Foto: Renato Lobo | Via Trolebus
Trens Regionais

O que se sabe do projeto do Trem Intercidades no Estado de São Paulo?

O projeto do Trem Intercidades é aguardado há pelo menos uma década pelos moradores das cidades de São Paulo, e outros conglomerados urbanos, como Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos. Na campanha eleitoral de 2010, o então candidato ao governo que viriam vencer as eleições, Geraldo Alckmin, havia prometido as primeiras ligações de trem de passageiros.

Passado o período, o projeto não saiu do papel, mas ganhou forma nos últimos dois anos, e nesta postagem destacamos alguns pontos importantes, que geralmente aparecem como dúvidas nos comentários nas plataformas digitais em que o Via Trolebus atua:

Primeiro traçado

O primeiro eixo do TIC- Trem Intercidades será entre São Paulo e Campinas, e o serviço terá apenas uma parada em Jundiaí.

Previsão de licitação

O Governo trabalha para lançar a concorrência ainda em 2021, se não houver atrasos. A licitação deve ser feita de forma conjunta com a Linha 7-Rubi da CPTM, assim como um novo serviço parador entre Francisco Morato e Campinas, o chamado Trem Intermetropolitano.

Possíveis interessados

Há ao menos cinco interessados no projeto. A informação foi postada no site A Cidade On, com base em um comunicado da Secretaria da Fazenda. Seriam operadoras da China, Japão, França, Espanha e Itália.

Carregamento diário e serviço

O trem de viagem deve transportar 565 mil passageiros em trens com serviços de bordo, climatizados, e wi-fi.

Foto: Raphael Comitre

Há recursos previstos

Durante coletiva de imprensa do governo do estado de São Paulo do último dia 16 de outubro de 2020, foi apresentado um plano de retomada da economia paulista, no período entre 2021 e 2022, no pós-covid-19. De acordo com o governador João Doria, serão R$ 36 bilhões de investimentos em dois anos e cerca de 2 milhões de novos empregos em quatro anos.

Entre os projetos, Henrique Meirelles, Secretário de Estado da Fazenda, destacou o Trem Intercidades com investimentos de U$ 1,4 bilhões de dólares.

Possibilidade de expansão mais plausível

Uma ligação entre Campinas e Americana é ventilada pelos gestores públicos, mas sem um prazo certo. O que se sabe, é que o eixo Barra-Funda-Campinas sai primeiro.

Atendimento até Viracopos

O novo operador do meio de transporte ainda poderá construir um ramal do serviço até o Aeroporto de Viracopos, de acordo com publicação do Correio.

O texto menciona que o futuro concessionário poderá optar pela extensão do traçado até o Aeroporto Internacional  em um horizonte de médio prazo, assim como Americana.

Outras linhas

Há ainda em estudos para outros três ramais, também sem qualquer previsão de execução: São Paulo-Sorocaba, São Paulo-Vale do Paraíba e São Paulo-Baixada Santista.

Por falar em Sorocaba…

Um decreto do Governador João Doria do dia 30 de novembro de 2020, autorizou a abertura de licitação para a concessão das Linhas 8 – Diamante e 9 – Esmeralda, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM.

Um dos parâmetros descritos no decreto prevê a “a operação e a manutenção de eventual expansão do
serviço concedido em trechos que se caracterizem como prolongamento das Linhas nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e de Sorocaba”.

A medida abre caminho para uma futura operação de serviços, como por exemplo o Trem Intercidades entre as duas regiões.

Trem de dois andares cogitado

Uma publicação do site Metrô/CPTM dá conta de que empresas ouvidas pelo estado sugeriram o uso de trens “double deck”, ou seja, com dois andares. Seria uma opção de aumentar  o carregamento sem precisar aumentar as plataformas.

 

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

comentários

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  • O presidente da Alstom no Brasil, Philippe Delleur, afirmou que fazer trens regionais de média velocidade em São Paulo seria o caminho “mais seguro e curto” para o Brasil chegar ao trem-bala.

    Para ele, o problema está nas obras civis. As empreiteiras nacionais, disse, indicam que o valor dado pelo governo está subdimensionado. O projeto total está estimado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) em R$ 33,1 bilhões, sendo cerca de R$ 28 bilhões (valores de dezembro de 2008) em obras e desapropriações.
    Delleur afirmou que as empresas já estão com dificuldades para conseguir recursos próprios, “equity”, para ingressar como sócias. E, caso a obra fique mais cara que o previsto, serão necessários mais recursos próprios ou financiamento. O BNDES pode financiar até R$ 20 bilhões.
    “As conversas com investidores indicam que é muito difícil achar um valor tão grande de “equity” privado. Os investidores financeiros não vão colocar dinheiro se não houver um grande esclarecimento sobre o projeto. E, se o orçamento não é R$ 33 [bilhões], é R$ 50 [bilhões], aumenta o tamanho do problema a ser resolvido.”

    O tempo a mais até a nova data do leilão também será usado para fazer novos estudos sobre as conexões com outros sistemas de transportes, principalmente em São Paulo. Como é fundamental que a linha de alta velocidade seja integrada, assim como é mundialmente, Delleur defende os trens intercidades.

    Entre os modelos de trem intercidades propostos estão os semelhantes aos que nossos vizinhos Sul Americanos que tem como base a AMTRAK-EUA como do;

    ViaTrolebus – 09/mai/2019 Chile recebe propostas para construir trem de média velocidade entre Santiago e Valparaiso.

    ViaTrolebus – 25/set/2019 Peru faz PPP para construir ferrovia de tráfego misto, ou seja, trens cargueiros e de passageiros ~324km e trem a 200km/h.

    Teste da demanda
    Pelos estudos, cerca de 70% da demanda do trem-bala virá de ligações entre as cidades paulistas. Por isso, diz, o ideal seria testar um sistema ferroviário nessas ligações, conhecer a demanda real e, só depois, passar para os trens de maior velocidade.

    “Grande parte da demanda não fica entre SP-RJ, mas em volta de São Paulo. O projeto deveria trazer resposta a essa demanda existente e, para isso, o intercidades pode ser rapidamente feito, em três a quatro anos, captar a demanda, estabilizar e usar esses recursos para continuar o projeto de alta velocidade.”
    O governo federal tem projetos para vinte e uma linhas intercidades no Brasil.

    Os trens intercidades têm velocidades máximas de 200 km/h, enquanto os de alta operam a até 350 km/h.

    • Seria sensato começar com trens comuns, porém com possibilidade de upgrade no futuro, com sistemas como o utilizado na Itália. Permitiria até manter ambos os tipos rodando, com os trens bala em primeira instância sendo oferecidos como uma opção para o mundo dos negócios, e então barateando-se o custo.

      Mas secomo você disse, os trens intercidades operarem em 200km/h, trechos como SP-Campinas ou SP-Sorocaba (e afins) nem precisariam de trem bala tão cedo; porém seria um bom investimento caso no futuro haja conexão SP-Rio, SP-Campinas-BH, SP-Curitiba entre outros, interligando os Trens Intercidades Paulistas com outros sistemas.

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