O projeto da Linha 16-Violeta sumiu dos discursos do governador Tarcísio de Freitas. Na última coletiva de imprensa em que tocou no assunto de obras de mobilidade, ocorrida na última sexta-feira, o governador não citou o projeto, que pretende ligar a região da Teodoro Sampaio até a Cidade Tiradentes.
Em abril de 2025, o edital e o certame chegaram a ser projetados para o primeiro semestre de 2026. Posteriormente, o cronograma oficial da pasta chegou a indicar o lançamento do edital para o primeiro trimestre de 2026 e a sessão pública para o segundo trimestre do mesmo ano. No entanto, uma nova atualização no site da SPI revela que o edital final foi postergado para 2027, deixando o leilão sem uma previsão de semestre definido.
A linha foi projetada pelo Metrô de São Paulo, como integrante da malha de metrô. Nos últimos anos, uma Manifestação de Interesse Público (MIP) foi apresentada pela construtora espanhola Acciona para projetar, construir e operar a nova linha de metrô por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP).
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Mudança no projeto
O projeto da Linha 16-Violeta passou por mudanças. Ele deixou o Metrô e foi para a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), e a linha foi alongada de Oscar Freire até a região da Teodoro Sampaio. O ponto mais polêmico é o cruzamento com as linhas 1-Azul e 2-Verde. O Metrô entendia que a Linha 16 deveria encontrar as mais antigas na estação Paraíso, mas a versão apresentada pela SPI traz o cruzamento em Ana Rosa.
O projeto diretriz da Linha 16, preparado pelo Metrô e publicado no site da companhia em 2021, afirmava que Paraíso e Ana Rosa têm funções parecidas na rede sobre trilhos. Como ficam em sequência, o passageiro pode escolher em qual das duas fará a integração sem mudar de rota.
Por causa dessa semelhança, o modelo que estima a demanda não consegue dividir as integrações entre as duas estações. O critério adotado foi considerar que todas as conexões acontecem na primeira estação que o usuário alcança. Com isso, os dados de transferência ficam desequilibrados, o que atrapalha o dimensionamento correto das estações.
Por isso, parte do estudo da estação consistiu em identificar, na projeção de demanda, a origem e o destino dos fluxos de integração das duas estações e redistribuí-los, levando em conta fatores como facilidade de percurso, distância da transferência e rotas. Ao comparar o trajeto do passageiro integrado nas duas estações, o Metrô encontrou algumas diferenças.
Em Ana Rosa, todos os passageiros integrados sobem ao mezanino e descem à plataforma, vencendo dois desníveis. Em Paraíso, só quem faz a integração entre a plataforma sentido Jabaquara e a plataforma sentido Dutra enfrenta dois desníveis. As outras integrações são mais atrativas, com um único desnível ou no mesmo nível, como entre a plataforma sentido Jabaquara e a plataforma sentido Cerro Corá, em que basta atravessar a plataforma.
Além do trajeto, a estação Ana Rosa da Linha 2-Verde não tem escadas rolantes nas plataformas, e o passageiro precisa usar escadas fixas. Em Paraíso, o deslocamento vertical pode ser feito por escada rolante em todas as plataformas.
A escolha do passageiro entre as duas estações também depende da rota dele na rede. Para quem sai de Tucuruvi com destino a Cerro Corá, por exemplo, integrar em Ana Rosa significaria um percurso negativo e, portanto, desvantajoso.
Na avaliação do planejamento do Metrô, a maioria dos usuários prefere a conexão em Paraíso, por ter menos desníveis. A estatal também informou no estudo que a chegada da Linha 16-Violeta a Paraíso aumentaria em cerca de 67% a demanda diária da estação, com maior impacto na Linha 1-Azul. Diante desse aumento previsto e do fato de Paraíso ser mais atrativa para a integração, o Metrô recomendou instalar escadas rolantes nas plataformas de Ana Rosa, para torná-la mais atraente e receber parte da demanda integrada de Paraíso.
Já o estudo da Acciona, chamado de Estudo de Alternativas Locacionais, aponta risco construtivo. A principal integração proposta originalmente no projeto diretriz era em Paraíso. Segundo a empresa, que constrói a Linha 6, essa integração tinha vários riscos construtivos e causaria forte impacto no entorno. O maior risco era a construção da caverna que abrigaria as plataformas sob a Avenida 23 de Maio, uma das principais vias da cidade.
Após avaliação técnica, sob a ótica da gestão de risco do empreendimento como um todo e dos reflexos na segurabilidade e no financiamento, a solução de integração em Paraíso foi considerada insatisfatória, principalmente por existir uma alternativa mais segura.





