A definição do itinerário da futura Linha 20-Rosa do Metrô de São Paulo, projetada para conectar o ABC Paulista à Zona Oeste da capital, virou alvo de questionamentos no Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a Associação Ame Jardins acionou o órgão fiscalizador para contestar a decisão da estatal de retirar três estações da Avenida Brigadeiro Faria Lima e direcionar o ramal pelo interior dos bairros dos Jardins e de Pinheiros.
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De acordo com o Estadão, a entidade que representa os moradores argumenta que a alteração desvia o atendimento do principal polo comercial da região e impacta áreas de tombamento histórico. O presidente da associação, Frederico Marques Affonso Ferreira, criticou a mudança comparando-a a projetar uma linha para a Avenida Paulista e instalar as plataformas na Alameda Franca. Até o momento, o Ministério Público solicitou informações técnicas ao Metrô, mas não abriu inquérito formal.
Economia e prazos motivaram ajuste no traçado
Em resposta ao jornal, o Metrô de São Paulo informou que a opção pelo traçado atual baseou-se em estudos multidisciplinares de demanda, viabilidade de engenharia, desapropriações e equilíbrio financeiro. A versão preliminar, que contemplava 25 paradas e cinco estações no entorno da Faria Lima, custaria R$ 26,1 bilhões para atender 1,29 milhão de usuários, demandando dois anos adicionais de obras.
Já a rota consolidada, orçada em R$ 24,9 bilhões com 24 paradas (duas delas na Faria Lima), transportará cerca de 1,26 milhão de pessoas. Conforme a estatal explicou ao Estadão, a alteração gera uma economia de R$ 1,2 bilhão (cerca de 3% a menos no custo global), reduzindo o investimento por passageiro de R$ 20.220 para R$ 19.660.
Traçado atual da Linha 20:
Traçado antigo:
Sobre a questão urbanística, o gerente de Planejamento da companhia, Luiz Antônio Cortez Ferreira, ressaltou que o projeto possui todas as autorizações dos órgãos de patrimônio histórico (Conpresp, Condephaat e Iphan) e que as regras de tombamento dos Jardins continuarão impedindo a verticalização do perímetro.
Sobrecarga da Linha 4-Amarela e integração com a Linha 22-Marrom
O planejamento técnico do Metrô também levou em conta a capacidade de saturação da malha já existente. Conforme detalhado na matéria do Estadão, o trecho da Linha 4-Amarela entre as estações Butantã e Pinheiros opera no limite da lotação nos horários de pico, situação que deve se intensificar com a futura extensão até Taboão da Serra.
A Estação Faria Lima receberá a conexão com o projeto da Linha 22-Marrom (que ligará Cotia e a USP à capital), estrutura que não comportaria uma tripla transferência agregando também a Linha 20-Rosa. O Metrô optou pela Linha 22 no local por razões históricas de fluxo originário da Rodovia Raposo Tavares rumo ao Largo da Batata e para evitar uma demanda excessiva de baldeação que exigiria ampliações inviáveis de frota na Linha 4.
A Linha 20-Rosa ligará Santo André e São Bernardo do Campo à Estação Santa Marina. A conclusão do projeto básico está prevista para o primeiro trimestre do próximo ano, com meta de licitar as obras em 2027, iniciar a construção em 2028 e concluir o ramal até 2033.




