Motiva

SP amplia estudos de trens no interior

Os projetos de expansão da rede de transportes metropolitanos e o planejamento dos sistemas de média e alta capacidade para as próximas décadas marcaram o encerramento da 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, nesta sexta-feira (4/9). O Via Trolebus é parceiro de mídia do evento.

O panorama foi apresentado por Alberto Epifani, coordenador de Planejamento e Gestão da Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo (STM), no último painel do evento promovido pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP), no Nikkey Palace Hotel, na Liberdade, em São Paulo.

Segundo Epifani, a Região Metropolitana de São Paulo gera cerca de 36 milhões de viagens por dia, e os sistemas de transporte sob responsabilidade do Estado vêm ampliando sua participação nos deslocamentos. Atualmente, a rede estruturada de alta capacidade reúne 15 linhas, 393 quilômetros de extensão, 188 estações e transporta cerca de 8,5 milhões de passageiros por dia útil.

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O coordenador destacou que a expansão desses sistemas depende de investimentos contínuos e previsíveis. Segundo ele, as externalidades positivas geradas apenas pelas linhas operadas pelo Metrô de São Paulo e pela CPTM — como economia de tempo, redução de acidentes, menor poluição e menos gastos hospitalares — superam o volume anual de recursos estimado para o plano nacional de mobilidade apresentado pelo BNDES durante o evento. “É preciso investimento e é preciso que ele seja constante ao longo de todo o período para viabilizar os processos. As externalidades positivas geradas pelos sistemas operados pelo Metrô e pela CPTM são superiores aos R$ 20 bilhões anuais necessários para executar o plano nacional”, afirmou.

Entre os empreendimentos em andamento, Epifani citou a extensão da Linha 2-Verde, a implantação da Linha 6-Laranja, o prolongamento da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, as expansões da Linha 15-Prata e o corredor BRT-ABC. Juntas, essas obras vão acrescentar 30 quilômetros de trilhos e 17 quilômetros de BRT à rede, além de 27 estações, 16 paradas e três terminais, com previsão de atender mais 1,8 milhão de passageiros por dia útil, com a incorporação de 112 trens. Ele também informou que o Estado está adquirindo 44 novos trens, em investimento de aproximadamente R$ 3 bilhões, além de projetos futuros como as linhas 19-Celeste e 20-Rosa e as ligações ferroviárias regionais entre São Paulo e Campinas, Sorocaba, Santos e São José dos Campos.

Novos estudos miram transporte de alta capacidade no interior

Um dos destaques da apresentação foi o planejamento de uma rede de média capacidade conectada aos sistemas de alta capacidade, com cenários estruturados para 2030, 2040 e 2050, buscando alimentar a malha estrutural conforme a demanda de cada região.

Segundo Epifani, esse planejamento será apoiado por novas pesquisas Origem-Destino em regiões metropolitanas do interior paulista. As pesquisas de Jundiaí e Sorocaba já estão em elaboração, enquanto levantamentos estão planejados para a Baixada Santista, Campinas, Vale do Paraíba e Litoral Norte, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Piracicaba, além da aglomeração urbana de Franca. Os dados vão servir de base para projetos integrados de transporte urbano, definindo sistemas de alta, média e baixa capacidade e suas conexões nessas regiões.

O presidente da AEAMESP, Ayrton Camargo e Silva, lembrou que a ampliação das pesquisas Origem-Destino para outras regiões metropolitanas havia sido defendida em uma edição anterior do evento, sem contar, à época, com orçamento definido. “Três Semanas de Tecnologia atrás, perguntei por que não existiam pesquisas Origem-Destino nas outras regiões metropolitanas do Estado, reproduzindo a experiência bem-sucedida de São Paulo. Três anos depois, é com muita alegria que vemos esses levantamentos avançarem”, afirmou. Para ele, o anúncio mostra como os debates promovidos pela AEAMESP ajudam a estimular a evolução do planejamento público: “Certamente, daqui a três Semanas de Tecnologia, veremos essas pesquisas gerando planos e propostas de financiamento para novos sistemas. Chegamos ao futuro, ainda que parcialmente.”

Inteligência artificial nas operações

A programação da tarde também trouxe o painel “Os Impactos da Inteligência Artificial na Operação dos Sistemas Metroferroviários”, que discutiu como a tecnologia pode contribuir para operações mais eficientes e seguras. Moderado por Luis Fernando de Almeida, da Universidade de Taubaté (Unitau), o painel reuniu Fabio Siqueira, do Metrô de São Paulo; Sarah de Souza Fernandes, da TIC Trens; e Handerson Cabral, do Metrô do Distrito Federal.

A programação também incluiu o painel “Mobilidade Ativa e Acessibilidade”, moderado por João Carlos Santos Taqueda, da AEAMESP, com Wilson Mitt e Milton Pereira da Silva Junior, do Metrô de São Paulo, e a consultora Meli Malatesta.

Trens regionais e de alta velocidade

No Auditório Principal, o painel “Novos Serviços para Trens de Passageiros: Trens Regionais e de Alta Velocidade — Desafios e Perspectivas” discutiu a implantação e expansão de serviços ferroviários entre cidades e regiões metropolitanas. Moderado por Renato Meirelles, do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), o encontro teve a participação de Rafael Falavinha, da CPTM, e Paulo Benites, da TAV Brasil, tratando de desafios técnicos, econômicos e regulatórios ligados a alternativas de transporte fora das rodovias — tema conectado aos projetos regionais apresentados pela STM.

Antes desse painel, o Auditório Principal recebeu a discussão “Trens Turísticos: Desafios e Perspectivas”, com moderação de Ayrton Camargo e Silva e participação de Adonai Arruda, da Serra Verde Express; Renato Rocha, do Instituto de Ferrovias; e Leandro Gorgonha, da CPTM.

Balanço da programação

Com mais de 1,6 mil inscritos, a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária reuniu autoridades, gestores públicos e privados, executivos, especialistas, acadêmicos, estudantes e representantes de diferentes regiões do país. Ao longo dos quatro dias, foram realizadas 58 palestras técnicas e 33 sessões especiais, com participação de 95 palestrantes — três deles internacionais — e recebimento de 256 sínteses de trabalhos para avaliação do comitê de seleção.

O evento também marcou a primeira participação da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) em uma atividade da AEAMESP, reforçando a integração entre ônibus, VLTs, trens e metrôs.

Sessão de encerramento

A sessão solene de encerramento reuniu Alberto Epifani; Antônio Márcio Barros Silva, diretor de Operações da Motiva; Fábio Abud Ortona, gerente executivo de Manutenção da TIC Trens; Wanderson Oliveira Souza, CEO da BMX1 Engenharia; Fábio Juvenal Ferreira, CEO da Transvia; Tiago Mahara Juliani, diretor de Engenharia da IEME Brasil; e Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD.

Em seu discurso, Ayrton destacou o compromisso comum entre profissionais de operadoras públicas e privadas com a qualidade técnica do setor, e citou três planos apresentados durante o evento como oportunidades para o país consolidar políticas permanentes de investimento: o programa do Ministério dos Transportes para expansão da infraestrutura ferroviária de cargas até 2050, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do BNDES, e o planejamento ferroviário apresentado para o Estado de São Paulo. “Esperamos que sejam planos de Estado, e não apenas de governo”, concluiu.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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