O projeto de um trem intercidades ligando Salvador a Feira de Santana, na Bahia, segue em fase de articulação para sair do papel. A proposta prevê uma linha férrea de 98 km dedicada ao transporte de passageiros e cargas, segundo reportagem do Movimento Econômico.
De acordo com a mesma publicação, a empresa responsável pelo projeto é a TIC Bahia, iniciativa liderada pelo empresário Osvaldo Ottan e pelo engenheiro Danilo Silva Ferreira ao longo de quase uma década. Ottan também é conhecido no setor imobiliário baiano por ter construído o Edifício Charmant, o mais alto de Feira de Santana, segundo o Bahia Notícias.
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Pelo modelo apresentado, a ferrovia contará com duas modalidades de operação: um serviço expresso, ligando as duas cidades em cerca de 35 minutos, e um serviço com paradas em oito estações ao longo do trajeto — reduzindo o tempo de deslocamento atual, hoje de 1h11 de carro, segundo o Movimento Econômico. Os trens de passageiros devem operar a até 160 km/h, enquanto as composições de carga chegariam a 120 km/h.
O trajeto deve começar no bairro de Águas Claras, em Salvador, com integração ao metrô, ao VLT em construção e à nova rodoviária da capital. A linha passaria por Simões Filho, Candeias, São Sebastião do Passé, Santo Amaro e Conceição do Jacuípe, terminando em Feira de Santana, nas estações Noide Cerqueira e Rodoferroviária Contorno, de acordo com o Movimento Econômico.
O investimento estimado varia conforme a reportagem: o Movimento Econômico apontou cifra de R$ 6,8 bilhões, enquanto o Bahia Notícias, em matéria mais recente, citou valor de R$ 7 bilhões. Segundo a TIC Bahia, citada pelo Movimento Econômico, a expectativa é transportar 23 milhões de passageiros por ano, gerando mais de 10 mil empregos diretos e 50 mil indiretos, com impacto direto estimado em 6 milhões de habitantes das regiões envolvidas.
Ainda de acordo com a mesma reportagem, estudos econômicos apontam potencial de R$ 73 bilhões em impacto para Salvador e sua região metropolitana, e R$ 17,2 bilhões para a área industrial de Feira de Santana, que reúne mais de 300 indústrias. A estimativa de faturamento anual da ferrovia é de R$ 1,115 bilhão, sendo R$ 1,035 bilhão vindo do transporte de passageiros e R$ 80 milhões do transporte de cargas.
O modelo de negócio proposto é 100% privado, sob regime de autorização — conforme o Marco Ferroviário Brasileiro —, sem uso de recursos do Tesouro Público, com exploração do trecho pela iniciativa privada por 99 anos, segundo o Bahia Notícias. Além da receita com passagens e cargas, o projeto prevê ganhos com exploração imobiliária num raio de 2 km ao redor das estações, além do uso da faixa de domínio da ferrovia para instalação de cabos de fibra óptica e usinas de energia solar.
Segundo reportagem do Bahia Notícias publicada em 13 de janeiro de 2026, o projeto já havia cumprido todas as exigências técnicas e legais junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com autorização publicada em Diário Oficial. Naquele momento, faltava apenas a assinatura do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), confirmando a conformidade da proposta com a política pública nacional. Uma comitiva baiana viajaria a Brasília no fim daquele mês para tentar destravar o documento final.







