Recordar é viver

Há 33 anos ocorria o pior acidente ferroviário em São Paulo

Os serviços prestados pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM são considerados seguro, pela quantidade de viagens que é realizada e pela quantidade de acidentes fatais que ocorrem na ferrovia. O último acidente grave com mortes foi no ano de 2000, em Perus, com nove mortos e 115 feridos.

A malha também é aprovada pela maioria de seus usuários, segundo balanço da própria empresa de 2019, onde 79% dos passageiros aprovavam a prestação de serviços.

Mas nem sempre o atendimento de trem suburbano teve índices satisfatórios. Em 17 de fevereiro de 1987, a malha paulista teve seu pior acidente. O acidente ferroviário de Itaquera ocorreu a 300 metros da Estação de mesmo nome, em um local diferente de onde é a parada que faz conexão com o Metrô.

Foto: Site Estações Ferroviárias

Naquela época a estação ficava nas proximidades onde os moradores conhecem como centro de Itaquera. Até os anos 2000, a ferrovia que partia do centro de São Paulo até Estudantes, a chamada linha tronco, a partir de Arthur Alvim fazia um caminho diferente até Guaianazes.

A chamada Linha E não era um serviço semi-expresso, e tinha paradas ao longo de seu trajeto entre o Brás e Guaianazes, incluindo estações intermediárias entre Tatuapé e Itaquera.

Foto: Site Estações Ferroviárias

A ferrovia era administrada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos, estatal que até hoje opera outros sistemas brasileiros de trens e VLTs, como em João Pessoa, Maceió, Natal, Belo Horizonte e Recife.

O acidente

O acidente envolveu duas composições: a primeira, de prefixo UW 56, que saiu da antiga estação Roosevelt onde é atualmente a estação Brás, e se dirigia até Mogi das Cruzes. Já a segunda, de prefixo UW 77, saía do município de Mogi das Cruzes para o centro de São Paulo no sentido inverso. Ambas as composições carregavam em torno de 3000 passageiros cada uma.

Por conta de obras de manutenção na via, a composição UW 56 que partiu de São Paulo mudou de via por alguns quilômetros, circulando na contra-mão.

Em torno das 15:27 horas, quando o primeiro trem finalizava a manobra no aparelho de via – AMV, os dois comboios se chocaram. A primeira composição estava a uma velocidade de aproximadamente 40 km/h, enquanto a segunda estava a 70 km/h, causando um choque que rompeu a estrutura metálica de ambas as composições, sendo que o trem de São Paulo foi atingida a partir do 4º carro.

Os trens envolvidos foram construídas pela Mafersa, denominada série 431 pela RFFSA, sendo a extinta série 1600 da CPTM.

Foi considerado o maior acidente no ponto de vista de mortos, sendo 51 óbitos e 153 feridos.

Investigações

Inicialmente, foi atribuída uma falha humana como responsável pelo acidente. O maquinista da segunda composição estaria trafegando em velocidade maior que a permitida para o trecho, e teria acionado os freios somente a 300 metros da composição que partira de São Paulo, onde o ideal seria a 500 metros. No entanto, outras investigações apontaram a má sinalização como uma das causas do acidente, já que constatou-se a inexistência de um sinaleiro.

Não foi o único em Itaquera

De acordo com o site Estações Ferroviárias, não foi o único acidente ocorrido na estação. Ocorrência foi registradas em diversos anos, em pelo menos seis vezes. Mas o de 1987 foi o pior.

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

comentários

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  • Como usuário da CPTM há anos posso testemunhar o quanto a qualidade do serviço melhorou de 10 anos pra cá, pelo menos. Trens mais modernos e confortáveis; estações mais limpas, acessíveis, iluminadas e sinalizadas; diminuição de intervalos. A construção de novas estações ocorreu, porém, num ritmo lento. A demanda é grande, sendo um dos fatores de lentidão nas reformas. Parabéns pelo site e pelos vídeos. Sou fã deste tema.

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