Motiva

O que se sabe sobre o acidente ferroviário na Espanha?

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou que a colisão entre dois trens de alta velocidade em Urda, na província de Toledo, foi “verdadeiramente inverosímil” e classificou como “inexplicável” a indicação dada pelo centro de controle de circulação ao trem que bateu. O balanço é de ao menos 68 mortos, segundo informou a agência Lusa em matéria da Notícias ao Minuto, e o número pode subir durante o resgate. Havia 544 pessoas nos dois trens. O número de feridos não foi informado no texto.

Segundo o relato do ministro, citado pela publicação, por volta das 8h30 locais uma falha no sistema automático de segurança, ligada a problemas nas redes de comunicação, parou automaticamente os trens em um trecho de 63 km. O controle da circulação passou então para um centro em Madri. Às 8h36, o AVE da Renfe, que fazia o trajeto Madri–Sevilha, recebeu uma ordem ou autorização para “retomar a marcha normalmente” e bateu no trem da Iryo, que estava parado na entrada da estação de Urda. Pelos protocolos, o AVE deveria estar parado, porque havia outro trem na mesma via e um sinal vermelho. O AVE ainda percorreu 25 km em 15 a 17 minutos antes do choque, em trecho onde pode chegar a 200 km/h.

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O jornal El País, citado na reportagem, teve acesso a áudios entre o controle e os maquinistas. De acordo com a publicação, o controlador mandou o AVE, que estava a 25 km de distância, retomar a “viagem normal”, sem indicar o limite de 40 km/h previsto no protocolo, e não verificou se havia algum trem obstruindo a via. O maquinista da Iryo recebeu a mesma ordem, mas sete minutos depois avisou ao centro que continuava parado, porque não conseguia reiniciar o trem pelo sistema LZB. Ainda segundo o El País, o AVE não foi informado de que havia um trem parado à frente.

O governo espanhol decretou três dias de luto oficial, de quinta-feira (29) a sábado (31). O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, prometeu que as autoridades irão “até o fim” e disse que, “se houve negligência, será conhecida”. A juíza responsável pelo caso proibiu o acesso à área e a retirada de elementos do local, para preservar evidências e provas. A reportagem não traz declarações da Adif, da Renfe nem da Iryo, e as causas do acidente ainda não foram apuradas oficialmente.

O acidente ocorre em um momento de tensão no setor. Uma greve de maquinistas da Renfe estava marcada para esta quinta-feira (29), como protesto contra a falta de segurança. Em 18 de janeiro, outro acidente de alta velocidade em Adamuz, na província de Córdoba, deixou 46 mortos.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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