O Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT) aprovou, por meio da Deliberação nº 227, de 28 de agosto de 2026, o Parecer Técnico referente ao Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do metrô Linha 22-Marrom, no trecho entre Cotia e Sumaré.
Segundo o documento, o processo teve início em 29 de junho de 2026, quando o CBH-AT recebeu da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) o Ofício nº 93/2026/IL, solicitando análise e manifestação sobre o empreendimento, apresentado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo. O assunto foi discutido na 15ª Reunião da Câmara Técnica de Planejamento e Gestão (CTPG), realizada em conjunto com os Subcomitês Cotia-Guarapiranga e Pinheiros-Pirapora em 4 de agosto de 2026, ocasião em que o empreendedor apresentou o projeto e o parecer técnico foi discutido e aprovado.
Características do empreendimento
De acordo com o parecer, a Linha 22-Marrom terá traçado linear de 31,32 km de extensão, ligando a Estação Sumaré — com integração à Linha 2-Verde — ao Terminal Cotia, seguindo predominantemente o eixo da Rodovia Raposo Tavares, pelos municípios de São Paulo, Osasco e Cotia. Serão 19 estações ao todo, sendo 10 em São Paulo, 2 em Osasco e 7 em Cotia.
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O documento aponta que o cenário de operação projetado prevê movimentação de 678 mil passageiros por dia. O empreendimento está inserido na Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) 06, referente à Bacia do Alto Tietê, com o traçado atravessando 16 sub-bacias, com destaque para as do Rio Cotia (58,9% da Área de Influência Indireta) e do Córrego Pirajussara (17,0%).
Segundo o parecer, está prevista a supressão de 0,56 hectare de vegetação nativa e de 199 árvores isoladas. O traçado também apresenta 40 interseções com 35 cursos d’água distintos, sendo 60% deles em canalização subterrânea, 22,5% em leito natural e 17,5% em canalização a céu aberto. A maior parte das interferências — 75% — corresponde a travessias subterrâneas.
Alternativas de traçado e tecnologia
O parecer descreve que o EIA apresentou a evolução dos estudos de alternativas para a linha desde a concepção inicial, na década de 1990, até a alternativa selecionada. Foram avaliados critérios técnicos, operacionais, econômicos, ambientais e de risco, e os estudos concluíram que sistemas de média capacidade, como VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e BRT (Bus Rapid Transit), não atenderiam à demanda projetada, restringindo a comparação às alternativas de metrô e monotrilho.
Segundo o documento, a análise integrada de custos e riscos apontou a implantação do metrô subterrâneo, com trens de cinco carros ao longo de toda a linha, como a alternativa mais vantajosa, em razão do menor nível de risco e do melhor desempenho nos índices de mérito adotados. Já o traçado misto apresentou maior exposição a riscos ambientais, de desapropriações e de possíveis atrasos na implantação.
O parecer também registra que o estudo não apresentou, de forma explícita, a influência de critérios hidrológicos na seleção da alternativa final — ausência apontada como uma das recomendações do CBH-AT (R1).
Impactos nos recursos hídricos
O documento traz uma análise detalhada dos impactos sobre recursos hídricos. Entre os pontos avaliados estão a qualidade das águas superficiais — classificada, segundo dados da CETESB entre 2018 e 2023, predominantemente como Ruim a Péssima nos corpos hídricos interceptados pela linha — e a qualidade das águas subterrâneas, com trechos de vulnerabilidade alta identificados nas proximidades do Córrego Jaguaré e do Rio Pinheiros, abrangendo estações como Hebraica-Rebouças, Vital Brasil, USP-Praça do Relógio, Reserva Raposo e Terminal Cotia.
O parecer também aponta riscos geotécnicos associados à implantação da linha, decorrentes da complexidade das condições geológicas ao longo do traçado, com estimativa de geração de cerca de 5,4 milhões de m³ de material excedente, dos quais 41,5 mil m³ seriam material contaminado.
Sobre inundações, o documento indica que a Área de Influência Indireta contém reservatórios de amortecimento relevantes, com destaque para a sub-bacia do Pirajussara, que soma 974,3 mil m³ de volume de armazenamento a montante da Estação Vital Brasil.
Recomendações
O CBH-AT apresentou à CETESB nove recomendações (R1 a R9) para o prosseguimento do licenciamento ambiental do empreendimento. Entre elas estão a apresentação de análise comparativa dos impactos sobre recursos hídricos entre as alternativas estudadas, o detalhamento da solução técnica prevista para cada uma das 40 interferências identificadas em cursos d’água, a avaliação de soluções para mitigação de impactos associados a inundações, e a apresentação de estudo detalhado sobre possíveis interferências entre as obras subterrâneas e o rebaixamento do lençol freático.
Também constam entre as recomendações o detalhamento das medidas de manejo de efluentes nas estações e estruturas operacionais, e o detalhamento do sistema de reuso e recirculação de água usado na lavagem dos trens.
O parecer técnico foi relatado por Raul Kirchhoff, da Federação de Associações Ligadas ao Meio Ambiente na Bacia do Alto Tietê (FABHAT), e a deliberação foi assinada por Rodolfo Marcondes, presidente do CBH-AT, Amauri Pollachi, vice-presidente, e Anderson Esteves, secretário.






