Motiva

Futuro trem bala japonês vai levitar a 500 km/h

O projeto do Linear Chuo Shinkansen, a próxima geração de trens de alta velocidade do Japão que utilizará tecnologia de levitação magnética (maglev) para atingir velocidades de até 500 quilômetros por hora, caminha para superar um longo impasse político, conforme reportagem veiculada pelo site NHK World. A primeira fase do empreendimento ligará a estação Shinagawa, em Tóquio, a Nagoya (província de Aichi), com planos de expansão futura até Osaka, o que reduzirá o tempo total de viagem para apenas 67 minutos.

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De acordo com a operadora Central Japan Railway Company (JR Central), a nova linha passará quase 90% por dentro de túneis. Além de conectar as três maiores áreas metropolitanas japonesas — gerando um impacto econômico estimado em pelo menos 18,6 trilhões de ienes (mais de 114 bilhões de dólares) —, o sistema servirá como uma rota alternativa de segurança ao Shinkansen tradicional, cujo traçado pela costa do Pacífico é considerado vulnerável a grandes terremotos na Fossa de Nankai.

Acordo político destrava obras em Shizuoka

A meta inicial da JR Central era inaugurar o trecho entre Tóquio e Nagoya em 2027, mas o cronograma foi interrompido devido à forte oposição na província de Shizuoka. Embora a linha atravesse a região, nenhuma estação será construída no local. Sob a liderança do ex-governador Kawakatsu Heita, o governo local barrou as autorizações devido a preocupações ambientais: uma projeção da própria operadora em 2013 indicava que as obras de tunelamento poderiam reduzir a vazão do rio Oi — principal fonte de água para residências, agricultura e indústrias locais — em até duas toneladas por segundo.

O cenário começou a mudar com a eleição do novo governador, Suzuki Yasutomo, em 2024. Após a retomada dos diálogos, a JR Central comprometeu-se a pagar indenizações caso haja impactos nos recursos hídricos e prometeu ampliar as paradas do Tokaido Shinkansen nas estações da província. Diante dos avanços, o governador Suzuki anunciou que assinará um acordo de preservação ambiental com a empresa ainda este mês para autorizar o início dos trabalhos de engenharia.

Desafios técnicos, ambientais e alta nos custos

Apesar da liberação política, a inauguração comercial não deve ocorrer no curto prazo. A JR Central estima que os trabalhos na província de Shizuoka podem demorar mais de 10 anos, uma vez que a execução exige cuidados rigorosos para proteger os recursos hídricos do rio Oi e o ecossistema frágil dos Alpes Japoneses do Sul.

O projeto também acumula desafios de engenharia e incidentes em outros canteiros. No ano passado, obras de um túnel provocaram o cedimento de uma estrada em Shinagawa, Tóquio. Dois anos antes, perfurações na cidade de Mizunami (província de Gifu) causaram o vazamento de águas subterrâneas, resultando no afundamento do solo e no esgotamento de poços vizinhos.

Paralelamente aos imprevistos técnicos, o orçamento do empreendimento disparou. Devido à forte alta nos preços de materiais de construção e mão de obra, a estimativa de custo para o trecho Shinagawa-Nagoya praticamente dobrou em relação a 2014, saltando de 5,5 trilhões de ienes para os atuais 11 trilhões de ienes. Ainda assim, a JR Central reiterou que mantém o compromisso de entregar a linha de levitação magnética o mais rápido possível.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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