O passe livre nos ônibus urbanos brasileiros pode ser estendido para todos os fins de semana, segundo proposta do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo federal deve enviar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com a proposta da gratuidade.
“É passe livre para passear, levar os filhos ao parque, visitar os amigos e aproveitar a cidade ao lado de quem a gente ama. Mais tempo com a família, qualidade de vida e liberdade para ir e vir”, diz a publicação.
O passe livre já funciona em alguma medida na maior cidade brasileira, São Paulo, aos domingos. O projeto é defendido pelo prefeito Ricardo Nunes, opositor de Lula e apoiador de Flávio Bolsonaro, também candidato à Presidência do Brasil.
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Cerca de 143 municípios brasileiros contam com a gratuidade, que beneficia cerca de 6,7 milhões de habitantes, de acordo com estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Outros 43 municípios aplicam a gratuidade de forma parcial ou para categorias específicas.
Alternativas para financiamento
Há pesquisas que apoiam a proposta, entre elas trabalhos da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, as três instituições publicaram um estudo argumentando que a tarifa zero é viável se for custeada por um fundo abastecido com contribuições de empresas.
De acordo com reportagem da EBC, a proposta substituiria o atual modelo do vale-transporte por outra forma de financiamento. Num primeiro momento, contribuiriam empresas públicas e privadas com 10 ou mais empregados, nas 706 cidades brasileiras com população acima de 50 mil habitantes.
Pelos cálculos dos pesquisadores, 81,5% dos estabelecimentos ficariam dispensados da contribuição. O trabalho, que teve financiamento da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, é assinado por Letícia Birchal Domingues (UnB), Thiago Trindade (UnB), André Veloso (ALMG), Roberto Andrés (UFMG) e Daniel Santini (USP).
Outra pesquisa, conduzida por pesquisadores da UnB e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estima que os passageiros do transporte coletivo nas capitais e regiões metropolitanas deixariam de gastar, somados, R$ 45,6 bilhões por ano caso ônibus e metrôs fossem gratuitos.
Segundo o estudo, o valor economizado com passagens seria usado pelos trabalhadores em outras despesas, como compras em supermercados, farmácias e serviços do bairro, o que estimularia a circulação de dinheiro na economia.





