Dois trens de alta velocidade colidiram na manhã desta quarta-feira (28), na província de Toledo, na Espanha, no segundo grande acidente na linha Madri–Andaluzia em menos de dez meses. O balanço de vítimas ainda varia conforme a fonte. Segundo o El Diario de Madrid, que cita a Proteção Civil de Castela-La Mancha às 12h30 (horário local), há ao menos 50 mortos e mais de 179 feridos. Mais cedo, a emissora regional CMM havia divulgado a cifra de 10 mortos, informada pela porta-voz do governo regional, Esther Padilla. Outros veículos espanhóis, como o Infobae, já falam em 68 mortos, número que não foi confirmado por fonte oficial até a publicação.
De acordo com o El Diario de Madrid, o acidente ocorreu por volta das 8h54, perto do quilômetro 118, entre Urda e Los Yébenes. Estavam envolvidos um AVE da Renfe, com 397 pessoas a bordo, e um trem da Iryo, com 146. As primeiras informações indicam que o AVE atingiu por trás o trem da Iryo, que estaria parado na via, e que os dois últimos vagões deste descarrilaram. A imprensa espanhola também fala em uma possível falha humana na gestão da sinalização, mas a própria publicação diz que a hipótese não é conclusiva, e a causa não foi confirmada. A Adif, administradora da infraestrutura, afirmou em publicação no X que houve uma “colisão traseira entre dois trens”.
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Segundo o mesmo jornal, o primeiro-ministro Pedro Sánchez manifestou consternação, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, acompanhou o caso do centro de controle da Adif em Atocha, e o presidente de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page, suspendeu a agenda e foi ao local. A circulação está suspensa nos dois sentidos entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia, e a Iryo disse não haver previsão de retomada. A Renfe ativou o plano de assistência a vítimas e familiares, com o telefone 900 10 10 20.
Os acidentes anteriores
O de hoje ocorre menos de dez meses depois do acidente de Adamuz, na província de Córdoba. Em 18 de janeiro de 2026, por volta das 19h43, um trem da Iryo que ia de Málaga a Madri descarrilou na linha Madri–Sevilha, e três de seus vagões invadiram a via paralela. Cerca de 20 segundos depois, um Alvia da Renfe, que seguia de Madri para Huelva, bateu neles e também descarrilou. Segundo a Wikipédia, que reúne as informações da apuração, o saldo foi de 46 mortos e 292 feridos, e a causa preliminar foi uma fratura de cerca de 40 centímetros em um trilho, provavelmente ligada a uma solda deficiente. A Guarda Civil também apontou falhas na inspeção da via. A ligação de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia ficou suspensa até 17 de fevereiro, e o governo espanhol decretou três dias de luto oficial.
O outro caso que a Espanha associa a tragédias recentes é o de Santiago de Compostela. Em 24 de julho de 2013, um trem Alvia de alta velocidade que ia de Madri a Ferrol, com 218 passageiros e 4 tripulantes, descarrilou numa curva em Angrois, na Galícia. Segundo a Wikipédia, o acidente deixou 79 mortos (a contagem da sentença) e 143 feridos. A caixa-preta mostrou que o trem estava a 179 km/h na curva, onde o limite era de 80 km/h. Em julho de 2024, o maquinista Francisco José Garzón Amo foi condenado a 2 anos, 6 meses e 1 dia de prisão por homicídios e lesões por imprudência grave. O diretor de segurança da Adif na época, Andrés Cortabitarte, recebeu a mesma pena.
A causa do acidente de Toledo ainda será apurada, e não há, até o momento, elemento oficial que permita ligá-lo aos casos de Adamuz e de Santiago além de terem ocorrido na rede ferroviária espanhola.







