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Descontinuidade de governos compromete transporte em SP

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Segundo levantamento demostrado pela Folha de São Paulo, na edição desta terça, 10, mostra que passados três mandatos na cidade de São Paulo, de 300 km de novos corredores de ônibus prometidos em 2003, só 83 (28%) foram entregues, metade de 30 novos terminais previstos não saiu do papel e o projeto de construir 350 estações de transferência (pontos mais estruturados para baldeações) nunca foi adiante, já que apenas três deles foram construídos.

Em 2003, na gestão da prefeita Marta Suplicy, o sistema de transportes integrado nasceu após uma licitação, em 2003, que escolheu empresários e permissionários para atuar por dez anos, mas eles operam até hoje por meio de contratos emergenciais.

De lá para cá, Marta entregou 71km de corredores e 6 novos terminais de ônibus. Entre 2005 e 2012, nas gestões Serra e Kassab, foram entregues só 11,8 km de corredores e nove terminais.

A licitação de 2003 previa que os donos das empresas teriam que bancar as construções e manter os equipamentos. Porém, ainda na assinatura do contrato, isso mudou.

As obras estavam vinculadas a uma “cláusula de transição”, sem prazos específicos. Sem compromisso definido, todas essas metas morreram pelo caminho. Com isso, a prefeitura passou a custear as obras e a manutenção dos terminais

Fernando Haddad, eleito em 2012, prometeu entregar 150km de corredores durante sua gestão mas já admitiu que não deve entregar tudo até o fim do seu mandato. Em vez de dinheiro dos empresários, Haddad conta com verbas federais. Porém diante das circunstâncias econômicas do país, há dúvidas se este repasse virá mesmo.

Secretário de Transportes na atual gestão e também da administração Marta Suplicy, Jilmar Tatto culpa os sucessores pela “descontinuidade” dos projetos.

“Teve um congelamento tanto do ponto de vista de novas estações, corredores e terminais como de tecnologia, que deveria ter sido atualizada. Os validadores [de Bilhete Único] também ficaram obsoletos. Foi tudo paralisado, colocando em risco o funcionamento da bilhetagem”, disse o secretário.

Segundo ele, a licitação, que deveria ter sido feita ainda na gestão Gilberto Kassab, se arrastou até agora por causa de questionamentos do TCM (Tribunal de Contas do Município). Tatto diz que, quando retornou à secretaria, não havia nem projetos de corredores.

“Tivemos que refazer vários projetos”, disse ele, que promete entregar “ou deixar em obras” 150 km de corredores até 2016, assim como entregar novos terminais.

A assessoria de imprensa do senador José Serra, que foi prefeito entre 2005 e 2006, informou em nota que sua gestão “teve como marca a implementação de um transporte público eficiente em contraposição ao sistema deficitário, irracional, caótico e anárquico deixado pela gestão anterior”.

Segundo a nota, Serra regularizou os contratos que foram licitados em 2003, formalizou o Bilhete Único e o integrou ao Metrô e à CPTM.

De acordo com ele, também foi necessário renovar a tecnologia para conter fraudes que ocorriam por causa de falhas no sistema.

Sucessor de Serra, Gilberto Kassab afirma que fez “amplos investimentos em estrutura para o transporte público, além de injetar R$ 1 bilhão com recursos municipais para a expansão da rede metrô”.

Kassab diz que, além de entregar 11,8 km de corredores e inaugurar terminais, implementou 100 km de faixas exclusivas de ônibus, renovou 89% da frota de ônibus e colocou em prática a integração do Bilhete Único com o Metrô e a CPTM.

Sobre o autor do post

Caio Lobo

Paulistano e Corinthiano, formado em Marketing porém dedicou sua experiência profissional, pós-graduação e MBA na área de Finanças. Temas relacionados à mobilidade urbana o fascinam, principalmente quando se fala de metrô.

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