Plano ferroviário quer dobrar transporte de cargas no Brasil

Trihos de trem lado a lado sumindo no horizonte na região do pátio da Estação Ferroviária de Itu - Variante Boa Vista.
Pátio da Estação Ferroviária de Itu - Variante Boa Vista-Guaianã km 203. 2013. Foto: Amauri Aparecido Zardeto from Itu, Brasil, CC BY 2.0 , via Wikimedia Commons.

O Ministério dos Transportes apresentou o plano de investimentos e concessões para os setores de infraestrutura a fundos e operadores internacionais durante o Roadshow 2026 – Missão Nova York, realizado nos Estados Unidos entre os dias 11 e 14 de maio. A agenda teve como foco atrair capital estrangeiro e ampliar a segurança jurídica para a malha de transportes do país.

A delegação brasileira contou com a participação da secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, e da diretora do Departamento de Obras e Projetos da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário (SNTF), Maryane Araujo. Organizada em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a comissão liderou reuniões bilaterais e encontros técnicos com o mercado financeiro global.

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Segundo dados consolidados pelo Ministério dos Transportes, a carteira atual de concessões rodoviárias soma 32 projetos contratados. No total, as iniciativas acumulam uma previsão de R$ 396 bilhões em investimentos privados direcionados para a expansão de rodovias e estruturação de corredores de integração regional. Viviane Esse ressaltou que a competitividade dos projetos no exterior é sustentada por contratos modernos, matrizes de risco equilibradas e maior previsibilidade regulatória.

Expansão ferroviária mira dobrar participação na matriz

No segmento sobre trilhos, a pasta detalhou a nova Política Nacional de Concessões Ferroviárias e uma carteira composta por oito leilões previstos para o decorrer de 2026, orçada em R$ 160 bilhões em aportes iniciais. De acordo com o planejamento governamental estruturado no Plano Nacional de Logística (PNL 2035), as ações visam expandir a fatia do modal ferroviário na matriz de cargas brasileira, saltando dos atuais 17,7% para 34,6% até 2035.

Conforme apontado pela diretora Maryane Araujo, o potencial total de movimentação financeira na cadeia ferroviária pode atingir R$ 600 bilhões nos próximos anos. Diante da banca de investidores em Nova York, o Ministério dos Transportes deu destaque para dois projetos estratégicos de escoamento:

  • Ferrogrão: projetada com capacidade de transporte estimada em 66 milhões de toneladas anuais.
  • Malha Oeste: ferrovia planejada para atuar como corredor de integração bioceânica entre o Brasil e o Chile.

Para mitigar os riscos cambiais e financeiros associados aos projetos de longo prazo, a comissão federal reforçou aos consórcios internacionais a disponibilidade de novas ferramentas de suporte e fomento. Entre os mecanismos apresentados estão as debêntures incentivadas, linhas de financiamento específicas via BNDES, criação de fundos de viabilidade e critérios normativos alinhados às diretrizes de sustentabilidade socioambiental.

Via Trolebus