Motiva

Entrevista: CPTM vai estudar trem até Bauru

Rafael Kage

Uma malha sobre trilhos formada por serviços de trem intercidades, trens metropolitanos e Veículos Leves sobre Trilhos em todo o Estado de São Paulo. Quem está por trás dessa rede do futuro é a companhia que modernizou os trens urbanos na Grande São Paulo, e após o processo de concessão promovido pelo governo estadual, segue apenas com uma linha, mas com muitos projetos oriundos de uma experiência de três décadas na maior megalópole brasileira.

Trata-se do Plano Estratégico Ferroviário do Estado de São Paulo (PEF-SP 2050), tocado em parceria entre a CPTM e a Semil — Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. O plano final deve ser apresentado ainda neste ano, mas já há alguns dados preliminares.

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Em entrevista exclusiva ao Via Trolebus, Fábio Marcondes, gerente de Planejamento da Mobilidade e Gestão do Território na CPTM, contou um pouco como a companhia está planejando as novas rotas, e quais regiões podem receber o transporte sobre trilhos.

Um dos projetos citados seria um trem de passageiros entre Sorocaba e Bauru, e já há trabalhos mais aprofundados feitos pela companhia, segundo o que revela o gerente de planejamento ao site.

Malha ociosa e dados de celulares

Para criar a rede, os técnicos da CPTM cruzaram dados de telefonia com a malha já existente. “A gente pensou em propor uma malha ferroviária pro estado, primeiro utilizando as malhas ociosas. Foi isso que a gente pensou num primeiro momento, porque já tivemos trilhos para tudo que é lado. Tem malha oeste, tem malha paulista ociosa.”

Em 2025, a companhia estabeleceu um contrato com a Claro para mapear as tendências de deslocamentos dos usuários, e então poder identificar as possíveis demandas. “A gente tem muita informação de deslocamentos. Então, a gente foi tratando essa informação no deslocamento, a gente foi criando uma rede, simulando uma rede para entender onde é melhor, onde tem mais demanda, onde tem pontos importantes”, afirma Fábio Marcondes, que conta ainda que a companhia utiliza dados da empresa Infra S.A., do governo federal.

Linha Santos-Cajati

Talvez a primeira linha fruto desse trabalho seja a Santos-Cajati, um ramal ferroviário que parte de Santos, cruza todo o litoral sul paulista, e chega no Vale do Ribeira. Marcondes contou que, a exemplo desse projeto, que contempla também trens de carga, a futura malha deve levar em conta o transporte de mercadorias.

Divulgação

“Esses projetos estão sendo muito eh bem bem feitos para que atenda todas essas esse multisserviço. A gente tem feito uma matriz multicritério até para fazer as prioridades. Então, o que que vem primeiro? Quais os projetos que nós vamos estudar primeiro? Claramente Santos-Cajati, a gente continua o estudo.”

Linha Sorocaba-Bauru

O próximo projeto a ser leiloado pelo governo estadual é o Trem Intercidades Eixo Oeste, entre São Paulo e Sorocaba. Uma continuidade desse atendimento poderia ser uma extensão até Bauru. Marcondes revelou ao Via Trolebus que esse projeto já está na fase do estudo funcional.

“A gente já iniciou também agora o estudo do Sorocaba-Bauru. Então esse a gente já tá também em projeto funcional. A Linha 25 do anel metropolitano nosso, que vai ligar Embu até o ABC. Essa também já tá em projeto funcional”, afirmou. Sobre a Linha 25, conforme o site revelou antecipadamente, trata-se de uma ligação entre Santo André e Embu das Artes, passando por São Bernardo do Campo, Diadema, e Zona Sul de São Paulo.

Mapa preliminar da rede futura junto com a malha atual:

CPTM

Na sequência, devem ser aprofundados demais projetos. “E aí ali vai ter toda essa priorização de trechos. E a ideia é terminou um, começou outro. A ideia é fazer todos os que forem elencados no plano estratégico ferroviário. Assim como foi no Santos-Cajati. Primeiro faz o projeto funcional. Aí no Santos-Cajati a gente já terminou o projeto funcional, já tá produzindo o anteprojeto de engenharia.”

Análises aéreas

Para subsidiar a futura malha, a CPTM contratou o levantamento aerofotogramétrico, que é uma técnica de mapeamento que utiliza imagens aéreas de alta resolução tiradas por aeronaves ou drones para gerar dados geográficos precisos. Essa técnica foi utilizada no projeto da Santos-Cajati, e deve ser usada nas demais linhas propostas.

“O levantamento aerofotogramétrico que a gente contratou, do Santos-Cajati, e que a gente já tem uma ata de registro de preço para voar todos os outros trechos”, afirmou o gerente de planejamento.

Já o restante das análises está sendo feito pelo próprio pessoal da CPTM, mostrando a vocação da empresa como planejadora ferroviária.

“Todo o projeto funcional é aqui na área de planejamento, todo o anteprojeto de engenharia é na nossa diretoria de engenharia. Então tudo isso feito com recurso próprio, com pessoas daqui, tudo em casa. Essa é uma das mudanças que a CPTM fez nos últimos tempos”, finaliza.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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