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Portal de notícias elege as 10 maiores gafes da ciclofaixa

Ciclofaixa SPQue as ciclofaixas de São Paulo são um sucesso, isso não há duvidas. Não é a toa que o modelo já foi exportado para outras cidades do Brasil.

Devido a essa nova “moda”, o portal iG realizou uma enquete com frequentadores e elegeu as 10 maiores gafes na ciclofaixa.

1º Ciclistas experientes que não têm paciência com os iniciantes
História de ciclistas apressados que vão “costurando” os outros foi a situação mais desconfortável citada por todos os entrevistados. Na maioria dos casos, as infrações de conduta são cometidas pelos mais experientes, que não têm paciência com os iniciantes. Aline Castro, de 29 anos, costuma pedalar com frequência, mas foi alvo dos velocistas. “Estava apreciando as árvores e conversando. No que o cara ia passar, quase levou o meu braço.”

Em defesa dos mais profissionais, Evandro Mucha, de 35 anos, ciclista “desde que nasceu”, criticou a estrutura da capital, que não tem espaço para pessoas praticarem treinos intensos. E afirmou ainda que apela para estradas, como Imigrantes e do Mar, para não travar uma batalha na ciclofaixa. “São pessoas com diferentes níveis trafegando em velocidades incompatíveis”, explicou. Nesse embate, segundo João Paulo Amaral, coordenador e idealizador do Bike Anjo, a solução é entender que aquele espaço é destinado ao lazer.

2º Realizar ultrapassagens agressivas e perigosas
Ultrapassagens são permitidas, mas sempre em condições de segurança. Ao desviar de um ciclista ‘lento’, o apressado acaba utilizando a via dos carros para passar. E isso pode ser uma roubada. “O carro não está esperando que alguém invada aquele espaço. A ação mais inteligente e educada é indicar que vai passar, com voz ou buzina”, indicou Amaral.
Os cicloativistas dão toques e indicam o modo mais adequado de se realizar uma ultrapassagem. O ciclista deve avisar por qual direção pretende “cortar” – direita, esquerda ou meio. “Não existe uma regra, o importante é que haja segurança”, explicou Willian Cruz do Vá de Bike.

3º Família e amigos que decidem pedalar lado a lado para bater papo
A Ciclofaixa de Lazer funciona aos domingos e feriados, entre 7h e 16h, se tornando atraente para amigos e familiares. Porém, não esqueça: o espaço não é só seu e você precisa compartilhá-lo. “Não há problemas em pedalarem juntos. Mas é importante respeitar o direito e liberar a passagem”, explica Raphael Oliveira, também integrante do movimento Bike Anjo.
Investir em um retrovisor para a sua bike pode poupar momentos de constrangimento e atritos. Para Evandro Mucha, o grupo pode até pedalar junto, mas no máximo em dois. “Só precisam deixar o espaço bem aberto no meio. Com o retrovisor, algum integrante pode ficar responsável por checar quem está vindo”.

4º Levar crianças muito pequenas para pedalar entre os grandes
Levar os pequenos para o primeiro passeio de bicicleta na ciclofaixa pode não ser a opção mais segura para eles. A instabilidade ao pedalar pode ocasionar freadas e até acidentes. “Tinha uma menininha de 6 ou 7 anos pedalando, quando do nada ela entrou à direita. Levei um susto e freei. Quatro ciclistas engavetaram. Um chegou a sair de ambulância. A criança não se feriu, mas poderia ter ficado”, relatou a biomédica Joyce Mattos, de 35.
Para muitos ciclistas, a prefeitura poderia estabelecer uma idade mínima para usar a ciclofaixa. “Essa delimitação poderia ser aplicada para criança que fica pedalando sozinha, as que são muito mais novas vão para a cadeirinha”, defendeu Amaral. Os pais devem levar os filhos para o espaço conforme a experiência deles.
Joyce discorda de qualquer medida que bloqueie acesso ao espaço, mas acredita que os pais devem ter sensibilidade para identificar o nível de cada criança. “Aquilo é diversão para eles, não pensam em segurança”. Caso decida levar o filho para o passeio, o pai deve ficar sempre atrás, sinalizando e ditando o ritmo das pedaladas, como um ‘guarda-costas’.

5º Andar na contramão e praticar outras modalidades de esporte
Sem opções de lazer, a ciclofaixa passou a ser uma oportunidade para skatistas, patinadores e corredores. Cicloativistas explicam que todos são bem-vindos, mas para ser bem recebido no espaço o usuário deve respeitar o sentido da via e a passagem. “Muitos andam na contramão para chegar até um ponto da via. Melhor descer da bike ou do outro meio e caminhar”, disse Raphael Oliveira.
Para Joyce é até tolerável a presença de outros esportistas na pista, mas acredita que esses deveriam dobrar os cuidados já que não possuem retrovisores. Mas e quando o ‘infrator’ busca apenas um espaço plano para praticar corrida? Para muitos, as calçadas irregulares e esburacadas não são a melhor opção para o cooper. “É totalmente compreensível, mas ajuda muito se eles respeitassem o fluxo”, defendeu Amaral.

INAUGURAÇÃO / CICLOFAIXA

6º Usar fones de ouvido
Outra cena comum nas ciclofaixas é ver os usuários pedalando sozinhos com fones de ouvido. Para Amaral a ação, totalmente desaprovada no trânsito, é aceitável no lazer. Mas, as pessoas erram ao apostar no alto volume, bloqueando qualquer comunicação com o mundo externo.
Durante ultrapassagens, o ciclista deve indicar por voz ou por som que irá passar. O mais indicado, segundo especialistas, é ouvir a música em baixo volume para ouvir essas intervenções. Além de atrapalhar, os fones profissionais são desconfortáveis e esquentam. Joyce dá o exemplo e diz que ao usar o fone fica com apenas um ouvido ocupado. “O outro tem que ficar livre para ouvir o ambiente. É irritante pedir licença e não ter resposta”.

7º Parar ‘do nada’ para esperar o amigo, atender o celular ou manusear o MP3
O ato de parar para esperar o colega que não tem o mesmo ritmo, atender o celular ou apenas mudar a música que não agradou pode acabar em acidente. Caso necessite parar, a postura mais indicada é seguir para o lado esquerdo da ciclofaixa, o mais próximo da calçada.
“Caso o ciclista não tenha escolha, melhor parar ao lado da calçada. Se puder esperar, pare nas paradas dos semáforos e assim evitando engavetamentos”, explicou Raphael Monteiro.
Para sair dessa situação ‘por cima’ e evitar xingamentos, João Paulo Amaral indica que o ciclista procure se comportar como um motorista dirigindo de acordo com o Código de Trânsito. “Busque sinalizar. Como não temos as luzes de seta, podemos usar os braço”, disse. O gesto é simples: com a mão para o chão indique o lado que você irá parar.

8º Não respeitar a sinalização (cones e placas dos voluntários) ou deixar o espaço
A lotação da ciclofaixa provoca diferentes reações nos usuários, que buscam como evitar a multidão e passam a ignorar as sinalizações. A ação comum e também mais perigosa é invadir as outras faixas, que estão livres para veículos motorizados.
“Ele está invadindo um espaço que está reservado para o carro. Se o motorista mudar de faixa, ele não terá tempo de resposta”, explicou Raphael Oliveira. Aline relembra ciclistas que avançaram e ignoraram a sinalização de ‘PARE’ do voluntário. “Fazem isso para não dividir espaço com a galera”. Solução? Reduza, peça licença, fale e anuncie o que vai fazer.

9º Não respeitar os pedestres
“Independente de onde estejam atravessando [muitas vezes fora da faixa de pedestres], você deve respeitar”, explicou Oliveira. Para ele, não há nada mais assustador de que atravessar e ter alguém freando em cima de você.
Ao avançar a bandeira, como citado no desvio de conduta anterior, o ciclista também bloqueia e o ocupa o espaço correto para se realizar uma travessia. “É respeitando o espaço do outro que conquista o respeito para o seu espaço”, disse o estudante Daniel Lima, de 19 anos, que pedala apenas aos finais de semana.

10º Usar de skates motorizados e bicicletas elétricas
Como citado nos outros erros anteriores, os usuários até respeitam outras modalidades no espaço. Mas isso já fica de lado ao avistarem veículos motorizados. Você pode ser alvo de olhares feios. Skates motorizados e bicicletas elétricas estão na moda e é comum encontrar alguns ‘descolados’ acelerando e ‘ziguezagueando’ na via.
“É extremamente perigoso porque são imprevisíveis. Uma hora estão a 20 km/h, mas algumas podem chegar até 50 km/h. Fico dividindo o espaço com um motor. Não é certo”, desabafou Mariana Lage, vendedora e inexperiente confessa.
Segundo ela, é comum levar sustos pelas ‘arrancadas’ dos motores dos companheiros de ciclofaixa. Para a equipe do Bike Anjo, é discutível a presença deles, mas defendem um limite de velocidade. “O choque entre uma bike e um skatista passa a ser potencializado quando temos motores. Você aumenta todos os riscos”.

Por Caio Lobo

Sobre o autor do post

Caio Lobo

Paulistano e Corinthiano, formado em Marketing porém dedicou sua experiência profissional, pós-graduação e MBA na área de Finanças. Temas relacionados à mobilidade urbana o fascinam, principalmente quando se fala de metrô.

Via Trolebus