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Resposta aberta ao comentarista da TV Globo sobre as faixas de ônibus

Nesta sexta-feira (25), o comentarista em trânsito do jornal SPTV da TV Globo Sergio Ejzenberg teve um artigo publicado no portal UOL com o título “São Paulo perdeu muito mais do que ganhou com as faixas exclusivas de ônibus”. Antes de iniciar qualquer discussão, gostaríamos de lembrar que o Via Trólebus não possui nenhum vínculo com partidos políticos. Mas nos sentimos na obrigação de dar uma resposta ao texto, uma vez que este blog fala sobre o transporte público na capital paulista.

No inicio do texto, o especialista menciona a melhora da operação nas linhas que trafegam pelas faixas exclusivas, oferecendo maior velocidade aos veículos e consequentemente menor tempo de viagem. Entretanto, Sergio fez questão de afirmar que não houve aumento na oferta de lugares nos veículos. Em seu artigo, o especialista informa que a solução seriam novos corredores e terminais, alem do racionamento de linhas, e que “seria preciso muito mais do que simplesmente pintar faixas nas ruas” conforme é dito no artigo.

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Sergio tem razão até o momento em que menciona as empresas de ônibus. No artigo é falado que as viações não vão investir em um mercado que se mostra incerto, já que os contratos de licença estão vencidos e a Prefeitura adiou a nova licitação. O especialista esqueceu de comentar em seu texto que tal medida da prefeitura foi para abrir primeiro a famosa “caixa preta do transporte publico”por meio de uma auditoria, ou seja, ninguém sabe ao certo o que o empresário A, B, ou C está ganhando com a Prefeitura e sobretudo de nós, passageiros, o lado mais fraco da corda. Então, a solução seria promover uma nova licitação com um valor mais justo e na sequencia do novo contrato, uma total reestruturação do sistema. Ou o especialista acha que devemos prosseguir com o mesmo esquema obscuro que esta ai?

Fonte: CNI/IBOPE de 2011, imagem é do jornal "O Popular"
Fonte: CNI/IBOPE de 2011, imagem é do jornal “O Popular”

Outro ponto contraditório no texto de Ejzenberg é a respeito do prejuízo bilionário que a cidade perde presa em congestionamentos, já que o motorista do carro não migrou de fato para o ônibus. Mas ambos modais, ônibus e metrô/trem tiveram um aumento no número de passageiros, dados divulgados recentemente. É obvio que o motorista do carro, a grosso modo não deixou de usar seu automóvel. Mas e o passageiro do ônibus?

Se existe um agente causador do congestionamento na cidade é o carro. Seja pelo espaço que ele ocupa no viário ou pelo pequeno número de pessoas com um automóvel transporta. A imagem abaixo fala por si só:

carro-onibus-bicicleta

“25,2% das pessoas com renda familiar de até R$ 1.244,00 desloca-se de transporte individual, e 75,9% das pessoas com renda familiar superior a R$ 9.330,00 o fazem também. O resultado econômico desse balanço é um prejuízo bilionário para a cidade” – nesta frase do especialista demonstra o pensamento voltado apenas ao usuário do carro. E os 74,8% que se deslocam de ônibus não tem prejuízo? Tais horas perdidas não entram nesta conta?

Fonte: portal The City Fix Brasil
Fonte: portal The City Fix Brasil

As faixas de ônibus nada mais são que a separação de vias para que o transporte público tenha o seu espaço, e que este espaço seja democrático, já que historicamente apenas o carro foi privilegiado ainda que ele transporte uma minoria.

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

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