Motiva

Rio Pequeno terá metrô e rota para dois tatuzões

O planejamento técnico para a implantação da futura Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo está detalhado no edital do projeto básico, publicado recentemente. De acordo com o documento oficial da Companhia do Metropolitano, a futura estação Rio Pequeno (ESME) ficará situada no município de São Paulo, no bairro Jardim Esmeralda, ocupando uma área delimitada pela avenida do Rio Pequeno, rua Jorge Ward, rua Raimundo de Castro Maia e avenida Escola Politécnica.

Para a execução do corpo principal da parada, a área total destinada corresponde a 11.161,00 m², o que abrange duas quadras e projeta a desapropriação de 51 lotes. O complexo metroviário integrará ainda a rua Luca Carlevaris, localizada no interior do conjunto desapropriado, sem que haja a necessidade de desafetação da via. Um acesso secundário — denominado acesso B — será construído na esquina da avenida do Rio Pequeno com a rua Arthur Soter Lopes da Silva, demandando uma área adicional de 1.170,00 m².

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Dinâmica de acessos e decisões urbanísticas

A estação foi projetada com duas unidades construtivas (acessos A e B), totalizando quatro portas de entrada. O corpo principal (acesso A) concentrará três pontos de entrada, com acessos distribuídos pela avenida do Rio Pequeno, rua Jorge Ward e rua Luca Carlevaris. O quarto ponto de entrada pertencerá ao acesso secundário (acesso B), posicionado na avenida do Rio Pequeno, do lado oposto da via em relação ao corpo principal.

O edital aponta que a avenida Escola Politécnica, situada ao norte, funciona como uma barreira parcial para os bairros localizados ao norte e nordeste da futura estação. Apesar disso, o Metrô descartou a construção de um acesso secundário que cruzasse a avenida. A justificativa técnica baseia-se no fato de a via ser configurada pela presença de um córrego e arborização significativa. A abertura de um acesso subterrâneo causaria interferências negativas na paisagem, além de enfrentar dificuldades construtivas devido ao cruzamento com infraestruturas existentes. Já a opção de uma passarela foi rejeitada por ser considerada incompatível com a urbanidade local. Como solução, o projeto priorizou medidas de microacessibilidade focadas em pedestres para garantir o atendimento qualificado aos moradores das áreas ao norte da avenida.

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Integração urbana, paisagismo e zoneamento

Conforme as diretrizes arquitetônicas do projeto básico, a implantação das estruturas físicas ficará mais próxima da avenida do Rio Pequeno e recuada em relação à fachada voltada para a avenida Escola Politécnica. Essa organização espacial foi desenhada para fortalecer o eixo comercial e de serviços da avenida do Rio Pequeno e, simultaneamente, abrir espaço para uma praça de mediação junto à avenida Escola Politécnica. A intenção é trazer a paisagem natural da avenida para o interior do projeto e conectar o complexo à ciclovia existente.

O plano de inserção urbana prevê as seguintes intervenções no entorno:

  • Rua Luca Carlevaris: A via interna será inteiramente requalificada para o uso exclusivo de pedestres, integrando as áreas edificadas aos espaços abertos.
  • Córrego Água Podre: Embora esteja canalizado sob a rua Raimundo de Castro Maia, a faixa de preservação correspondente ao curso d’água será mantida como praça pública e área verde, servindo de respiro urbano e transição, com potencial para uma futura renaturalização.
  • Passeio Público: Haverá a criação de um amplo passeio entre a estação e a avenida Escola Politécnica para elevar a permeabilidade e as visuais da região.
  • Calçadas: Para cumprir a exigência legal de passeios com largura mínima de 5 metros, haverá a doação de áreas, reduzindo a área útil do terreno do corpo principal para 9.643,64 m² e reservando 910,77 m² para a praça proposta.
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Movimentação, infraestrutura e conexões de transporte

A estação Rio Pequeno foi projetada para receber uma demanda de 25.603 passageiros por dia.  Para dar suporte aos usuários e reorganizar a mobilidade local, o edital estabelece a implantação das seguintes estruturas de apoio:

  • Estacionamento associado à estação com 147 vagas para automóveis;
  • Bicicletário com capacidade para 100 vagas;
  • Zona de embarque e desembarque rápido (kiss and ride) com 7 vagas regulamentadas;
  • Instalação de duas ciclofaixas no entorno, localizadas na rua Jorge Ward e na avenida Pablo Casals;
  • Remanejamento dos pontos de ônibus atuais localizados na avenida do Rio Pequeno e abertura de um novo ponto de parada com baia na rua Jorge Ward.

A estação Rio Pequeno também fará a conexão física com uma das três subestações elétricas planejadas para alimentar a Linha 22-Marrom. Denominada subestação Esmeralda, a unidade ocupará 22 lotes em uma área de 3.798,00 m², na quadra delimitada pelas ruas Arthur Soter Lopes da Silva, Doutor Laudelino de Abreu e Simão Lottenberg. O projeto prevê que o caminhamento dos eletrodutos da subestação percorrerá cerca de 200 metros ao longo da rua Arthur Soter Lopes da Silva e cruzará a avenida do Rio Pequeno por cima da projeção do túnel de ligação do acesso secundário, conectando-se diretamente às salas técnicas da estação.

Método construtivo e movimentação de tatuzões

O método de engenharia definido para a construção do corpo da estação será o de Vala a Céu Aberto (VCA), tomando como referência o modelo de estação padrão desenvolvido pelo corpo técnico do Metrô. A escolha do método VCA é justificada pela profundidade considerada relativamente baixa da parada — são 26,58 metros medidos entre o acesso principal (situado na cota 734,38 m) e o topo do boleto (TB, localizado na cota 707,80 m) —, o que viabiliza a escavação total do corpo e das plataformas a partir da superfície.

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O espaço escavado disponível que resultará entre o nível de distribuição dos passageiros e o nível do terreno será integralmente aproveitado para abrigar as 147 vagas de estacionamento de veículos mencionadas no plano de apoio.

Tuneladoras

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No planejamento logístico das frentes de trabalho da Linha 22-Marrom, a vala da estação Rio Pequeno desempenhará um papel estratégico na movimentação de maquinários pesados. O local foi escolhido para servir como ponto de emboque (inserção) da tuneladora — o tatuzão — que iniciará a escavação dos túneis no sentido da estação Sumaré. Da mesma forma, a estrutura da vala será utilizada para realizar a retirada da outra tuneladora, cujo trecho de escavação começará na estação Reserva Raposo (BOAV).

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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