Rodovia

O projeto da Rodovia entre Parelheiros e Itanhaém

Quem se desloca pelo modo rodoviário entre a capital paulista e o litoral sul, tem como opção o sistema Anchieta-Imigrantes. Se o destino for cidades como Itanhaém ou Peruíbe, o deslocamento é pela Rodovia Mario Covas. Geralmente esta rota é feita pelos serviços rodoviários de ônibus. Há ainda a opção entre a Rodovia Régis Bittencourt, até a cidade de Miracatu, e depois pegando o caminho inverso da Rodovia Mario Covas.

Um projeto previa diminuir as distâncias entre a cidade de São Paulo e o litoral sul: é a rodovia que ligaria Parelheiros, no extremo sul da cidade, até Itanhaém.

O principal eixo de descolamento entre o planalto e o litoral ainda é o sistema Anchieta-Imigrantes. Porém desde a década de 1990 já se sentiu necessária uma nova rodovia pra auxiliar o tráfego na região, de preferência, ligando o Litoral Sul, com população, economia e importância em acelerado crescimento, à Zona Sul da Capital.

A chamada SP-57 sairia ou do bairro de Parelheiros ou do Rodoanel Mário Covas, atravessando a Serra do Mar através da região do Núcleo Curucutu e indo até o município de Itanhaém, terminando na Rodovia Mário Covas, antiga Padre Manuel da Nóbrega.

A cidade de São Paulo e Itanhaém fazem divisa, no bairro de Marilac. O trecho, apesar de ser todo acidentado, com florestas e mata pouco explorada, é considerado curto, em torno de 15 km entre a cidade litorânea a os limites da capital paulista.

Ainda na década de 90, a proposta foi apresentada na Assembleia Legislativa de São Paulo através do Projeto de Lei 560 de 1994. O projeto de lei recebeu veto total (nº 6714 de 1997) do Governador Mário Covas. Mas, meses depois, foi sancionado como a Lei 9851 de 1997 autorizando sua a construção.

Interesse privado

Foram algumas empresas privadas que demostraram interesse na nova rodovia. Uma delas previa que a chamada ‘Nova Imigrantes’, estimando que o trecho entre as duas pontas poderia ser percorrido em torno de meia hora – quase um terço do tempo da duração na atualidade.

Licença ambiental

Apesar da autorização existente para a sua construção, a nova rodovia nunca foi sequer iniciada, já que seu percurso traria grandes riscos à fauna e flora, em uma região de Mata Atlântica intocada, contendo nascente de rios, tudo dentro de uma Área de Preservação Permanente, o que contraria as leis ambientais, tornando o projeto, naquele momento, praticamente irrealizável e descartado.

Aeroporto e Ferrovia

No segundo semestre de 2015 o Departamento de Estradas de Rodagem DER noticiou que o estudo de viabilidade da obra foi retomado e estaria concluído até o fim daquele ano. Também estava sendo estudado um plano de modernização conjunta da infra-estrutura local de transporte, não só construindo a nova rodovia Capital-Itanhaém, como duplicando totalmente a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega entre Itanhaém e a Rodovia Régis Bitencourt e, ainda reativando a Ferrovia local.

Em 2019, o Aeroporto reinaugurou seu terminal de passageiros com infraestrutura para voos comerciais, que estavam previstos para 2020.

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

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  • Desenvolvimento com políticas ambientais sustentáveis, não são coisas antagônicas. Quaisquer pessoas com um mínimo de noções culturais sabem que investimentos em transporte, saneamento básico, urbanismo e infra-estrutura só trazem o progresso por onde passam. Os fatos refletem isto, o atual rodoanel sul não permite ligações periféricas secundárias em seu contorno, e que atravessa inúmeros mananciais, e o futuro norte estão levando em conta estas importantíssimas questões. Com todo respeito, acreditar que o único caminho viável é deixarmos do jeito que está, é no mínimo falta de informação.

    Dentre as obras do PAC, uma que deveria estar planejada e ser priorizada é ligação Rodo Ferroviária Parelheiros–Itanhaém, uma vez que o porto de Santos ultrapassou seu limite de saturação com filas de navios em de mais de 80 unidades, das quais podem ser avistados da Vila Caiçara em Praia Grande, além de que a Via Anchieta por ser a única via de descida permitida para ônibus e caminhões tem registrados congestionamentos e acidentes graves semanalmente, como este de hoje 22/02/2013 em que uma trompa d’agua na baixada paulista deixou o sistema Anchieta / Imigrantes em colapso, e o transito só foi restabelecido na madrugada do dia 24 seguinte, e em épocas de escoamento de safras também a Dom Domenico Rangoni (Piaçaguera–Guarujá) se torna congestionada diariamente, ao contrário da Manoel da Nóbrega, onde somente se fica com problemas em épocas pontuais na passagem de ano, ao porto de Santos, e os futuros portos de Itanhaém / Peruíbe.

    Acredito também, como munícipe, que a estrada mitigaria as condições de estagnação que as cidades vivem, com ruas sem pavimentação, ocupação desordenada do solo, entre outras. Uma ligação da cidade com a região sul da capital traria muitos benefícios, fornecendo mais opções, melhorar a qualidade de vida dos moradores da capital e baixada. Muitas pessoas voltariam a fixar na cidade, inclusive eu. A cidade poderia nos dar mais retorno frente aos impostos que pagamos. Investimentos em Parques Temáticos, Porto, Aeroporto, Ferrovia ligando com a existente, enfim muitos projetos que alavancariam a região como um todo, bem como o desenvolvimento global de toda a região.

    Enquanto outras cidades turísticas litorâneas avançam principalmente no norte fluminense, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe se voltam ás primitivas cidades sazonais caiçaras sem interesse em desenvolvimento e com metas e avanços financeiros presentes apenas nas mãos de alguns.

    Já passou á hora de ver nossa geração e de nossos filhos se enraizarem na região com bons empregos e educação ao invés de tentar uma melhor condição social em São Paulo, pois Santos também já ultrapassou o limite de saturação.

    Com relação Parelheiros, esta região rural situada ao sul do município de São Paulo, que possui uma carência de saneamento básico, ajudaria enormemente uma fiscalização, urbanização e preservação dos seus mananciais.

    Sinto que o potencial destas cidades não são utilizados, com foco noutros que beneficiam uma minoria retrógrada. Não vejo senão, o apoio irresponsável e egoísta aos interesses escusos.

    • Antes de investir em tudo isso, deveria ser levado em conta a recuperação do serviço ferroviário que a décadas foi abandonado na baixada.

      Cortar a mata para a construção do Rodoanel já nos mostrou o resultado de surto de dengue que aconteceu anosaos tarde, como previsto por especialista.

      O maior problema é dar mais atenção para a ” opinião da iniciativa privada” em vez de dar credibilidade para profissionais capacitados, cientistas e comunidades locais.

      O progresso pode ser sustentável, mas isso não é progresso.

    • Acho que não é viável pelo fato dos loteamento clandestinos e especulação imobiliária e acabaria com áreas de mananciais ultimo reduto para captar as águas para população e sim por ultimo a corrupção com superfaturamento de obras o Maluf já quis construir está ligação mas foi para frente pelo fato de ser áreas de mananciais.

  • Caro Renato, boa tarde. Grato pelas informações em seus interessantes artigos. Gostaria apenas de fazer uma correção em relação à citação de que está “tudo em uma Área de Preservação Permanente”. Na realidade, o Parque Estadual da Serra do Mar não é uma APP e sim uma Unidade de Conservação. Logicamente que dentro dele várias APP relacionadas a encostas, nascentes, margens de cursos d´água e topos de morro serão encontradas, mas, ainda assim, a maior parte da área é um Parque Estadual e conceitualmente é recomendável classificar a área por onde passaria a rodovia como Unidade de Conservação, conforme lei do SNUC (9.985/2000).

  • Olá,
    Não entendi, o último parágrafo com citação a aeroporto, não ficou claro a que aeroporto se refere. “Em 2019, o Aeroporto reinaugurou terminal de passageiros com infraestrutura para voos comerciais, que eram previstos para 2020”
    Por outro lado, penso ser importante destacar que a região de Parelheiros, por possuir essa importante área de Mata Atlântica, é a maior produtora de água da cidade, além de prestar outros serviços ambientais com impactos positivos diretos no clima, e no ar.
    A Região Metropolitana de São Paulo, não possui reservas de água, e historicamente busca água cada vez mais longe a um preço cada vez mais alto. Mantem alto grau de poluição atmosférica e possui as conhecidas ilhas de calor que entre outros problemas, contribuem para a ocorrência de chuvas torrenciais, alagamentos, etc. O veto ao projeto dessa ligação tem muito a ver com esses aspectos. Fica a pergunta: interessa abrir mão dessas águas e desse serviços ambientais?

  • Com as tecnologias existentes não haverá dano a natureza, há inúmeras grandes obras no mundo inteiro com a natureza preservada, é uma obra viável e necessária.

    • Rodovia Mário Covas foi o nome oficial dado pelo governo federal para a BR-101. Porém, o trecho desta rodovia entre Ubatuba e Miracatu está sob responsabilidade do governo estadual como SP-55, levando o nome de Padre Manoel da Nóbrega, entre Cubatão e Miracatu. Assim, o nome oficial correto para o trecho é Rodovia Padre Manuel da Nóbrega.

  • Entendo desnecessária uma rodovia neste local, bastava apenas reativar a ferrovia já existente e que atende toda a região.

  • Bom dia, Renato.
    Moro em Carapicuíba, sou professor de Logística, me interesso por esse tema e além do mais, sou frequentador das praias de Itanhaém, mais especificamente Gaivotas. (Sairia na “cara do gol”).
    Como você disse, não custa sonhar.
    A Ecovias, caso não fosse a concessionária “escolhida”, poderia colocar entraves ao projeto?
    Quanto às licenças ambientais temos um presidente que pensa diferente em relação a isso. Quanto à esfera estadual tenho dúvidas.
    Fiquei entusiasmado.

    Abraço.

  • De modo algum deve-se construir esta rodovia! Já existe a ferrovia, que poderia muito bem ser colocada para levar passageiros! Nova rodovia, além de estragar o meio ambiente, vai só aumentar mais o tráfego!

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