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Brasil planeja 17 projetos ferroviários para 2027

Divulgação

O governo federal pretende avançar, ao longo de 2027, com 17 contratos e iniciativas no setor ferroviário, que podem mobilizar cerca de R$ 160 bilhões (US$ 32 bilhões) em investimentos, segundo levantamento da BNamericas. O pacote reúne oito projetos de concessão e nove chamadas públicas pelo regime de autorização.

A carteira é formada principalmente por ferrovias de carga, mas também inclui iniciativas ligadas a linhas ferroviárias de transporte urbano de passageiros.

O conjunto é parecido com o que o governo federal queria viabilizar em 2026. A tentativa, porém, não avançou como o esperado. Houve dificuldade para estruturar os contratos e montar modelos capazes de conciliar a viabilidade financeira dos projetos com o interesse de investidores privados. Vários leilões de concessões ferroviárias estavam previstos para este ano, mas a ideia esbarrou na definição de arranjos que permitissem aportes públicos e, ao mesmo tempo, oferecessem segurança jurídica e financeira aos parceiros privados.

Diferentemente de outros segmentos, como o rodoviário, o setor ferroviário exige mecanismos de garantia e maior previsibilidade para atrair capital privado. Muitos projetos dependem da conclusão de grandes obras antes de começar a gerar receita de operação. Os prazos são longos, os investimentos, elevados, e os riscos, significativos, inclusive nas etapas de licenciamento ambiental e de estruturação dos contratos.

O programa ferroviário do Ministério dos Transportes para 2027 foi anunciado em meio à disputa presidencial entre o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro. Segundo pesquisas citadas pela BNamericas, a corrida é apertada.

Independentemente do resultado, especialistas não esperam mudanças relevantes na direção da política de infraestrutura, sobretudo na continuidade dos programas de concessão federais e estaduais. “A carteira de concessões é um tema razoavelmente convergente entre os programas de governo, e não se esperam mudanças significativas na direção dos programas federais e estaduais”, disse à BNamericas Frederico Turolla, economista especializado em infraestrutura e sócio-fundador da consultoria Pezco Economics.

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Concessões ferroviárias

Os oito projetos de concessão buscam ampliar a capacidade de transporte de carga e reforçar a integração logística do país. O próprio governo admite que só parte deles deve chegar à fase de leilão em 2027, enquanto outros podem avançar apenas até a publicação dos editais.

Entre os que têm leilão previsto para 2027 estão:

  • Anel Ferroviário do Sudeste, com licitação prevista para abril;
  • Malha Oeste, com leilão esperado para agosto;
  • Ferrogrão, com leilão previsto para setembro;
  • Corredor Leste-Oeste, previsto para outubro.

Outro grupo reúne corredores voltados à integração regional e ao transporte de carga no Sul do país. Nesses casos, o cronograma prevê avançar com a publicação dos editais em 2027, o que indica que os leilões podem ficar para 2028. São eles:

  • Malha Sul, Corredor Paraná–Santa Catarina;
  • Malha Sul, Corredor Rio Grande;
  • Malha Sul, Corredor Mercosul;
  • Prolongamento Norte da Ferrovia Norte-Sul.

Chamadas públicas para autorizações

Além das concessões, o governo quer avançar em 2027 com chamadas públicas para autorizações ferroviárias. O regime tende a ser mais flexível que o da concessão tradicional, porque permite que a iniciativa privada apresente propostas e desenvolva projetos em condições contratuais específicas, sem depender de um modelo completo desenhado pelo poder público.

Nas concessões, o governo costuma definir antes as obrigações de investimento, os parâmetros operacionais, as regras de remuneração e os mecanismos de divisão de riscos. Na autorização, a estruturação é mais livre, embora a viabilidade econômica, o licenciamento e as exigências regulatórias continuem decisivos para tirar os projetos do papel.

O cronograma de 2027 inclui dois trechos com editais previstos para setembro e leilões em novembro:

  • São Luís (MA) – Itapecuru Mirim (MA);
  • Fortaleza (CE) – Sobral (CE).

Outro conjunto reúne sete trechos, com editais esperados para fevereiro de 2027 e leilões em abril:

  • Brasília (DF) – Luziânia (GO);
  • Cruz Alta (RS) – Santo Ângelo (RS);
  • Santo Ângelo (RS) – Santa Rosa (RS);
  • Roncador Novo (GO) – Jardim Ingá (GO);
  • General Carneiro (MG) – Miguel Burnier (MG);
  • Aguaí (SP) – Bauxita (MG);
  • Campina Grande (PB) – Cabedelo (PB).

Com informações da BNamericas.

Via Trolebus