CPTM, prover acesso rápido ao centro velho da cidade de São Paulo e o mais importante, desafogar um pouco a estação Vila Prudente e a Linha 2 – Verde do metrô.

Não podemos esquecer também que uma parte dessas melhorias também são de responsabilidade da prefeitura, já que a SPTrans, que administra os ônibus da cidade, deveria fazer alterações em algumas linhas, para facilitar o acesso da população às estações do Monotrilho, alterações essas que vem deixando a desejar devido a já conhecida apatia e morosidade da empresa. Até o momento somente uma linha, a 414P-10, teve seu itinerário alterado devido a um abaixo assinado promovido por um vereador da região, ela passa a atender a estação Vila Tolstoi.

Com o monotrilho em São Mateus, a cidade passa a ter oficialmente mais de 100km de trilhos, pouco para uma São Paulo, mas vamos pensar positivo e que venham os próximos 100km.

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Alex França

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