A Motiva fechou com a EDP um contrato de autoprodução de energia solar que vai alcançar o VLT Carioca, no Rio de Janeiro, além de linhas de metrô e de trens em São Paulo e de rodovias administradas pela empresa. O acordo vale por 15 anos e prevê um volume contratado de 9,3 MW médios (MWm).
Ao todo, serão atendidas 154 unidades consumidoras de média e alta tensão. Na área de trilhos, entram o VLT Carioca, as Linhas 4-Amarela e 5-Lilás do Metrô de São Paulo e as Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda dos trens metropolitanos paulistas. Entre as rodovias, estão AutoBan (Sistema Anhanguera-Bandeirantes), ViaRio, Motiva Paraná, Motiva Pantanal (BR-163/MS), RodoAnel (Rodoanel Oeste), ViaSul, RioSP (Dutra e Rio-Santos), ViaCosteira e ViaLagos. Segundo a Motiva, o volume contratado equivale a cerca de 15% de toda a demanda de energia da empresa.
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De onde vem a energia
A eletricidade virá de uma das usinas do Complexo Solar Novo Oriente, da EDP, em Ilha Solteira (SP). De acordo com as empresas, é o maior complexo solar do tipo no estado, com 254 MWac de capacidade instalada, 82 inversores e mais de 558 mil painéis. Por mês, a geração seria suficiente para abastecer cerca de 375 mil residências.
O contrato inclui ainda certificados de energia renovável (I-RECs), que atestam a origem da energia. A Motiva estima que evitará a emissão de cerca de 3,8 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano.
Autoprodução por arrendamento
O acordo foi estruturado na modalidade de autoprodução por arrendamento. Nesse formato, a Motiva recebe a outorga de geração e passa a dividir o ativo com a EDP, na proporção de sua participação no consórcio criado para operar o projeto. Por isso, não há um contrato de compra e venda de energia (PPA) entre as companhias, como ocorre na equiparação, em que as partes têm participação societária na usina.
Custos e metas ambientais
A Motiva se diz uma das 30 maiores consumidoras de energia do país e a segunda maior da Região Metropolitana de São Paulo. Com o contrato, a empresa afirma que busca reduzir emissões e custos e ter mais previsibilidade nas despesas com eletricidade, em meio à volatilidade dos preços no mercado livre. Segundo a companhia, a iniciativa vai ajudar a reduzir em 25% a conta de energia, na comparação com 2023, e eleva de 60% para 85% a participação da autoprodução no atendimento de sua demanda.
A empresa diz que já havia cumprido, com um ano de antecedência, a meta de cortar 20% dos gastos com energia até o fim de 2025, usando apenas fontes limpas e renováveis. Há dois anos, a Motiva também se tornou sócia em três parques eólicos entre o Piauí e a Bahia, do Complexo Eólico Otis, cuja produção hoje abastece operações de trens e metrôs em São Paulo. Em 2024, a Motiva e a EDP já haviam fechado outro contrato, de 10 anos, em geração distribuída compartilhada, para fornecer energia solar ao Sistema Anhanguera-Bandeirantes.
Para a vice-presidente de Pessoas, Sustentabilidade e Excelência da Motiva, Raquel Cardoso, o acordo reforça o compromisso de descarbonização. “Desde o final de 2024, nossas operações de rodovias e trilhos são apenas abastecidas com energia proveniente de fontes renováveis”, afirmou.
A Motiva tem o compromisso de ser neutra em carbono nos escopos 1 e 2 até 2035. Segundo a empresa, ela encerrou 2025 com redução de 61% nas emissões desses escopos em relação a 2019, superando com oito anos de antecedência a meta de 59% até 2033, aprovada em 2023 pela Science Based Targets initiative (SBTi). As emissões de escopo 2, ligadas à eletricidade, foram zeradas ao fim de 2024, quando todos os ativos passaram a ser supridos apenas por energia renovável.
Pela EDP, o diretor executivo de Soluções para Clientes da empresa na América do Sul, Tomás Baldaque, afirmou que a companhia oferece soluções energéticas personalizadas e que ser parceira de empresas como a Motiva consolida sua atuação entre as líderes do mercado de energia no país.







