Trem do maior metrô da América do Sul é produzido no Brasil

Divulgação

A Alstom e o Metro de Santiago apresentaram o primeiro trem Metropolis AS-22-UTO que irá operar na futura Linha 7 do metrô chileno. A cerimônia ocorreu na última semana, na fábrica da Alstom em Taubaté, no interior de São Paulo, e reuniu executivos das duas instituições e equipes técnicas envolvidas no projeto.

Participaram do evento representantes do Metro de Santiago, entre eles Guillermo Muñoz, presidente do conselho, e Ximena Schultz, gerente da Divisão de Projetos, além da diretora-geral da Alstom Brasil, Suely Sola, e membros do comitê latino-americano da empresa.

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A composição apresentada inicia agora a etapa de testes industriais na unidade de Taubaté. A entrega do primeiro trem está prevista para o segundo semestre de 2026 e marca o início do fornecimento das 37 composições contratadas. O marco coincide com as comemorações dos 50 anos do Metro de Santiago e reforça a parceria de cinco décadas entre a operadora chilena e a fabricante francesa.

Segundo Guillermo Muñoz, os trens da Linha 7 terão 102 metros de comprimento e capacidade para transportar até 1.247 passageiros, além de dois espaços reservados para pessoas com mobilidade reduzida em cada composição. Os veículos serão construídos em aço inoxidável, solução que aumenta a durabilidade e contribui para a redução do consumo de energia. Cada carro contará com quatro portas, corredores amplos e interligados, ar-condicionado, sistema avançado de informação ao passageiro, portas USB-C para recarga de dispositivos e um moderno conjunto de segurança com câmeras de alta resolução e intercomunicadores conectados ao centro de controle.

Ao todo, a Alstom produzirá 37 trens Metropolis, cada um com cinco carros, na unidade de Taubaté. O contrato também prevê o fornecimento do sistema de sinalização Urbalis CBTC, que permitirá a operação totalmente automatizada, sem condutor. Além disso, a empresa assinou outros dois contratos para implantação das vias, do sistema de catenária e do sistema elétrico da linha. Os três acordos incluem 20 anos de manutenção, com uso de tecnologias de manutenção preditiva aplicadas aos trens e à infraestrutura.

Para Suely Sola, a apresentação do primeiro trem simboliza a continuidade da atuação da Alstom no continente. Ela destacou que a empresa fabrica trens no Brasil há mais de 70 anos e que o projeto da Linha 7 reforça essa trajetória de fornecimento para sistemas metroviários da América do Sul.

Waleria Haga, diretora de projetos da Alstom para a Linha 7, ressaltou que o novo ramal deve melhorar significativamente a mobilidade urbana em Santiago, oferecendo um transporte mais rápido, confiável e sustentável para cerca de 1,6 milhão de pessoas.

Atualmente em construção, a Linha 7 do Metro de Santiago terá 26 quilômetros de extensão e 19 estações, atravessando sete comunas da capital chilena. Três delas — Renca, Cerro Navia e Vitacura — passarão a integrar a rede metroviária pela primeira vez. Quando entrar em operação, prevista para 2028, o tempo de viagem entre os terminais será de 37 minutos, redução de quase 50% em relação ao deslocamento atual por ônibus.

O projeto prevê ainda a geração de cerca de 24 mil empregos ao longo das obras e, no primeiro ano de operação, uma demanda média diária de 194 mil passageiros em dias úteis. Estima-se também uma redução anual de aproximadamente 33 mil toneladas de CO₂, equivalente ao plantio de cerca de 55 mil árvores adultas. O investimento total da Linha 7 é de US$ 2,528 bilhões.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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