A Prefeitura de Poços de Caldas informou ainda em setembro que o trecho central do monotrilho, entre o terminal de linhas urbanas e o museu, deve ser demolido até 31 de dezembro de 2028. A medida faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público. Já o destino do restante da estrutura, entre o museu e o atual Centro Administrativo, segue sem definição.
O tema foi tratado durante audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Poços de Caldas nesta quarta-feira, com o título “Cenário técnico, urbanístico, estrutural e as perspectivas futuras do Monotrilho de Poços de Caldas”.
A demolição foi anunciada pelo procurador-geral do município, Thiago Arantes, e pelo secretário municipal de Planejamento, Ercules Berlini Tassinari. Segundo Tassinari, a secretaria já conta com um diagnóstico técnico para a demolição e agora trabalha para publicar o processo licitatório que viabilizará a execução do serviço.
De acordo com as informações apresentadas na audiência, o trecho definido para demolição passa por áreas que concentram bens tombados da cidade, entre eles o Palace Casino, o antigo prédio da prefeitura, a Urca e o museu.
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Projeto visionário
O contrato para a construção do monotrilho de Poços de Caldas foi assinado em 1982, com a empresa J. Ferreira Ltda. como concessionária. O projeto era visto como visionário à época, com potencial de transformar o turismo e a mobilidade da cidade mineira — a ideia original previa até 30 km de extensão, bem maior do que o que acabou sendo construído.
O prazo original para entrega era de dez anos, mas uma sucessão de entraves atrasou a obra por quase duas décadas. O sistema começou a operar de forma experimental em 1991, mas a inauguração oficial só ocorreu em 2000 — já com extensão bem menor que a planejada: cerca de 6 km e 11 estações, ligando a rodoviária ao centro da cidade.
Logo na viagem inaugural, em 25 de setembro de 2000, o trem descarrilou numa curva, e 19 pessoas precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Apesar do susto, o serviço seguiu operando por mais um tempo, mas de forma instável.
O desfecho mais grave veio em 2003: a queda de duas pilastras comprometeu parte da estrutura elevada, interrompendo definitivamente a operação. Sem condições técnicas ou financeiras de retomar o serviço, a concessionária acabou devolvendo a concessão ao município.
Desde então, o monotrilho ficou praticamente esquecido — estações e trilhos abandonados ao longo do Rio Lambari viraram parte da paisagem (e até assunto de curiosidades e documentários sobre a cidade, como o “Ruínas Sobre Trilhos”, lançado em 2025). Uma lei municipal previa que, em 2031, a estrutura passaria integralmente ao patrimônio do município “em perfeito estado de uso e conservação” — o que nunca aconteceu.
Em 2019, houve uma tentativa de reviver o projeto: a prefeitura recebeu um estudo preliminar da empresa alemã TÜV Rheinland sobre a viabilidade de reativação do sistema, mas os custos prometidos para início de 2020 nunca foram apresentados, e o projeto voltou a estagnar.






