Motiva

Trem da CPTM substitui mais de mil carros

Renato Lobo

Trem Metropolitano é um importante aliado na redução de poluentes. A CPTM anunciou a publicação do seu 2º Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE), referente às emissões da operação de 2025 (Ciclo 2026), marcando um novo passo na agenda de sustentabilidade da companhia. Segundo a empresa, essa foi a primeira vez que o documento foi divulgado com a CPTM integrada como participante oficial do Programa Brasileiro GHG Protocol, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), principal referência nacional em contabilização e gestão de emissões corporativas.

De acordo com a companhia, o levantamento recebeu o Selo Prata do programa, qualificação que reconhece o cumprimento integral dos critérios de elegibilidade e transparência exigidos, confirmando a mensuração completa das emissões operacionais diretas e indiretas da ferrovia, além de abranger, de forma voluntária, o deslocamento dos colaboradores como parte da cadeia de valor da empresa. O documento foi oficialmente disponibilizado no Registro Público de Emissões (RPE) durante o Evento Anual do Programa Brasileiro GHG Protocol, realizado nos dias 26 e 27 de agosto.

Em entrevista ao Via Trolebus, Danilo Amorim, Gerente de Meio Ambiente da CPTM e Vanessa Lima Engenheira da CPTM, detalharam os bastidores desse trabalho. Segundo eles, o balanço de emissões referente a 2025 somou 24 mil toneladas de CO2 equivalente. “Foram 24.000 toneladas de CO2 equivalente, o que é um número muito baixo referente a outros modais […] 26 vezes menor do que o modal rodoviário”, afirmou Danilo.

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Como a CPTM se compara a outros modais em emissões?

Os representantes explicaram que a ferrovia se destaca frente ao transporte rodoviário. “Quando a gente compara com modal rodoviário, serviço de empresa pública, ônibus, sendo bem direto, a ferrovia ela emite 26 vezes menos do que o modal rodoviário serviço público. E carro, quando comparado com carro, dá 33 vezes a menos em emissão por passageiro transportado quilômetro”, disse Danilo.

Segundo ele, esses números vão além da métrica de CO2. “Quando a gente fala de emissão de gases de efeito estufa do modal ferroviário, a gente envolve muitos outros aspectos que não estão no inventário […] a gente tá discutindo também qualidade de vida, questões de saúde, tanto por respirar um ar mais puro quanto pelos próprios benefícios do modal.” Ele deu um exemplo prático: “Uma pessoa que tem que se mover 2, 3 horas de carro tem que sair às 4 horas da manhã de casa para chegar às 7 no trabalho. Se ele tiver um transporte público de qualidade, pode chegar em uma hora, tem uma qualidade de vida melhor. Isso reflete em hospitais, em custos de saúde pública mesmo.”

Renato Lobo – Via Trolebus

Como o inventário mede as emissões da companhia?

Vanessa detalhou os três escopos de medição usados no levantamento. “O escopo um é de fato o combustível que a gente utiliza na nossa operação e manutenção, todos os insumos […] o diesel que é utilizado para abastecer locomotivas de manutenção.” O escopo dois, segundo ela, “é a energia que a gente utiliza para manter o nosso sistema operando. É toda a energia de tração […] o nosso fator de conversão para CO2 é atenuado porque a gente utiliza uma matriz limpa, vinda de hidrelétrica, adquirida pelo Mercado Livre de Energia.”

Já o escopo três, explicou, “é tudo que não faz parte do escopo um ou dois. São as emissões indiretas […] esse ano, por exemplo, mensuramos os resíduos que a companhia gera, porque eles vão para aterro.” Ela citou também a nova pesquisa interna incorporada ao inventário: “Esse ano a gente acrescentou essa pesquisa de origem do deslocamento dos colaboradores […] tivemos mais de 1.000 respostas para entender como que as pessoas vinham trabalhar.”

Como a CPTM se compara a ferrovias internacionais?

O resultado da CPTM supera até referências internacionais. “A gente fez comparação com o modal ferroviário fora do país […] a ferrovia fora do Brasil emite aí cerca de 4 gramas de CO2 por passageiro transportado por quilômetro. E aqui no nosso inventário, deu 2,98 gramas.” Ao final da entrevista, ela ainda atualizou o dado: “Só tô procurando o [índice] que é 2,78 […] menor ainda.”

Danilo ainda explicou por que esse número é relevante: “Essa métrica não considera só o quanto a gente emitiu de CO2, mas sim relacionado a quanto a gente transportou de pessoas. Então, por isso que ele fica mais eficiente […] quanto mais passageiro a gente transportar dentro desses trens, mais eficiente é o modal.”

O que significa o Selo Prata obtido pela companhia?

Danilo confirmou os detalhes da qualificação recebida pela CPTM no programa da FGV. “A gente aderiu ao selo prata, que é quando você reporta as categorias, os escopos um e dois completo […] o selo ouro é a categoria um e dois completa, porém com uma verificação de terceira parte […] esse é o nosso desafio [para o próximo ano].” Segundo ela, a meta da companhia é conquistar o Selo Ouro até 2027, com auditoria de terceira parte já em processo de contratação.

Renato Lobo | Via Trolebus

Quais os principais desafios para reduzir ainda mais as emissões?

Segundo Vanessa, o escopo um já está em processo avançado de melhoria, com a substituição de disjuntores de subestação que utilizam o gás SF6, apontado como um dos pontos mais críticos das emissões diretas da companhia. Já no escopo dois, ligado ao consumo de energia de tração, ela reconheceu que há pouca margem de redução, já que a tendência é de aumento no uso de energia elétrica.

O maior potencial de avanço está no escopo três: “Hoje praticamente o que puxa muito as nossas emissões é a geração de resíduo […] a gente vê possibilidades para conseguir gerenciar o resíduo de uma maneira ambientalmente melhor, gerar menos resíduo. Eu acho que esse é o maior desafio.”

O impacto da Linha 10-Turquesa na redução de veículos nas ruas

Além dos dados do inventário, um levantamento específico sobre a Linha 10-Turquesa dimensiona o impacto direto da ferrovia na redução de veículos particulares em circulação. Um trem realiza, em média, 23,9 viagens por dia na linha, transportando cerca de 1.563,2 passageiros por viagem — média ponderada entre horário de pico e vale, considerando 50% da capacidade nos períodos de menor movimento. Isso equivale a tirar das ruas aproximadamente 1.042,2 carros por viagem.

Ao longo de um dia inteiro de operação, as 23,9 viagens da linha somam cerca de 37,3 mil passageiros transportados, o que equivale a retirar das ruas o equivalente a 24.872 carros. Considerando uma distância média de 5 metros por veículo, esse volume representaria uma fila de aproximadamente 124,4 quilômetros de carros enfileirados.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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