Motiva

Tarifa zero aos fins de semana custaria R$ 20,8 bi

Renato Lobo

A tarifa zero no transporte público coletivo aos sábados e domingos, proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, custaria cerca de R$ 20,8 bilhões por ano, segundo cálculo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). O valor, divulgado em comunicado da entidade, inclui ônibus urbanos, trens e metrôs. A NTU também diz que a medida não resolve o problema de financiamento do setor.

Segundo a entidade, a estimativa parte do custo atual de ônibus, trens e metrôs, de R$ 17,3 bilhões por ano, e soma um aumento médio de 20% na demanda de passageiros, tendência observada em cidades que adotam a gratuidade. Só a operação atual dos ônibus urbanos nos fins de semana e feriados custa R$ 14,5 bilhões por ano, de acordo com a NTU.

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Lula anunciou a proposta na quinta-feira (15). O presidente disse que pretende enviar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a gratuidade do transporte coletivo aos fins de semana em todo o país.

Para a NTU, a ideia representa um avanço no reconhecimento do transporte público como serviço essencial e instrumento de inclusão social, e amplia o acesso da população, principalmente das famílias de menor renda, ao lazer, à cultura, ao comércio e a outros serviços. A entidade, porém, faz uma ressalva. “Precisamos olhar também para quem depende do ônibus de segunda a sexta-feira. O grande desafio é construir um modelo de financiamento que permita reduzir o peso da passagem no orçamento das famílias e, ao mesmo tempo, garantir a qualidade e a sustentabilidade do serviço”, afirma Francisco Christovam, diretor-presidente da NTU.

A associação destaca que a proposta abre a possibilidade de o governo federal participar de forma sistemática do custeio do transporte coletivo, responsabilidade hoje concentrada nos municípios. Para a NTU, o envolvimento da União reduziria a pressão sobre os orçamentos municipais e permitiria uma política nacional de mobilidade urbana. Christovam diz que essa participação é uma reivindicação histórica do setor e defende um modelo permanente, com responsabilidades compartilhadas entre União, estados, municípios e iniciativa privada.

A NTU ressalta que a tarifa zero aos fins de semana tem alcance pontual e não resolve os problemas estruturais do financiamento. Hoje, cerca de 80% dos custos dos sistemas são cobertos pela arrecadação tarifária, o que, segundo a entidade, concentra nos passageiros boa parte do custeio e limita a capacidade de investir na melhoria da operação.

Como alternativa, a NTU apresentou em agosto, no Seminário Nacional NTU 2026, o programa Transporte para Todos. A proposta prevê uma política permanente de financiamento, com três pilares: a modernização e ampliação do Vale-Transporte do Trabalhador; a criação de um Vale-Transporte Social, para famílias em situação de vulnerabilidade inscritas no Bolsa Família; e o custeio das gratuidades pelos orçamentos das políticas públicas que dão origem aos benefícios, como educação, saúde e assistência social. O programa propõe dividir os custos de forma mais equilibrada entre poder público, empregadores e demais beneficiários do sistema.

Para Christovam, a gratuidade aos fins de semana “pode ser um primeiro passo importante”, mas o país precisa de uma solução mais ampla. O comunicado não detalha a metodologia do cálculo de R$ 20,8 bilhões nem de onde viriam os recursos para bancar a medida.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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