Supervia

Opinião: Supervia e Mitsui, e agora?

Tivemos a grata notícia de compra da Supervia por um grupo japonês. Mas então, o que podemos esperar? Quais os próximos passos?

Primeiramente esperamos uma oxigenação no serviço prestado à população. Os detentores de Supervia já se mostravam claramente insatisfeitos e desgastados, mediante os escândalos políticos envolvendo o Estado do RJ.

A empresa japonesa Mitsui já foi fornecedora de material rodante para demais linhas no Brasil e deve conhecer um pouco do modal de média capacidade que serve de desague principalmente à Região Metropolitana do RJ.

A Mitsui não adquiriria a Supervia se não vislumbrasse um lucro. Se os ônibus urbanos operassem como integradores de modais, a oferta japonesa para compra certamente deveria ser maior.

Neste momento a Supervia é comprada com uma quantidade razoável de trens. Não há uma reserva estratégica de material rodante para uma manutenção mais minuciosa dos mesmos.

Existem ainda alguns retrofits e padronizações a serem realizados em estações pequenas, bem como a grande reforma e expansão das estações Central do Brasil e Deodoro, prometidas por governos anteriores.

No dia a dia operacional, uma das maiores dificuldades a serem encontradas será na manutenção de via, tanto de dormentes e trilhos, quanto de linha elétrica catenária, que hoje é alvo de furto em determinadas áreas carentes que a Supervia atende. As manutenções de ar condicionado dos vagões também deverão estar em dia, isso é essencial para o clima do Rio de Janeiro.

Ainda, os japoneses podem (e devem) realizar transferências de tecnologia, utilizando nossos trechos para campo de teste. E que teste: a malha ferroviária tem uma manutenção deficitária; a demanda de passageiros é muito superior à oferta de trens; além de não existir um software operador que sirva todos os ramais e consiga integrar todos os movimentos urbanos atendidos pela Supervia.

Aliás, vale salientar que possuímos ramais interestaduais abandonados que poderiam ser colocados em funcionamento (mediante baixo investimento) para concorrer com o transporte intermunicipal de ônibus. Sem citar a reativação da Estação Leopoldina (localizada em local estratégico no grande centro do Rio) e término de estudo de viabilidade para construção do ramal Central do Brasil x Ilha do Governador.

No mais, desejamos sorte à Mitsui nesta nova empreitada. Que a aproximação com o Governo do Rio seja a mais coerente e estratégica possível. E que consiga ouvir e atender os anseios da população fluminense, porque este deve ser o maior interesse de todo e qualquer serviço público.

Sobre o autor do post

Pedro Sampaio

Carioca da gema, engenheiro mecânico especialista em energia e aficionado
por mobilidade urbana

comentários

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  • O ramal que liga Sta Cruz à Itaguaí, até hj não foi reativado, o cartel das empresas de ônibus intermunicipais é muito forte. Espero que algo mude a partir de agora.

  • Seria interessante a eletrificação dos ramais de Vila Inhomirim e Guapimirim , ramais carentes, com uma população gigantesca, que é obrigada a viajar de ônibus por conta dos governos, que foram arregados pela máfia dos donos de empresas de ônibus. Outras sugestões seria a reativação do trecho de Magé até Visconde de Itaboraí, a reativação do trecho Piabetá até Praia de Mauá ( primeira ferrovia do Brasil) podendo até fazer integração com as Barcas, isso se for possível, e o Teleférico ligando Vila Inhomirim até Petrópolis.

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