Qual é o nível de demanda que realmente valida a implantação de um sistema de trens urbanos? No estado de São Paulo, existem diversas regiões metropolitanas consolidadas, como a Grande São Paulo, Campinas, Sorocaba, Baixada Santista, Vale do Paraíba e Ribeirão Preto. Entretanto, o transporte de passageiros sobre trilhos ainda é uma realidade restrita.
Atualmente, o serviço de trens metropolitanos atende apenas a Grande São Paulo e a região de Jundiaí. Existem projetos em andamento para expandir essa rede até Campinas, incluindo a previsão de serviços paradores. Por outro lado, a malha ferroviária utilizada para transporte de cargas é muito mais abrangente, atravessando áreas densamente povoadas na Baixada Santista, Vale do Paraíba e Sorocaba.
🚎 Fique por dentro das notícias mais recentes sobre mobilidade urbana:
✅ Canal do Via Trolebus no WhatsApp
✅ Canal do Via Trolebus no Telegram
O critério técnico para que uma localidade receba o transporte ferroviário urbano é rigoroso. De acordo com informações da CPTM, para que a operação seja economicamente viável e justificada, a região deve apresentar uma demanda superior a 20 mil passageiros por hora e por sentido. Esse dado foi reforçado em uma resposta oficial da companhia sobre a possibilidade de um novo atendimento de passageiros em Suzano, evidenciando que o volume de usuários é o fator decisivo para transformar trilhos de carga em linhas de passageiros.
Atualmente, poucas regiões fora da Grande São Paulo atingem isoladamente o pico de 20 mil passageiros por hora/sentido (PHS), mas os eixos integrados em formato de “rede” aproximam-se desse volume em horários específicos. Abaixo, elenco os pontos com maior potencial e as referências de planejamento:
1. Eixo São Paulo – Campinas (TIC Eixo Norte)
Este é o único eixo fora da RMSP que já possui demanda consolidada para justificar o investimento imediato. Segundo o Edital de Licitação do TIC Eixo Norte, a demanda estimada para o serviço parador (Leste-Centro de Campinas até Jundiaí) é de alta intensidade, servindo como alimentador para o serviço expresso.
Status: Contrato assinado (Tic Trens).
Referência: Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) do Trem Intercidades – Governo de SP (2023).
2. Sorocaba e São Roque
O eixo da antiga Estrada de Ferro Sorocabana apresenta uma demanda reprimida significativa. Estudos para o TIC Eixo Oeste indicam que a integração entre Sorocaba, São Roque e a capital atrai um fluxo pendular que, somado ao transporte municipal, justifica sistemas de média/alta capacidade.
Potencial: Demanda estimada em cerca de 15 a 18 mil passageiros no pico entre o polo de Sorocaba e a franja metropolitana de SP.
Referência: Plano Diretor Estratégico de Mobilidade de Sorocaba e Estudos de Pré-Viabilidade da CPTM/STM.
3. São José dos Campos e Vale do Paraíba
O eixo da Linha 12-Safira e da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil possui infraestrutura que atravessa áreas densamente povoadas. No entanto, a demanda para o trem de passageiros concorre diretamente com o transporte rodoviário (Via Dutra).
Potencial: A demanda é considerada alta para serviços intermunicipais entre SJC, Taubaté e Jacareí, mas o volume por hora/sentido ainda oscila abaixo do limite de 20 mil sem a integração total com a rede da capital.
Referência: Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) da RM do Vale do Paraíba e Litoral Norte.
4. Baixada Santista (VLT e Ferrovias)
A Baixada Santista já opera o VLT, mas o uso da via férrea da antiga Santos-Jundiaí para passageiros entre Santos e o Planalto esbarra no custo de infraestrutura e na saturação de carga.
Referência: Estudos da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) para o túnel Santos-Guarujá e mobilidade metropolitana.







